Por Ana Paula Bossler
No livro “Escritos sobre educação”, Nietzchie usa a expressão idéias intempestivas. Amamos! Formou-se a imagem de uma idéia com cara de tempestade, quase dá pra sentir o cheiro de terra molhada que antecipa e despede-se da tormenta, o céu escuro, as nuvens lembrando o movimento de uma tourada, potência revolta! Esse é o espaço no nosso viveiro para as idéias fluidas com tendência a descargas elétricas... Cinema para cego?
Dei aula por 10 anos em uma escola especial para portadores de deficiência visual. De tudo que “aprontei” com “meus meninos”, e foram muitas as realizações (quem quiser saber mais é só me perguntar!), a experiência que mais me deu prazer foram as sessões de cinema na própria escola e as eventuais idas a cinemas da cidade. Quem enxerga (chamados videntes) transforma-se no “olho do cego”. Tipo um olho ecológico, reaproveitado. Há quem ache essa iniciativa uma bobagem, por tratar-se de uma vivência intermediada, uma leitura contaminada da imagem, visto que passa pelos meus olhos de mediadora, é “interpretado” pelo meu cérebro com suas múltiplas implicações, até que se converta em uma informação descritiva-narrativa. Essa experiência só seria legítima se fosse, para estes cricris de plantão, imparcial. Mas existe isso, gente??? Se você tem essa tendência positivista, talvez a proposta desse link não agrade você nem um pouco. Nosso desafio é o seguinte, solte sua imaginação, coloque-se no lugar de alguém que não enxerga, e descreva algumas das imagens a seguir. Que elementos são indispensáveis para a composição mental da imagem de outrem? O todo e suas partes... |