grades


Grades de linhas espessas



Bisnagas de cores pesadas traçam grades em todos os sentidos,

Ao acaso das frustrações rebeldes que se cansaram de tanto esperar.

Riscos espessos de entrega que se quis inteira e apaixonada,

Escondem interrogações e reticências,

Gritos mudos de quem descobre a opressão do amor sem retorno,

Passarinho cansado a tentar fugir da prisão murcha da relação sem sol.


Grades escuras que marcam as fronteiras da miséria da vida,

Deixando passar um ou outro raio de luz com tons suaves,

Felicidade feita de pequenas consolações,

Contentamento das ilusões com raízes à flor da terra,

Ao acaso de um quotidiano que se deixa andar,

Como quem passeia de barco num dia sem vento nem ambições.



Explosão de tintas que procuram novos espaços,

Ou ansiedade de se agarrar ao que resta do naufrágio.

Caos de manchas e sombras que dão contraste à mensagem,

Grades que libertam e fazem sonhar com novas criações,

Ou que prendem, e agarram as rotinas que sussurram tempos tranquilos.



O artista hesita e encosta a cabeça às cores frescas do quadro inacabado...



Grades que se transformam em borrões de nuvens carregadas,

Cadeias de bolas cor de ferro que servem para acorrentar a fúria,

Não vale a pena tentar fugir, nem vender a alma ao poder.

As grades existem para que os artistas passem a vida a batercom a imaginação

Nas cores frescas das linhas que fecham os horizontes.



a morte sem alma
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