EU SÓ...ELA MAIS SÓ QUE EU!
Por Claudio Rabello

 

Ela está mais só que eu!
Por trás da máscara, do arbusto, da sombra,
ela se esconde como um avestruz a cabeça!
De mim fogem todos os argumentos,
deixei de pensar em armadilhas.
A cada momento roubo um grão do tempo para que
ela me sorria!

Ela..., que está mais só que eu!

Trocamos os olhares que nos negaram como duas feras
enjauladas.
Nós, as presas de nós mesmos,
empoleirados na janela de nossa imprópria
consciência,
servimo-nos porções comedidas do que generosamente
  comemos com tantos.

Confidenciamos vulgaridades
e sem disfarces, calamos o que nos magoaria.
Quem sabe o que já não sabe nossa vã memória...

Das paredes correm suspiros e gemidos
O lençol se espalha pela cama como o mar das
tormentas
O relógio corre uma hora em um minuto
talvez por isso nos despedimos mais do que nos
saudamos.

Não há vinho para a nossa sede!
Não há pão para a nossa fome!
Só temos o alimento do prazer no altar de nossa
mais recônditas vontades.

A varanda recolhe a noite cheia de promessas...
A rede balança sobre aquele tapete que pouco pisamos...
Somos loucos e lúcidos nessa paixão desmesurada
e, mesmo depois que tudo é solidão
nos ocultamos de nossas companhias
sem sabermos até quando seremos reféns de nossa
sobrevivência!

Eu só!
Ela mais só que eu!

Nosso quarto é nossa ilha abandonada no meio do
Universo!
Não há nada a vista que não seja nossos corpos nus.
Nenhum vento sopra a nos lembrar o continente de
onde fugimos
canibalizando nossos futuros sem nenhum remorso,
vomitando amor como um dragão encurralado cospe
fogo!
E no exato instante em que dizemos adeus
ocultamos sem piedade o sentimento que somos
capazes,
Nos voltamos pra dentro do que aparente somos diante
dos outros,

eu só, ela só...
Ela mais só que eu!

 

 

                

 

 

 

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