Raposinha dos mares do sul

 


Suave,

Como uma praia dos mares do Sul,

Em que as pétalas de flores selvagens protegem o caminhante das areias que queimam,

Cheirando a ardores que clamam por tambores a rufar,

A raposinha dos olhos que brilham

Perde-se no espaço povoado de amores à distancia,

E sente-se bem consigo própria.



Como todas as raposinhas no meio do silencio,

Agita-se como quem chama o deus das guerras perdidas,

Uivos na noite que traçam linhas ascendentes,

Óleos de cores que nunca secam,

Onde está o fantasma de todas as marés baixas?

Grita, no desespero de quem tem a alma a brilhar,

E sente-se bem consigo própria.



Com a certeza dos que tem uma imaginação azul forte,

A raposinha sonda e espreita as estrelas,

Loucura dos mares do Sul,

Como quem ama e espera,

Que do campo de batalha da galáxia

Caia o vencido de todas as lutas sem nexo.

Espera com a sabedoria que anima os que ainda crêem,

E sente-se bem consigo própria.



Loucura de muitos luares rebeldemente suaves,

À beira de enseadas que reflectem os tons esmeralda dos corais,

A raposinha deixa-se embalar pelo vento morno dos mares do Sul,

Sonha com nuvens vermelhas a correr depressa,

Anunciando brisas fortes a entrar pelo vale adentro,

E sente-se bem consigo própria.



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