De mim e de tudo por 

quem meu coração bateu...

Claudio Rabello


 

Valeria então dizer que não foi ilusão quando não existia,
que era verdade quando foi fantasia,
que era noite quando foi dia,
que era choro oque minha alma ria.

Poderia dizer que era música o que foi silêncio,
que foi calma o que era tormento,
que foi mágica quando foi trapaça,
que foi borboleta quando era traça.

Deveria dizer que não foi assim porque foi assado,
que não teve fim o que não teve começo,
que foi meu futuro o que houve no passado
e que paguei o que não tinha preço.

Restaria aprender o que eu me julguei sábio
e que não encontraria na boca o que me repousa no lábio
para que o que pareceu frio mostrasse calor
e o que foi dor mostrasse amor.

Sendo assim, as voltas com o que me aconteceu,
sabendo que o que eu pensei ser ela era eu,
percebendo que o que eu disse não me fez deus,
falei de mim e de tudo por quem meu coração bateu...

 

 

                

 

 

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