![]()
No Outono de todas as explosões, Ao murchar das páginas que transportam lendas desfeitas, Entardecer que se quer calmo e sem desafios, Como pode voltar ainda a cheirar a caminhos de terra por descobrir, Saber a amoras silvestres ligeiramente amargas, Na encosta da serra da esperança?
Quando os dias são mais curtos, E as certezas mais incertas, No Outono, Quando o frio húmido do medo de mudar é mais intenso, Escrevem-se quadros, pintam-se frases de encanto, Jogam-se sentimentos ao ar, Sabe à doçura dos beijos que se entregam, Ouvem-se músicas que lembram a timidez da adolescência. É a confusão dos sentidos, O abalar das verdades que trazem comodidade e sossego.
Quando a ambição já se havia apeado na estação anterior, De repente, como quem descobre o Norte após uma descida íngreme, Estrela guia de muitas emoções criadas, Desenham-se novas vias, auto-estradas de faixa larga, Para que as flores do muito querer as possam percorrer a alta velocidade.
Em que as guias se perdem nos pinhais ameaçados pelo novo-riquismo, Confundidas pelos senhores da terra e da situação, Ou por artistas apaparicados pela cultura oficial, Como pode ser possível contar estórias de fadas, E acreditar que no Outono a luz que passa, Quando passa, Ainda tem força para acender chamas arco-íris E abalar as verdades que trazem comodidade e sossego? mentira
Copyright © 2001 Victor Angelo/Guida Carvalho All Rights Reserved textos: [email protected] webmaster: [email protected] |