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Eric Patrick Clapton nasceu no dia 30 de Abril de 1945 em Ripley, Inlaterra. Ganhou a sua primeira guitarra ao completar 13 anos e interessou-se pelo Blues americano trav�s de artistas como Robert Johnson e Muddy Watters.
O nascimento de um �dolo whiplash.net/
Como nasce um �dolo? Existe uma f�rmula para criar uma "pop-star"? Vivemos tempos estranhos, onde o termo pop vem carregado muito mais de aspectos negativos do que positivos. A m�sica pop, na sua ess�ncia, � aquela que nos faz felizes, que coloca um sorriso no nosso rosto e que nos faz cantar aquele refr�o que n�o sai t�o cedo da cabe�a. Mas, para a maioria das pessoas que gostam de m�sica hoje em dia, pop � aquilo que artistas discut�veis como as "boy bands" e "britneys" fazem. Ou seja, algo que n�o combina com o nosso bom e velho "rock and roll".
Robert Johnson, Eric Clapton e o disco "Me and Mr. Johnson" Entrevista conduzida por Dan Neer, 25/06/2004, in AudioPlus A gera��o de Eric Clapton teve o seu primeiro contacto com Robert Johnson em 1961, quando saiu em Inglaterra o disco �King of the Delta Blues Singers�. Daquele disco fazia parte a can��o �Cross Road Blues�, que anos mais tarde acabaria por se tornar num �cone da carreira do guitarrista. Se Clapton, hoje com 59 anos, � designado como �Deus� por alguns f�s, Johnson, que faleceu em 1938 com apenas 27 anos, tornou-se num mito por ter feito, diz a lenda, um pacto com o diabo, ap�s um desaparecimento de alguns meses, do qual ressurgiu completamente transformado. Pois � essa figura m�tica que Clapton reencontra no seu novo disco, �Me and Mr. Johnson�, no qual recria 14 can��es do homem que, apesar da carreira curt�ssima, se tornou �rei do Delta Blues�, g�nero que influenciou centenas de m�sicos de rock. Nesta entrevista, Clapton fala do disco e dos seus enormes v�nculos com o blues. P � Quando descobriu Robert Johnson? R � A recorda��o mais antiga que tenho � de que tinha 15 ou 16 anos, estava na escola de arte e j� gostava de folk blues, gente como Big Bill Broonzy e Josh White, que at� vi na TV. Sonny Terry e Brownie McGhee faziam certo sucesso na Inglaterra, ent�o comecei a tocar alguma coisa deles. Aprendi o estilo finger ac�stico ouvindo Broonzy e coisas como �Nobody Knows You (When You�re Down And Out)�. Um de nossos amigos tinha o disco �King Of The Delta Blues Singers�, que a princ�pio achei dif�cil de ouvir. Gostava de um blues mais comercial. Broonzy era muito popular entre o p�blico branco, fazendo as coisas de modo mais simples e acess�vel. Robert Johnson n�o era nada disso. Acabei por gostar ao notar que ele era puro. Percebi que precisava ouvir mais vezes, e passei a gostar mais e mais. Foi o disco que marcou minha evolu��o musical, tornou-se numa esp�cie de arquivo mental para mim, e tudo que ouvi depois passei a relacionar com essa grava��o. P � O que mais o impressionou nesse disco? R � � dif�cil definir, mas soava como se ele n�o fizesse nenhuma concess�o. Senti que ele estava sendo absolutamente sincero consigo mesmo, fazendo poesia sobre o que realmente sentia. N�o tentava parecer bonitinho. A primeira vez que ouvi �Hell Hound On My Trail�, detestei porque achei muito do�da. S� agora posso ouvir essa m�sica. P � Keith Richards conta que quando Brian Jones lhe mostrou �Love In Vain�, ele sabia que era Robert Johnson mas ficou perguntando quem mais tocava com ele na grava��o... R � J� toquei algumas m�sicas de Johnson em shows, com guitarra ac�stica, e sempre