Pico da lua



Trovoadas tropicais cheias de cães a uivar no longe do medo,

Barafunda de sentidos perdidos nas margens de florestas impenetráveis,

Sensações a explodir com cores de jacarandá em flor,

No fim seco de um Inverno ao cair do tempo presente.



Cheira a mulher nas veredas do mato que me desorienta.



Montanhas a perder de vista num corpo que não envelhece,

Quatro estações em cada dia, num oscilar que se abandona,

Levanta-se o pico no horizonte da minha fome,

Lua minguante que se perde nas ânsias por acalmar.



Ave migratória, de muitas vidas, a pousar no pico do prazer.



No planalto sem fim das terras que fazem medo,

À beira do lago escuro, charco de aguas paradas,

Cresce o desejo ao sabor da força do capim,

Mas fraco, na hora da verdade, como o luar numa noite de nuvens



Tempos de goiabas maduras a abrirem-se ao caminhante perdido.



O pântano reflecte uma lua que se agita ao vento das contradições,

Num sertão povoado de fantasmas agigantados,

Caminhos de terra batida que não levam a parte nenhuma,



Barulhos, agitações, gritos, cansaços que se perdem no escuro das sombras.



Lava espessa a correr pelos sulcos das montanhas.



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fim do dia



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