a morte sem alma

No enterro da minha cidade baixinha,

Ao fundo de uma plan�cie sem sa�da,

Casas an�s em ruas estreitas,

Ao cheiro das ideias sonolentas,

Rotinas definidas pela lingui�a e o tinto amargo,

Morre-se todos os dias como quem n�o quer a coisa.


A prociss�o dos g�nios loucamente falidos,

N�beis de todas as obras que ficaram na gaveta,

Radicais das muitas batalhas que se desenham com borras de caf�,

Massa tenra das ideias conformadas,

Acompanha a flor que ficou por dar fruto,

Num caminhar para a cova, na rua de sentido �nico.


Na cidade das muralhas que fecham a cria��o,

Tia Guta a fazer figas � mediocridade do sucesso,

Com palavras que rebentam as conven��es douradas de quem pouco v�,

Morre-se aos solu�os, convenientemente devagar,

Como quem passa ao lado da miragem e n�o acredita na �gua pura.


As ruas torcidas partem de um centro que o poder transformou em ch�o de feira,

O perfume de ca�a dos pol�ticos sempre a cheirar a sardinhas salgadas,

Decib�is aos berros para afastar os fantasmas dos sonhos que nunca voam,

As prociss�es da morte saem da esquina ao lado,

Pequena capela onde se velam os fracassos da vida,

Padre a rezar ora��es absurdamente vazias de senso,

Numa cidade que perdeu a alma,

Na monotonia dos becos onde se morre por falta de ar fresco.



viajanteshomepage

n�o faz sentido





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