Por um mal de amor
Claudio Rabello
 

 

Quando meu rosto acolheu sua sombra em meu olhar
e me deixei invadir dessa estranha melancolia pude
entender as histórias que inventei ontem mesmo
quando fui previsivelmente insano
Mas apesar disso e talvez por recompensa levo em
mim cada dia desse sentimento cego
Se minha crença é essa bola rolando na relva
e essa criança correndo atrás desafiadoramente,
me perdoe por te amar tanto...

 

Ao fim do que receberei como consolo me terei mais
ou menos convencido que o que dei foi minha alma
impercorrível e também esse corpo que desconheço
ao espelho pois que meu sonho é meu escudo e
minha imagem nele refletida em nada muda
Ah! Essa boca que não tenho me beija
encantada e me leva por onde mais
queira, mesmo tonto
Fecho os olhos fascinado pelo delírio!
Me ajude por te amar tanto...

 

Aqui então me acorrento e me desfaço sabendo
que amanhã esse laço não se desatará já que a
promessa feita é inquebrantável e eu peque
aqui deitado, só, envergonhado  de minha
nudez e pronuncie pra nem mesmo eu
ouvir as palavras que enfeitam os
tetos e as paredes dos hotéis
onde ainda ecoa os suspiros
dos amantes:
Só eu te amarei tanto...

 

 

                

 

 

 

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