fim do dia


A garça-branca avança a passo lento,

Entre mim e os cedros que marcam os limites,

A apanhar os últimos insectos do dia.

Nuvens a fugir depressa,

Que o céu quer-se estrelado e sem ameaças.


Devagar, embalado pelos silêncios que sabem a sossego,

( Como os silêncios se tornam cada vez mais presentes!)

Na paz de quem perdeu a força das ilusões disparatadas,

Passos ao fim do dia, quietude em tons de verde,

Deixem a garceta fazer a ronda do pouco que a satisfaz.


Sabe bem descansar à sombra dos sonhos vividos intensamente.

Tudo ganha distancia, espaço, tempo e sentido,

Na relatividade do horizonte do muito visto.

Ilusões são rajadas sem alvo,

Ao fim do dia, o destino depende do percurso da ave sem pressas.


O poeta é um emigrante que se procura sem descanso,

Cata-vento nas encruzilhadas das próprias incertezas.

Será que a garça-branca conseguirá transformar o fim do dia?



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