precisei da ajuda de algu�m. Como Keith disse, � praticamente imposs�vel para um �nico homem fazer o que Johnson fazia na guitarra ac�stica. Quanto mais cantar ao mesmo tempo! Ele toca coisas completamente opostas ao seu ritmo de cantar. Acho que s� d� para fazer treinando todos os dias durante muitos anos seguidos. Ele deve ter feito isso, porque certamente h� muito trabalho por tr�s de tudo o que gravou. P � O que sabe sobre a lenda de que Johnson vendeu a sua alma ao diabo? R � Prefiro n�o entrar na quest�o da supersti��o e da mistifica��o, porque de certa forma isso empobrece o trabalho dele. N�o d� para vender a alma ao diabo e tornar-se num g�nio da noite para o dia. Acho que ele simplesmente era um aben�oado e encontrou uma maneira de tirar o m�ximo dessa b�n��o. P � A sua interpreta��o de Johnson mudou muito desde a primeira vez que voc� tocou? R � A primeira vez eu era um garoto e fiquei muito impressionado pela quest�o do mito. Ficava feliz s� de me identificar com a lenda. Com o tempo, aprendi a concentrar-me mais em ouvir as nuances e a finesse do que ele fazia. Ouvir as suas grava��es originais � uma das experi�ncias musicais mais ricas que algu�m pode ter. Quando garoto, era imposs�vel compreender toda a dimens�o. N�o sei que idade ele tinha quando gravou esses discos, talvez uns vinte e poucos, mas eu tinha 18 quando arrisquei tocar como ele. N�o havia hip�tese. Interessante � que todos os meus �dolos da �poca eram bem velhos, ou j� mortos, ent�o faz sentido pensar que s� vim a entend�-los quando envelheci. P � Como surgiu a ideia de fazer um disco inteiro s� com m�sicas de Robert Johnson? R � Conversei com o meu parceiro e produtor, Simon Climie, sobre o disco que precis�vamos fazer e que a princ�pio seria s� de can��es originais. Come�amos a escrever na Primavera de 2003, mas fui percebendo que precisava sempre de recorrer a Johnson para me inspirar. Nos ensaios, par�vamos para tocar alguma coisa dele, s� por farra (risos)... Ent�o, chamamos a banda ao est�dio e come�amos a registar essas coisas, meio de improviso, sem arranjos. Ent�o eu disse: �Vamos para a sala de mitura ouvir o que fizemos�. Da�, nasceu o disco (risos)... E, enquanto conversamos, j� estou pensando aqui no disco do ano que vem. Com Robert Johnson, � assim que funciona. P � Seu m�todo de trabalhar � assim desde �Layla� (1970), n�o? R � Sim, estamos a fazer exactamente a mesma coisa. Trabalhamos at� metade do disco e a� paramos para descansar. Mas claro que n�o descansamos. Algu�m traz um ch� ou algo assim, mas a guitarra est� sempre ali, e ent�o come�amos a tocar qualquer coisa e vem uma esp�cie de grito primitivo, algo l� do fundo do seu passado. Quando fiz �Layla�, tocava nos intervalos coisas como �Nobody Knows You (When You�re Down And Out)� ou �Key To The Highway�, que t�m muito a ver com minha juventude. Mas, se fizesse uma agenda para tudo isso, o disco n�o sairia. Essas coisas surgem na hora do relax. P � Porque se chama o disco �Me And Mr. Johnson�? R � Acho que foi inspirado em �Me And Mrs. Jones� (risos)... (N.R.: can��o pop de Billy Paul, sucesso dos anos 70). Foi quase uma brincadeira. Mas reflete o facto de que ele est� sempre a�. Vem me afetando a vida inteira. � bizarro pensar que todas as minhas escolhas musicais tem alguma coisa dele. A ponto de que, se ele estivesse vivo, eu iria pedir a sua opini�o sobre tudo que fa�o. H� uma certa obsess�o nisso, e o t�tulo tamb�m se refere a ela. P � A can��o �When You Got a Good Friend�, que abre o disco, fala