João Cabral de Melo Neto,
poeta brasileiro

É quase impossível falar sobre João Cabral sem recorrer abundantemente aos seus próprios versos. É que Cabral, como Mallarmé no século passado, como Pound e Maiakóvski, no presente, é um poeta-crítico, ou seja, um poeta que analisa e critica o próprio fazer poético em seus poemas [...] a melhor crítica de poesia que se fez neste século não foi feita por críticos, mas por poetas, em poemas como (...) "Antiode", em "Psicologia da composição", em "A palo seco", de João Cabral. [...] Contra os que querem "poetizar o seu poema", fazê-lo dócil, submisso às conessões sentimentais, Cabral (...) opõe o dique de sua poesia-prosa, sua poesia-crítica, sua poesia-pedra.

Augusto de Campos, "Da antiode à antilira", texto de 1966, reeditado em Poesia, antipoesia, antropofagia, Cortez & Moraes, 1978.

A obra de JCMN, obra que está longe de seu término e que nos reserva ainda muitas surpresas, é hoje sem dúvida a que mantém maior unidade e coerência de produção, dentro de um alto gabarito, na poesia brasileira. Obra que honraria qualquer literatura e que em qualquer literatura seria rara pela sua qualidade [...] entre os poetas, especialmente na nova geração, a poesia de JCMN tem um lugar privilegiado: o lugar cartesiano da lucidez mais extrema.

Haroldo de Campos, "O geômetra engajado", texto de 1963, reeditado em Metalinguagem e outras metas, 4a. ed. revista e ampliada, Perspectiva, 1992.


9 de Outubro de 1999: Morre no Rio de Janeiro, em seu apartamento, o grande poeta (e também diplomata) João Cabral de Melo Neto. Faleceu de maneira serena, durante suas orações, na companhia da esposa. Nos últimos anos, JCMN perdera quase completamente a visão, e a impossibilidade de ler representava para ele um pesado sofrimento. JCMN, o poeta mineral, como gosto de chamá-lo, é um dos maiores mestres da poesia brasileira. Rigoroso, áspero, preciso, cortante, claro, árduo, penetrante são alguns dos adjetivos que me vêm à mente ao falar sobre sua obra. (Meu poema Geomorfologias é claramente influenciado pelo estilo do mestre.)

Valter


Poemas:

Fábula de Anfion
A educação pela pedra
Resposta a Vinicius de Moraes
O número quatro
Duplicidade do tempo


Retornar para Poesia
Retornar para a Home Page do Valter

Última atualização: 29 de julho de 2000.

Hosted by www.Geocities.ws

1