Cidadãos de mau gosto, não contrariem o chefe, A politica é uma arte que se gosta de ver ao espelho, Tão fiel à realidade como um quadro de tintas secas, Feito sem génio, inspirado pelas sondagens do dia. Criar mitos, lendas, estórias e outros contos de fadas, Títulos paridos no morno ondular do nosso aborrecimento quotidiano, À mercê das letras gordas dos media domesticados E das vaidades das meninas pintadas de bonitas em todos os ecrãs dos nossos olhos.
Frases fluentemente complicadas, que satisfazem as nossas certezas de pacóvios espertos, Doutor em leis que confundem os que clamam justiça E abrem as portas da fuga aos que têm poder e dinheiro; O caceteiro das palavras sem conteúdo mas que ofendem, Explorador das reacções primárias que acariciam a nossa incultura, Menino querido das câmaras que nos limitam os horizontes; O académico das ideias preguiçosas, centro da tacanhez que nos inspira, Gordo e cheio das muitas lentes que nada nos ensinam, Copiador inábil de pensamentos de fora, tipo desfile de moda; O populista acorrentado a um mundo que ja’ não existe, Proletário de teorias que cheiram aos erros do passado e da ilusão; Todos artistas de uma arena de palhaços e trapezistas de pouco equilíbrio, Frágeis actores de uma tragicomédia posta em cena pelos donos do rossio, Anões numa brincadeira que nos arruína pouco a pouco.
Na casa dos labirintos, pintada com as cores tradicionais de glórias passadas, Olhos pequenos e boca aberta, sisudo fantasma que todos podem ver, Símbolo primeiro da nossa falta de genica e de sentido do futuro, Rodeado de bonecos animados que gostam de se considerar importantes E de comer nos restaurantes onde o prato do dia é o snobismo à la patego.
Velhos pedreiros dos rituais absurdos das lojas ocultas, Obscurantismos aberrantes no tempo da abertura cibernética, Ou os secos criadores de tabus, com esgares que mostram ambições de vampiro sabichão, Monstros de outrora sempre presentes nas nossas frustrações de hoje. Irão voltar, que estarão a conspirar, que pequenas vinganças pessoais terão na forja? Machões das intrigas, os jornais abrem-se-lhes húmidos de adoração, Enquanto tremem os seus herdeiros, seres pequeninos com muita presunção, E alguma àgua benta, que bem precisam de milagres.
Ou folhagem verde-vermelha-amarelenta para pasto das bestas mais ferozes, Neste espectáculo sem fim que é a arte de saltitar em bicos dos pés, Dançarinos ao som da musica dos donos da feira e dos rebuçados.
Somos embevecidamente felizes, até temos o rei de todos os tolos, Herdeiro das vaidades dos tempos dos solares de pedra fria e da miséria dos campos, A quem todos querem beijar a mão. Na realidade somos um rebanho de barões de aldeia, À procura de brasões que nos protejam dos desafios de agora, Vagamente intelectuais e irritadamente mascarados de políticos, Ao gosto das foquices impressas e de todos os futebóis poderosamente endividados.
Melodiosos espíritos santos, champalimados e balsemados, E outros amorins que belmiram as nossas finanças e intrigam as nossas sondagens, Jardins de todos os bancos e cardinais de todas as imagens, Assim como outros mestres de alianças, uniões e coisas de fora, Começam a achar o carnaval grotescamente mau.
A politica volta a ser arte, velhos artistas interpretando papéis novos, Por favor, não contrariem o chefe, que a maçada continua. viajanteshomepage
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