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Fernanda Wendel 𓋹 𓍑 𓋴
Gostei deste texto de FregaJr Junior:
(e eu acreditava que haveria algum limite para imensos acordos, mas não há. É perfeitamente factível essa linha de raciocínio)
Algumas considerações ainda sob o calor do momento, por isso mesmo sem muitos elementos para reflexão.
1. Ataque à Venezuela
Indubitável que o golpe de mão estadunidense foi um sucesso. Não houve invasão terrestre com tropas, como eu imaginava que não haveria mesmo, mas a ação de um grupo de comandos coordenado com forças traidoras locais. As forças de defesa da capital , ao menos seu comando e parte substancial delas, foi corrompida e cooptada. Tudo no melhor estilo e escola das forças armadas latino-americanas.
Não há surpresa quanto a isso, mas sim do descuido de Maduro não providenciar segurança confiável.
2. USA, Rússia e China
Pelas recentes ocorrências na Ucrânia e em Taiwan, fazem todo sentido as ilações formuladas quanto a combinação coordenada entre Estados Unidos, China e Rússia. Jogam no mesmo time.
A ilação de que o preço para a Venezuela seria Ucrânia e Taiwan parece se configurar. As notas diplomáticas, a ausência do embaixador chinês em Caracas, todo um conjunto induz ao acordão.
A rifa da Europa faz agora todo sentido, é chiclete mastigado. E a indignação dos ex-delegados também.
Pra quem sabe ler, um pingo é letra.
3. Multipolaridade e Multilateralidade
A Ialta do Séc. XXI está definida. As áreas de influência: Europa, Ásia, África e América. É um conceito mais amplo, o domínio territorial do imperialismo tradicional foi ultrapassado. Importa agora é a área de influência sobre recursos e tecnologia.
Ialta era um equilíbrio instável, um banquinho com duas pernas, USA/RU – URSS.
Na nova Ialta o equilíbrio é estável, USA-RUS-RPC. Um banquinho de três pernas.
Combinação perfeita. América/África+SW asiático/Eurásia.
Acordo perfeito. Ah, mas um dos acordantes é pirata e bucaneiro. É? Mas qual deles não é?
A diferença básica é que o jogador useiro e vezeiro de descumprir acordos na base do gatilho rápido agora tem pela frente um atirador ainda mais rápido e potente. E essa é a real garantia de cumprimento do acordo.
Qualquer um dos três é mais fraco do que os outros dois. E é sempre melhor comer pudim com os amigos do que merda sozinho.
4. E nós? Brasil?
A política externa do governo Lula é focada no fortalecimento do multilateralismo. Isso é o limite do possível num mundo multipolar. As relações multilaterais são uma brecha na cerca da multipolaridade.
A defesa é que o Brasil possa se manter à parte de cada um dos pólos, mesmo sabendo que isso será impossível na plenitude. Sabe que a gente já foi rifado e foi entregue à área de influência estadunidense. Como todo continente. No entanto, estreitando relações político-comerciais diretamente com outros satélites, pode-se obter alguma independência em ações táticas. Algumas somente, mas sempre é melhor do que nenhuma.
Apesar da crítica generalizada, considerando-a frouxa e omissa, a nota de protesto e repúdio brasileira contra a ação na Venezuela é um marco da diplomacia. Protesta contra a agressão, defende a ordem jurídica internacional, mas não nomina o agressor e nem o agredido.
Conduz a agressão à ordem internacional e nela se dispõe a participar da construção de uma nova ordem, onde o Brasil, ainda que sabendo ter sido rifado, pretende ter alguma voz e não ser imposto ao silêncio e voz nenhuma.
5. Divisão e Geopolítica.
É possível que a História, assim como registrou 1944 como o ano em que nova ordem mundial foi acordada e vigorou por 50 anos em sua formulação original e mais 30 anos em uma condição específica de monopolaridade hegemônica, adote o ano de 2026 em registro como marco inicial de um mundo tripolar em que não importa o domínio territorial, mas o acesso privilegiado a recursos.
Uma divisão por áreas de influência, em que se exercerá por meio de governantes títeres escolhidos não necessariamente por meios disruptivos, mas pela própria asfixia política.
Isso, paradoxalmente, poderá criar um ambiente de paz mundial e afastar o cataclismo nuclear. Cada qual no seu quadrado, pode até