Três Tiros


Hoje dei três tiros no meu suicídio...

E uma gota de profunda tristeza

Caiu da ferida.



Há dias assim, fico parado, à espera das horas e do tempo,

Num torpor de horizontes cinzentos,

Vagamente fora da moral das coisas,

Como o sábio sentado no nirvana dos desejos esquecidos.



Vivo aos tiros comigo próprio,

Pistoleiro das contradições

Que se matam em duelos à porta dos bares de muito beber,

Escondido por detrás de todas as convenções das boas gentes.



Entre rixas e entorpecimentos,

Quando até os bufões da politica,

Hábeis mestres da ilusão ao desbarato,

Já não conseguem animar o circo dos patetas chochos,

A vida aos soluços é uma trampa sem fim.



A minha cruz é feita à medida das lutas quotidianas

De todas as Marias de Nada e Maneis da Rua Fria.

( Ao pensar nisso, preparo a arma...)



Talvez um dia dê três tiros no meu futuro...

E o vagabundo anarquista que vive em mim

Deitará a fugir ...

(Ou cairá morto para sempre!)



viajantesembussolahomepage
um país ao sol




é expressamente proibida a cópia e a reprodução total ou parcial dos textos e das imagens sem a autorização prévia dos autores
Copyright © 2001 Victor Angelo/Guida Carvalho All Rights Reserved
textos: [email protected]
webmaster: [email protected]



Hosted by www.Geocities.ws

Hosted by www.Geocities.ws

1