um país ao sol



Na chatice a que chamam país,

Com sol, à beira da miséria plantado,

A política cresce em canteiros podres de esterco,

Nos socalcos emparedados dos minifúndios da nossa imaginação.


Couves-galegas a apregoar ideias sem caldo,

Trombudos na bicha para primeiro-parola

(Quem espera não tem ideias, para não assustar os piscos que cagam nas urnas...),

Melodramáticos loucos com laivos de ditadura fina,

Senhores da governação a resvalarem pelas pontes que cedem ao não-te-rales,

Todos à mesa da senhora da televisão,

Assanhada relatora da nossa tacanhez.




Com um P se escreve a chatice,

P de pavão, palhaço, patego, pulha e outros papo-secos da politica!



Num país em que o sol dá luz ao primitivismo comilão,

A extrair as areias dos rios da nossa desgraça,

A política é um negócio de compadres,

Finórios de uma aldeia que gosta de se ver ao espelho,

Marranos de cabeça baixa à procura das sobras,

Nos becos das Bruxelas das nossas miragens.

Ao sol de tanta pequenez crescem os tolos do sempre-em-pé,

Só barriga e cabeça grande, a oscilar para a esquerda e a direita,

Ao agrado dos manda-merdas que nos desencantam.



Com um P se escreve...


Abril 2001




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pico da lua




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