Margareth e sua bicicleta
Por Claudio Rabello



Margareth procura uma fresta onde possa

escutar o silêncio de seu coração.
Margareth que morre de véspera não
sabe onde é a porta da cidade.
Ela não sabe ser indireta num mundo
em que perde o amor que dá.
Margareth que se vende ao primeiro sonho
de quem lhe sorri quando passeia com sua
bicicleta pela Lagoa.
Margareth que tem um olhar perdido,
estranho como seu destino, distante...
Margareth que tem um olho de vidro,
sempre estático!
Margareth que tem um olho de vidro, sempre
estático, sem saber por onde anda.
Anda sem saber que escolhe a
Lagoa para andar em círculos.
Margareth vive suspensa em palavras que
já não tem fôlego pra pronunciar.
Medéia  que ainda se nutre
de misticismo, vento e...terapia.
Pois Margareth, numa manhã em que
recolhia ao acaso,  vestígios de sua
vida descobriu-se, não mais como 
uma peregrina mas como uma
mulher que procura uma saída.
Seu cabelo parecia chama a se incendiar
no vento travesso.
Talvez ela procurasse um mar
que não tivesse tempestades.
Margareth que com sua bicicleta inventa
na Lagoa um motivo de viver cada
desperdiçado dia.
E já que não percebia o tempo que passava,
afundou-se no próprio umbigo
procurando uma solução para o
vinco que já delimita sua boca.
Margareth com o nariz nas estrelas acusa
o odor de algo impreciso entre
o osso e o pêlo da pele.
Margareth e sua bicicleta dá voltas na Lagoa
procurando sabe lá Deus o que.
Um amor, um amigo, um passado,
um futuro, de presente...
Margareth e sua bicicleta espera desesperançada
o dia em que mudará de percurso e segue o caminho
do sol convencida que é o sol que lhe segue.

 

 

                

 

 

 

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