mentira
eterno suicídio
(esboço incompleto...)
Um nascer do sol numa manhã de monção tropical.
Às promessas de dias radiantes seguem-se tempestades,
Cavam-se as depressões das horas solitárias,
Trovejam as frases mornas sem acento tónico,
Sabor amargo das doçuras que enlouqueceram,
Agora simples recordações sem estrelas que brilhem,
Horizontes fechados com lágrimas que teimam em serem tristes. A mentira dos amores conjugados no futuro impossível, Que não querem acreditar nas vozes dos deuses da razão, Nem na sabedoria que entra pelos olhos cegos de tanto querer, Fogo que acaba por tudo reduzir às cinzas das lembranças que já não dão calor, Na combustão rápida dos desejos impotentes,
Perdição que leva os ousados ao abismo do suicídio sem retorno. Fugir dos labirintos que me levam por vias sem saída, Partir em mil pedaços a mentira que dá forma à paixão, Desaparecer sem ruído no fundo verde de uma tela pintada de fresco, Meter uma bala em cada momento que me fale de angustias,
Renascer simplesmente, numa província remota de um lugar perdido.
Como uma serpente de duas cabeças engana a águia que plana no ar.
Entre as duas pontas, há um percurso de pedras soltas,
Calhaus de muitas formas, com cristais que se assemelham a diamantes,
Uma ou outra pedra fina que só os olhos aguçados conseguem distinguir,
Jóias de muito valor num rio seco a resvalar para um deserto sem esperança.
Acordo a meio da noite à procura da tranquilidade que não tenho,
Nau perdida num descobrimento que já foi feito,
Piso o chão pastoso das mentiras vindimadas,
Bebo o álcool que mata a sensibilidade que procura renascer,
Assassino mil vezes o génio que nunca existiu,
Com a cabeça a estilhaçar-se com a serenidade de quem morre consciente,
Tranquilo, discretamente a sorrir. Três projecteis a pulverizar o dia,
A trazer a paz de um amanhã que poderá ser diferente.
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