A mão que afaga...

Claudio Rabello
 

Não sei como explicar, como responder
as perguntas do vento.
Por onde passei deixei de mim o que de resto eu tinha
e talvez essa seja minha única resposta.
Do que falei não me ouvi e em algum lugar vou
continuar sentado à sombra de minha história
esperando que quando ela passe não
se lembre mais de nós!


Continuo falando de nossos sonhos
mesmo que já não haja sonho pra sonhar;
Continuo escrevendo nas paredes as palavras
que recuso pronunciar;
Continuo comendo o pão que a sua mão amassou,
embora, aqui entre nós, você não entenda o que eu digo;
E se os beijos que trocamos e que nunca saíram de nossas bocas
não acontecerem, ainda restará seu gosto
pra revelar o doce que não se colhe das abelhas.


Pouco importa se quando fecho os olhos tudo o que vejo
são as esquinas onde nos perdemos, ainda há em mim
a essência que me faz ter, a toda manhã, o olhar
de quem não sabe ser senão o que é...


E mesmo que você que me lê agora não saiba de mim
e se recuse a entender o que me faz querer tocar sua
alma entenda que o que dou não é mais meu.
Perdi quando amei.
Não importa quem, não importa quando, não importa porque.

 

 

                

 

 

 

 

 

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