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Carta 156
Gandalf realmente “morreu” e foi transformado: pois esta para mim parece ser a única verdadeira trapaça, para representar alguma coisa que pode ser chamada de “morte” que não faz diferença. “Sou G., o Branco, que retornou da morte”. (...) Mas G., é claro, não é um ser humano (Homem ou Hobbit). Não há naturalmente termos modernos precisos para dizer o que ele era. Arriscaria dizer que ele era um “anjo” encarnado. (...) Com “encarnado” quero dizer que foram incorporados em corpos físicos capazes de sentir dor e cansaço, de afligir o espírito com o medo físico e de serem “mortos”, embora, ajudados pelo espírito angelical, pudessem resistir por muito tempo e mostrar apenas lentamente um desgaste pela preocupação e trabalho. (...)
(...) Então Gandalf sacrificou-se, foi aceito e aprimorado, e retornou. “—Sim, esse era o nome. Eu era Gandalf.” E claro, ele continua similar em personalidade e idiossincrasia, mas tanto a sua sabedoria como o seu poder são muito maiores. Quando fala, ele exige atenção; o velho Gandalf não poderia ter lidado dessa maneira com Théoden nem com Saruman. Ele ainda está sob a obrigação de ocultar seu poder e de ensinar ao invés de forçar ou dominar vontades, mas onde os poderes físicos do Inimigo são demasiado grandes para que a boa vontade dos opositores seja efetiva, ele pode atuar emergencialmente como um “anjo” (...) Ele foi enviado devido a um mero plano prudente dos Valar ou governantes angelicais; mas a Autoridade assumiu esse plano e o ampliou, no momento em que este falhou. “ — Nu fui enviado de volta — por um tempo curto, até que minha tarefa estivesse cumprida”. Enviado de volta por quem, e de onde? Não pelos “deuses”, cujo assunto é apenas com esse mundo personificado e com seu tempo; pois ele saiu “do pensamento e do tempo”. Nu, infelizmente, não está claro. Isso foi pretendido simplesmente de maneira literal, “desnudo como uma criança” (não desencarnado) e, dessa forma, pronto para receber o manto branco do mais elevado. O poder de Galadriel não é divino, e sua cura em Lórien é pretendida como sendo não mais que a cura e o alívio físicos.
Porém, se é “trapaça” tratar a “morte” como algo que não faz diferença, a corporificação não pode ser ignorada. Gandalf pode estar aprimorado em poder (isto é, sob as formas desta fábula, em santidade), mas estando ainda incorporado, deve ainda sofrer preocupação e ansiedade e as necessidades da carne. Ele não tem mais (se não menos) certezas, ou liberdades, do que, digamos, um teólogo vivo. De qualquer modo, nenhum dos meus personagens “angelicais” é representado como tendo conhecimento do futuro completamente, ou mesmo conhecimento algum onde outras vontades estão envolvidas. (...)
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