sobre algu�m traindo algu�m de confian�a... R � Acho que � uma can��o de arrependimento. Tem versos fant�sticos, como �Fique atento aos seus amigos, e os seus inimigos n�o poder�o lhe fazer mal�. Parece que ele se sentia muito sozinho. Voc� pergunta-me sobre a m�sica dele, e acho que � isso: a m�sica de um homem solit�rio. Pode-se grav�-la como um grupo, com arranjo moderno, como se quiser, mas a mensagem verdadeira vem de um lugar muito isolado. Ali�s, Johnson trabalha muito o paradoxo, ele contradiz-se em diversas can��es. Em �Kind Hearted Woman Blues�, ele diz: �Tenho uma mulher de bom cora��o, ela est� sempre desejando o mal� (risos)... Hoje n�o, mas no passado j� tive relacionamentos que na superf�cie pareciam o para�so, mas por baixo havia outra coisa. P � Voc� diz que Johnson era solit�rio, e dizem que seus contempor�neos n�o gostavam dele, n�o o aceitavam. Ser� que essa tamb�m n�o � uma fonte para as emo��es que se percebe na sua m�sica? R � Os g�nios normalmente s�o figuras anti-sociais. Tenho a impress�o de que ele era ing�nuo, as pessoas desprezavam-no porque n�o era muito soci�vel. Por isso, tamb�m se aproveitavam dele. Um exemplo de algu�m assim � John Lee Hooker. Em certos momentos da sua carreira foi respeitado e idolatrado. Mas acho que muitos dos seus colegas n�o gostavam dele porque ele nunca mudava e parecia n�o ser uma pessoa fixe. Quando se ouve as suas m�sicas, s�o lindas e complexas, mas n�o se parecem com nada com o que outros fizeram. � aquela hist�ria de n�o se encaixar num ambiente, isso acontece tamb�m no blues. P � Voc� e George Harrison foram muito amigos por longos anos, e voc� actuou como diretor musical de �Concert for George�, que saiu no ano passado em CD e DVD. Essa foi uma experi�ncia de reencontro com o passado? R � O concerto foi maravilhoso. Fiz uma lista de pessoas chegadas a George, que ele gostaria de ter visto ali. Ensai�mos durante um m�s e nesse per�odo vivenciei pessoalmente a quest�o do �dizer adeus�. Tudo aconteceu de modo muito natural e positivo, encontrando pessoas que realmente amavam George, todos ajudando-se uns aos outros para trazer seu esp�rito de volta. Conversamos muito sobre o tipo de pessoa que ele era. Com George, tudo era muito humano, voc� nunca sabia se ele iria aprovar ou desaprovar as coisas, era muito imprevis�vel. Todos percebemos que ainda est�vamos debaixo da sombra dele (sombra ou luz, como se quiser). Quando fomos fazer o show, era como se todos n�s tiv�ssemos morrido. Ele estava ali connosco e n�s t�nhamos feito aquilo por ele. O sentido de tudo foi esse: dizer adeus a um amigo e agradecer-lhe por nos ter proporcionado aquilo. Serviu para revigorar uma s�rie de relacionamentos que estavam um pouco esquecidos. Ele realmente era muito forte nisso. Deus o aben�oe. Acho que nunca houve um tributo como esse. P � Bem, fal�mos muito sobre Robert Johnson. Mas como � que a sua rela��o com o blues vem mudando ao longo dos anos? R � Hoje considero-me um m�sico de blues, coisa que n�o teria confian�a para afirmar quando era jovem. � uma coisa que desejei ser durante boa parte da minha carreira. Chegou uma altura em que disse para mim pr�prio: �Bem, estou a tocanr com pessoas que sempre admirei e converso com eles na mesma linguagem, que acabou por se tornar na minha linguagem tamb�m�. Ent�o, acho que atingi um ponto em que posso relaxar e n�o ficar preocupado com quem eu sou. Tocar blues � minha prioridade como m�sico, e � o que fa�o, sem ter que ficar a pensar acerca disso.
