Campanhas eleitorais não aproveitam as oportunidades
oferecidas pela mídia
O principal erro dos políticos é usar
a mesma linguagem para mídias diferentes
Boa parte da classe política não sabe
aproveitar os espaços gratuitos que lhe são oferecidos.
Essa é a opinião do especialista em marketing político
e diretor da JM Propaganda, Jesus Miquez.
Segundo Miguez, o principal erro das campanhas é utilizar o mesmo
material para mídias diferentes. "Um erro clássico
das campanhas políticas é usar o mesmo material da televisão
para o rádio, que são dois veículos totalmente
diferentes, perdendo a oportunidade da melhor utilização
desses meios". Ele ainda afirma que é preciso analisar cada
mídia para poder melhor aproveitá-la.
Essa opinião foi dada durante o painel sobre marketing político
do II Fórum da Comunicação (Foco), realizado pelo
Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal
do Espírito Santo (Ufes), com participação do diretor
da Conceito Propaganda e Marketing, João Luiz Pereira e, como
mediador, o professor do curso Comunicação Social da Ufes,
Ruy Roberto Ramos.
Criatividade X dinheiro
Outra questão apresentada no painel, e que gerou
polêmica, foi: o que é mais importante numa campanha eleitoral
- a criatividade ou o dinheiro? Segundo João Luiz, "os dois
têm que caminhar juntos, pois por mais criatividade que houver,
dificilmente ela será colocada em pratica se não for disponibilizados
recursos financeiros".
"Em uma campanha política é necessária uma
boa verba para que possamos contratar bons profissionais, assim gerando
uma melhor estratégia para a eleição, pois se não
houver dinheiro, por mais que a equipe seja criativa, faltará
equipamento e material para um bom desenvolvimento do trabalho",
afirma.
O palestrante citou um exemplo que ele próprio viveu durante
a campanha de Vitor Buaiz para a Prefeitura de Vitória em 1985,
onde todos tinham muita vontade de trabalhar, mas não havia verba
para a realização dos projetos, o que de certa forma ajudou
na derrota do candidato.
Mas, segundo João Luiz, existem derrotas na política em
que se pode retirar grandes aprendizados. Ele cita o mesmo exemplo de
Vitor Buaiz, que após perder a eleição para prefeito,
conseguiu agregar uma grande equipe ao seu lado e uma boa verba para
a campanha, e assim eleger-se para o mandato na próxima disputa
e depois conseguiu conquistar o cargo de governador do Espírito
Santo.
Entretanto, o dinheiro não é a principal causa de vitória
ou derrota em uma eleição, o que importa é a dedicação
do candidato e de sua equipe. "Já vi várias campanhas
com muito dinheiro que não conseguiram êxito eleitoral
e por isso, os candidatos têm que se dedicar muito, se quiserem
alcançar a vitória", encerrou.
Leia Mais:
Marketing, Eleições e Erasmo Carlos