
AMAR E SER AMADO
Claudio Rabello
Num desses dias onde poetas colhem raios de sol,
em algum ponto do espaço, ondulante, voava uma
borboleta sem querer saber de flor que lhe
pudesse empanar o brilho das cores. O ar se
desmanchava em azuis e vermelhos e verdes
e nem sei mais o que de um tal jeito que em algum
ponto do espaço, ondulante, voava essa borboleta
sem querer saber de flor que lhe pudesse empanar
o brilho das cores. Como eu disse, o ar se desmanchava
em azuis e vermelhos e verdes e nem sei mais o que
de um tal jeito que meus olhos perderam a noção
do branco e do preto.
De repente, surgido do nada,
avançou sobre aquela
beleza um pássaro que nem sei o nome, que nem
lembro as cores, que nem lembro o tamanho. Só tenho
na memória o som de suas velozes asas o lançando
como faz a onda com o surfista. Numa fração de segundos
já lá subia levando no bico as cores que tanto havia
me entontecido. Fiquei olhando seu vôo constante
até ele se tornar parte do infinito assim como meu
sentimento de que minha vida estaria sempre
no limite do que eu pudesse admirar e o que eu
pudesse defender.
Mas nada disso tem a ver
com o amar e ser amado,
alguém diria. No entanto ainda levo em minhas
narinas o perfume da flor que nem me lembro se vi...