Zabelê
Zabelê era filha do chefe da tribo dos Amanajós e
amava Metara, um índio da tribo dos Pimenteiras e terríveis
inimigos dos Amanajós. Sempre com a desculpa de que iria
colher mel perto de onde o rio Itaim deságua no rio Canindé,
encontra-se com o seu amado Metara. Mas um dia, um índio
chamado Mandahú, da tribo dos Amanajós, desconfiou
daquelas andanças e resolveu segui-la, descobrindo o seu
esconderijo. O motivo da desconfiança eram ciúmes: é que
Mandahú era apaixonado por Zabelê, e não agüentava
o seu amo não correspondido, principalmente porque se via
preterido por um inimigo.
Um certo dia, Mandahú resolveu levar algumas testemunhas
para desmascarar Zabelê. Os dois amantes foram descobertos
e em uma briga, que inevitavelmente aconteceu, Zabelê, Mandahú e
Metara morreram. O fato deu origem a outra guerra, que durou seis
sóis e sete luas. Tupã, com pena dos dois amantes,
resolveu transformá-los em duas aves, que andam sempre juntas
e cantam tristemente ao entardecer. Já Mandahú foi
castigado e transformado em um gato maracajá, que vive eternamente
perseguido pelos caçadores por causa do valor de sua pele.
Zabelê ainda hoje canta triste por seu
amor infeliz.
“De pés vermelho e de corpo quase todo vermelho,
a primeira impressão (...) é de que se trata da juritipiranga;
e, como o seu conto é de uma nostalgia e ternura inigualáveis,
ainda mais se positiva a impressão de que ela é a
juritipiranga. Entretanto, é muito maior do que a juriti;
o seu tamanho aproxima-se mais de uma inhuma ou de um mutum; sendo
assim mais pelo chão, de caminhar ou correr comumente pelo
solo (...) Para voar (...), primeiro corre num descampado de 200
a 300 metros para depois alçar vôo.”
Bugyja Britto, in “Zabelê”
Castelo Encantado
Em
um imenso castelo de altas torres morava um rei que costumava promover
festas, verdadeiras orgias, para as quais convidava moças
e rapazes bonitos, muitos vindos do exterior. Na verdade, essas
festas eram parte de um ritual sanguinário, pois acabavam
em carnificina, porque o rei mandava matar todos os seus convidados.
Um dia, Deus resolveu castigá-lo e mandou um anjo, disfarçado
em um jovem mancebo, participar de um desses encontros. O anjo
assistiu a tudo, e na hora dos assassinatos transformou o monarca,
os convidados e o castelo em pedra. Até hoje, nas noites
de lua cheia, ouve-se a melodia dos violinos, vê-se o reflexo
das velas que iluminavam o castelo que, encantado, recupera vida
com a luz da lua.
No dia 2 de novembro, dia da padroeira de Castelo,
Nossa Senhora do Desterro, milhares de fiéis se deslocam até a
Pedra para fazer as suas penitências. Nesse dia, a Pedra
do Castelo ganha vida.