20/02/2004

Bruno Marques
e
Fabricia Borges

 

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Cemuni II sofre com a falta de estrutura

Sem verbas do Governo Federal, os cursos sobrevivem em condições precárias de funcionamento. Muitas salas sequer possuem fechaduras

A situação do Centro de Artes, assim como de grande parte da Universidade Federal do Espírito Santo, é ruim. Ali, onde estão localizados os prédios mais antigos da Ufes, a falta de recursos financeiros faz com que os estudantes realizem suas atividades em condições extremamente adversas.

O Cemuni II, especialmente, se encontra em péssimo estado. Segundo Valdelino Gonçalves dos Santos Filho, o Didico, chefe do Departamento de Formação Artística, o prédio está praticamente abandonado.

Como se não bastasse a falta de estrutura, os alunos ainda se vêem obrigados a comprar o material necessário às aulas, como tinta, papel e telas.

Problemas

O prédio apresenta muitas goteiras, infiltrações e problemas na parte elétrica. A péssima ventilação é uma das reclamações dos estudantes. "Fica praticamente impossível fazer as atividades com o calor. Muitos ventiladores não funcionam", diz Janaína Oliveira, matriculada na disciplina de Desenho Artístico I.

A iluminação dentro do Cemuni II, essencial para quem trabalha com pinturas, desenhos e esculturas, também deixa a desejar. Há poucas lâmpadas e várias delas não funcionam devidamente. De acordo com o diretor do Centro de Artes, Kleber Frizzera, esse é um problema difícil de solucionar. "Em novembro, recebi 80 lâmpadas, sendo que eu tenho 5 prédios para cuidar. Cada sala possui cerca de 20 lâmpadas. Fica impossível", disse.

Outro problema é o baixo número de tanques, fundamentais devido ao freqüente uso de tinta. Segundo Didico, alguns tanques foram construídos pelos próprios professores e alunos.

Janelas quebradas e emperradas e portas sem fechadura também são facilmente encontradas. Didico afirmou que já foram roubados aparelhos de TV, videocassete e até computador. Kleber Frizzera, no entanto, pormenorizou o risco de assaltos. "As portas geralmente são arrombadas pelos próprios estudantes para usar as salas. Não é questão de roubo."

Os estudantes, porém, discordam do diretor do Centro. Amanda Antunes, aluna de Artes Plásticas, descarta a possibilidade de arrombamento para uso das salas. "Todos os alunos têm acesso às chaves das salas, que ficam no Departamento. Não há necessidade de arrombar as portas."

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Didico acusa Kleber de privilegiar outros prédios

 


 
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