A Verdade Sobre Nós

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Sou um vampiro. Sou imortal. O que quero dizer é que não morro de causas naturais, não envelheço. Pedras e balas podem me ferir, mas somente o sol ou o calor intenso podem me destruir. Talvez.

Sei que vocês irão me chamar de louco. E aqueles que acreditarem irão me condenar e me amaldiçoar.

Meu nome é Sullivan e só a simples mensão dele já me trará grandes problemas, então desde já adverto-lhes para que só continuem esta leitura se prezam a própria vida, pois aqueles que sabem da verdade, acreditem ou não, também serão caçados.

E se tiverem o azar de me encontrar pelas sombras da noite saibam que esta é a minha aparência: sou alto para os padrões atuais, tenho 1,77m. Meus olhos são de cor castanho claros mas que absolvem facilmente o verde dependendo da direção da luz. Meus cabelos são compridos mas sem chegar a tocar nos ombros, de cor escura e um pouco ondulados, mas sem formar cachos nas pontas.

Minha pele é extremamene branca e minhas unhas são transparentes como se fossem feitas de vidro. Isso é o que mais chama atenção em mim, além de outras pequenas coisas. Algumas pessoas acham estranho, mas não passa disso. Elas estão muito ocupadas cuidando da própria vida ou se divertindo que não ligam tal fato ao sobrenatural.

Mesmo assim, humanos são algo de que devemos temer tanto quanto os lobisomens, pois apesar dos mortais não acreditarem que existimos, muitas lendas sobre nossas fraquesas foram contadas, e eles conhecem nossos medos. É claro que não demonstramos o que sentimos. Eu particularmente sou apaixonado pelos seres humanos, por suas crenças, sua perceverança, seus amores e os seus ódios. A capacidade de destruir o que temem e o que não conhecem, ao invés de entendê-los.

Muito sobre nós, os vampiros, foram escritos, sobre nossa natureza vampírica. Nossas fraquezas, nossos tempores do que antes era para vocês mortais o deus sol. Fizeram vocês acreditarem que somos demônios, criaturas vis e maléficas. Não é bem esta a verdade, claro que a maioria dos vampiros assim o são. Faz parte nossa natureza vampírica. Mas o que é o mal então?

Não, definitivamente não somos os monstros que nos fazem. Não matamos mais do que as sua guerras e os seus marginais. Nem importam os critérios. Somos apenas seres amaldiçoados que pagamos por viver sem a concepção Divina para além dos tempos. E para isso alimentamo-nos do vosso sangue quente e humano, para correr entre nossas veias e nos permitir a vida.

Para a maioria, de noite na hora da caça não há orgia maior do que ver a vida se esvaindo em sangue e as súplicas temerosas de suas vítimas almejando o perdão e convocando a Deus, ainda sem acreditar no que está acontecendo. Mas para mim, tudo é tão difícil e tão doloroso quanto para os mortais, pois posso sentir o coração de minhas pobres vítimas batendo acelerados, posso ver imagens do que pensam, de sua vida, das pessoas que conhecem, de seus mais profundo segredos. Sinto o sangue esvaziando do corpo e correndo pelo meu, aquecendo todo o meu corpo, correndo entre as minhas veias. Me dando o direito roubado de continuar sendo o senhor dos tempos. A conciência contínua.

Também não venham dizer que leram em outros livros que os vampiros não têm sentimentos. Que não sorrimos, choramos, amamos... E o ódio, não é um sentimento? Não argumente que não somos humanos para ter sentimentos. O sentimentalismo quer queiram, quer não, não faz parte única e exclusivamente a raça humana.

Mesmo como vampiro posso dar um exemplo banal do amor: um canário vai se acasalar e viver até a morte com um único par. E se o companheiro ou a companheira morrer ele poderá ficar sozinho até que sua própria vida acabe. Mesmo o ser humano não é capaz de cumprir os seus votos matrimoniais como esses exemplos de animais.

Um outro exemplo: uma mãe chipanzé poderá carregar nos braços durante dias o seu filhote mesmo ele estando morto, até que ele comece a apodrecer... Ela sabe que ele está morto mas não se conforma com a morte do filhote.

Então por que nós vampiros não podemos amar?

Seríamos mais mediocres por isso?

Não, apenas não demostramos o que sentimos e nos afastamos daqueles que amamos. Pois o nosso amor faz murchar e morrer tudo aquilo que cativamos. Quase sempre nos apaixonamos por mortais, mas eles não entenderiam se soubesse quem somos verdadeiramente. O único jeito de ficarmos perto deles seria ocultando nossa natureza. Porém, isso não fácil e fatalmente ou destruímos o que amamos, ou os tornamos como nós. O que não é diferente de destruí-los do mesmo jeito!

Ter os poderes que temos e a eternidade que temos não é nada se comparado com a loucura e o tédio do tempo. Somos seres amaldiçoados como eu disse antes. Nos alimentamos do sangue e não podemos sentir o calor do sol. Nossa pele é fria e sem expressão. Somos criaturas solitárias e não ficamos mais do que quando muito, uma ou duas centenas de anos ao lado de outro vampiro como companheiros. No final, acabamos por nos odiar.

Há ainda aqueles vampiros que não suportam os pesadelos do sono diurno, acordam e encontram a morte ao amanhecer. Quem nunca ouviu falar em combustão instantânea? Vocês não sabem o que a igreja é capaz de esconder dos seus fiéis... E do que a ciência é capaz de inventar para explicar o sobrenatural.

Somos condenados a beber e comer apenas cinzas e só dela viveremos. Tudo que criamos mais dia menos dia acabará por se voltar contra nós.

Somos as rosas do mal que inevitávelmente nossa raça e sobrevivência nos transformam. Agora que sabem da verdade, cuidem-se, não andem pelas sombras. Eu sei onde encontrá-los, mas não me temam, não sou eu quem vos perseguirá. Lembrem-se, eu os adverti dos perigos que os acompanham caso continuassem a ler minhas verdades...

O Vampiro Sullivan.


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