Eric Clapton Cr�dito: Os dias da m�sica Quando Eric Clapton, pela altura considerado j� o maior guitarrista da Gr�-Bretanha, estatuto bem expresso pelas pichagens em muitas paredes de Londres que clamavam que �Clapton is God�, se decidiu a convidar o seu antigo parceiro nos Bluesbreakers de John Mayall, Jack Bruce (na altura nos Manfred Mann), e o temperamental baterista da "Graham Bond Organisation", Ginger Baker, estava longe de prever o que de excessivo, quer positiva, quer negativamente, estava para vir. Acontecia ent�o o nascimento do primeiro super-grupo da hist�ria do rock. � que se Clapton tinha o estatuto que tinha, Bruce era o baixista mais conceituado do panorama musical londrino, e a criatividade revolucion�ria de Baker na bateria era reconhecida por todos os mais influentes m�sicos de ent�o. Clapton era um virtuoso, que no entanto, apresentava o �bice de, musicalmente, s� conhecer as escalas usadas normalmente nos rythm�n�blues. Bruce era j� um m�sico de conhecimentos muito abrangentes, que lhe permitia acompanhar todas as novas tend�ncias que ent�o tomavam conta de Inglaterra, com o psicadelismo a dar os primeiros passos, e Baker tinha tamb�m alguma experi�ncia na composi��o de can��es. Era necess�rio lan�ar o grupo e n�o bastava apresentarem credenciais. Precisavam de m�sica nova e ao fim de uns meses, a coincidir com o Natal, saiu o primeiro �lbum, o not�vel �Fresh Cream�, que inclu�a o hit I Feel Free, que foi o primeiro single do grupo a entrar para o top 20 (j� aqui referi a import�ncia relativa que ent�o tinham os singles), e era uma mistura de originais da banda com alguns blues tradicionais, como "Spoonful", de Dixon, ou "Rollin�and Tumbling", de Waters. O segundo, "Disraeli Gears", um �lbum de m�sicas pr�prias, na sua maioria compostas por Jack Bruce (v�rias de parceria com Clapton) e do qual faziam parte os excelentes Sunshine of your love e Strange Brew, era um �lbum colossal, uma extraordin�ria mistura de jazz, blues e psicadelismo, e augurava uma carreira extraordin�ria ao grupo.
Lembro-me que na altura, a revista francesa "Rock&Folk", muito conceituada e que se dedicava quase exclusivamente � m�sica anglo-americana, fazia uma esp�cie de balan�o anual em que elegia os melhores �lbuns, as melhores can��es, e analisava tamb�m individualmente os m�sicos. E logo em 66, ano da cria��o dos Cream, a revista elegeu Clapton como o melhor guitarrista de rock, Bruce como o melhor baixista, e Baker o melhor baterista. E assim foi novamente no ano seguinte. E no seguinte...E imagino que assim continuaria a ser se o grupo tivesse sobrevivido mais tempo. Em 68, os Cream era um grupo que tinham um reconhecimento mundial ao n�vel de Jimi Hendrix e s� abaixo dos Beatles. Mas aquilo eram egos demasiado grandes para se conseguir a harmonia necess�ria � sua exist�ncia como grupo. Depois, se as rela��es entre Baker e Bruce nunca tinham sido amistosas, a conviv�ncia, ao inv�s de os unir, acentuou diverg�ncias, e diz-se que por v�rias vezes, os chegaram quase a vias de facto, tendo sido Clapton o fiel da balan�a, mas mantendo sempre um equil�brio muito inst�vel. Os concertos, que come�aram por ser espectaculares, o que n�o ser� de admirar face ao valor dos int�rpretes, a breve trecho transformaram-se em exerc�cios narc�sicos em que cada um dos tr�s m�sicos se entregava a intermin�veis solos improvisados. N�o vou fazer ju�zo de valor sobre a quest�o, porque me parece que para quem assistia devia ficar maravilhado a assistir ao transbordar de talento daqueles tr�s. Mas compreendo que tudo aquilo passou a ser quase uma disputa entre os tr�s e que n�o augurava grande futuro ao grupo. Ainda editaram mais um �lbum, o duplo "Wheels on fire", do qual fazia parte uma vers�o not�vel de Crossroads, um cl�ssico de Robert Johnson, e Born under a bad sign, trabalho que atingiu os tops nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas o projecto estava esgotado, e nos in�cios de 69, acabavam os Cream. Bruce dedicou-se a uma carreira a solo, enquanto que Baker e Clapton se envolviam num projecto que teve curt�ssima carreira, os "Blind Faith", com Winwood e Rick Grech. J� n�o me lembro como soube da not�cia do fim dos Cream. Mas lembro-me que me custou a recuperar do choque.
Discografia
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