
13/06/03
Marialina Antolini |
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Protestos e boicote marcam o Provão
no Estado
Alunos de Arquitetura, pela primeira vez, aderiram ao
protesto e desistiram de fazer o exame. Alguns estudantes de faculdades
particulares também boicotaram.
Protestos pacíficos, com faixas e apitos, marcaram
a realização do Provão, que aconteceu domingo, dia
8 deste mês. No Estado, foram 8.863 inscritos, que se distribuíram
em 30 escolas, das 13 às 17 horas para fazerem o exame.
O Provão, que acontece desde 1996, é polêmico. Vários
estudantes, de diferentes cursos, não concordam com a forma de
avaliação e entregam a prova em branco, já que é
obrigatória a participação na avaliação
para o recebimento do diploma de conclusão do curso. Foi o que
aconteceu com os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Ufes, que
resolveram boicotar pela primeira vez a prova. "Nós resolvemos
não fazer a prova por achar que ela não avalia direito,
já que a nota que nós obtemos no Provão de 2002,
'A', não corresponde à realidade do curso. E é isso
que nós queremos mostrar para a sociedade em geral, queremos mostrar
todas as dificuldades que temos enfrentado", relata Maria Emília
Vasconselos, que está no 9º período de Arquitetura.
A aluna Juliana Bozzetti, do 8º período de Jornalismo da Faesa,
também boicotou o exame por achar que não é uma forma
correta de avaliação. "Acho que o Provão é
injusto. Não se pode avaliar um curso superior de quatro ou cinco
anos com apenas uma prova", diz ela, que participou dos protestos
organizados pelos alunos de Jornalismo da Ufes. Com muitos apitos, cartazes,
panfletos e nariz de palhaço, os estudantes tentavam convencer
até o último minuto outros alunos a não fazerem a
prova.
Entretanto, a maioria dos estudantes é a favor do exame, como Juliana
Gomes, aluna do 8º período do curso de Administração
da Faculdade Humanas. "Eu acho que o Provão é importante
para avaliar o nível das faculdades", conta ela, que fez cursinho
preparatório de duas semanas para fazer o exame. A professora Sílvia
Binda, da faculdade Univix, admite que uma prova não é a
melhor forma de avaliar, mas acha que é necessário uma avaliação.
"Acho que o Provão ajudou a elevar o nível de ensino
das faculdades particulares, que antes só se preocupavam com o
lucro e agora estão tendo que se preocupar com a real qualidade
do ensino oferecido."
Os primeiros alunos deixaram os locais de prova com apenas oito minutos
após o início, apesar de a organização da
prova ter dito que só seria liberada a saída dos alunos
após 1h30 de tempo decorrido.
O aluno Bruno Guedes Klippel avalia como fácil a prova. "A
maioria das questões abordadas eu aprendi na prática, fazendo
estágio, mas a prova não estava difícil, e considero
que fui bem avaliado. Só acho que deveria haver mais questões
discursivas", avalia ele, formando em Direito pela UVV.
Os gabaritos das provas objetivas já podem ser encontrados no site
do MEC (www.mec.gov.br ), e o gabarito das provas discursivas será
divulgado no final do próximo mês.
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