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: v i c t o r . n a i n
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s t é t i c a "A tarefa da
filosofia é fazer com que reaprendamos a ver o mundo!"
Antes de iniciarmos nossos estudos sobre Estética (Filosofia do Belo), podemos buscar contemporaneamente observar o que julgamos ser ou não belo a nossa volta. Por forte influência da Teoria da Relatividade de Einstein ou das perspectivas filosóficas subjetivistas, nascemos em meio a um paradigma (um dentre muitos modos de se pensar algo) onde tudo é relativo, subjetivo e pessoal. Um dos jargões mais populares de nosso tempo quando falamos de arte, por exemplo, é o famoso "gosto não se discute". Acredita-se nisso, porque hoje nos parece que realmente não há nem Verdade Absoluta, nem Belo em Si, nem Bem Supremo algum... Mas devemos tomar consciência de que essas opiniões são facilmente refutáveis quando não estão embasadas em fortes argumentos. É por isso que muitos artistas de hoje usufruem uma ação artística que podemos chamar "quebra de paradigma" para que suas artes possam ser ajuizadas pelos apreciadores como sendo ou não belo, como sendo ou não verdadeira arte. Se os homens "comuns" (não filósofos) não crêem mais no Belo e nos Universais e, além disso, não buscam sair da própria condição de subjetividade, cabe ao artista provocar sentimentos diferentes no espectador, provocar um choque na sensibilidade artistica de quem vê a arte, com a intenção de romper o seu "mundinho", que é muitas vezes limitado pela circularidade dos seus preconceitos. A cantora Björk é uma pessoa que aqui podemos usar de exemplo, pois ela própria numa entrevista já deixou clara esta sua postura: fazer com que as pessoas sintam coisas que nunca sentiram, transformando e expandindo suas percepções, seus sonhos e seus mundos. A Estética (genericamente) e a Filosofia da Arte são disciplinas filosóficas que, não apenas tentando buscar e compreender o Belo Universal, nos ensinam a ver o mundo de maneira diferente ou "fazer com que reaprendamos a ver o mundo". Neste quesito a Estética se aproxima da boa moralidade prevista pela Ética: se a Estética faz alargar nosso mundos, nos auxilia a tornarmos mais e mais livres e consequentemente felizes! ******* 23 de outubro de 2006 A origem etimológica do
termo estética vem do grego aisthesis e
significa aproximadamente sentido ou percepção
sensorial. Portanto, até aqui, poderíamos
dizer que a estética enquanto ciência ou filosofia é o
estudo dos sentidos ou do conhecimento
empírico. Segundo Platão, a arte está três pontos afastados da verdade: a arte (imitação da natureza), a natureza (imitação da Idéia) e a Idéia (Mundo das Idéias). A verdade absoluta para Platão está apenas na relação do nosso intelecto com o Mundo das Idéias e só chegamos a ele quando intuímos o conceito puro pela dialética; desse mundo nasce a natureza como coisas mutáveis e contingentes relativas às Idéias; para daí o homem perceber sensorialmente e expressar o que vê na natureza através de escultura, pintura, música, etc.; mas o homem não consegue expressar a coisa em si de forma sensorial e isso é um problema para Platão com relação ao conhecimento verdadeiro e com a educação dos jovens para o bem e a verdade. Para Aristóteles a arte também é imitação da natureza. Exclui a comédia da categoria de belo, pois para ele o belo é expresso através da harmonia e a comédia apenas faz os homens se desestabilizarem de uma retidão virtuosa para cair nos vícios dos prazeres momentâneos. Ao contrário disso, a tragédia, mesmo que mexendo com os nossos sentimentos, tem um valor muito grande: sua mimese (imitação) tem finalidade na catarse (purificação da alma), pois faz o homem aprender a sentir dor e não desejar este mal para si nem para nenhum outro homem, por causa da compaixão. Para Plotino, mesmo sendo um neoplatônico, a arte tem um valor interessante, que virá a influenciar muitos pensadores ulteriores, como Schelling e Hegel: a arte é um dos maiores frutos que o homem pode gerar através do seu corpo, vindo do próprio espírito; um homem pode deleitar-se ao ver uma obra de arte feita por outro, pois isso faz ele se reconhecer no outro e reconhecer o sentido da vida. A arte é como uma expressão do Uno (que tem base teórica no Mundo das Idéias de Platão) donde todos os homens vieram e tendem a voltar. Esses três
homens foram base para muita especulação a respeito
da arte e do Belo em geral. Foi Kant, já no séc.
XVIII, que veio romper com essa tradição de objetividade
do Belo. Foi Schiller, esteta e poeta alemão, que ao estudar profundamente a obra de Kant sobre o juízo de gosto – Crítica do Juízo – tentou trazer de novo à cultura filosófica o caráter objetivo para o belo. Acredita que, além do juízo de conhecimento (teórico e prático), o juízo de gosto deveria estar também radicado na razão. A beleza para Schiller é objeto enquanto e porque se faz necessária à reflexão para com ele, para que possamos contemplá-la. Para Schiller, o que é desordenado e feio na natureza, passa a ter ordem, revestida de beleza, quando passa pela mão do homem. Tese que vai, sem dúvida, saltar aos olhos de Hegel. Schelling e Hegel
eram amigos e ambos tiveram algumas influências comuns:
a teosofia, o neoplatonismo e o pensamento de Schiller, principalmente
no que dissemos acima. : : b
i b l i o g r a f i a |
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