13/06/03

Camila Torres
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Faculdades particulares dão reforço para o Provão

Os estudantes assistem aulas aos sábados em preparação para o exame que acontece neste domingo, dia 8

Alunos de faculdades particulares estão participando de aulas preparatórias para o Exame Nacional de Curso, mais conhecido como Provão, que acontece neste domingo, dia 8, das 13 às 17 horas. É o caso da estudante Maísa Serrão, aluna do último ano do curso de Administração das Faculdades Integradas de Vitória (FDV), que afirma ter medo de ser rejeitada no mercado de trabalho caso o resultado do Provão não seja satisfatório.

"Estamos tendo aulas aos sábados para nos prepararmos melhor e assim garantirmos um bom resultado. Não quero perder uma vaga no mercado para alguém que foi formado em uma faculdade que tem o conceito melhor do que a minha."

O Provão já vem sendo aplicado desde 1996, mas ainda há muitas opiniões discordantes, receios e questionamentos com relação ao exame. Segundo a estudante de Direito da Ufes Ana Maria de Castro, toda forma de avaliação é válida e o Provão é mais uma das várias provas que os alunos terão que fazer ao longo de sua carreira.

Já o estudante de Geografia da Ufes Flávio Fernandes concorda que é preciso que o ensino superior seja avaliado, mas não da maneira com vem sendo feito. Para ele, a avaliação não é justa, pois não leva em consideração as particularidades dos cursos ao se elaborar um mesmo tipo de prova.

"Com certeza, existem disciplinas que são mais enfatizadas em certos lugares. Essas diferenças precisam ser respeitadas. Se as provas fossem regionalizadas, seria melhor", disse Flávio.

Geografia e Fonoaudiologia participam pela primeira vez

Este ano, pela primeira vez, os graduandos em Fonoaudiologia e Geografia farão a prova, passando para 26 o número de cursos em avaliação. Além desses, participam também do exame: Agronomia, Arquitetura e Urbanismo, Administração, Biologia, Ciências Contábeis, Direito, Economia, Enfermagem, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Química, Farmácia, Física, História, Jornalismo, Letras, Matemática, Medicina Veterinária, Odontologia, Pedagogia, Psicologia e Química. Ao todo, 469.633 alunos estarão se submetendo ao exame em todo o País.

Todos os alunos, tanto das instituições particulares quanto das federais, que se graduam este ano, têm que fazer a prova, pois ela é pré-requisito para o recebimento do diploma de conclusão de curso.

O resultado do Provão sai em novembro, com data ainda não divulgada. Este ano, o aluno poderá solicitar, no dia da prova, que seu boletim seja obtido pela internet, através de senha pessoal. Caso contrário, ele pode mandar uma correspondência, juntamente com uma fotocópia do documento de identidade, pedindo que seu resultado chegue via correio, como nos anos anteriores.

Resultado dos cursos será por nota e não mais por conceito

O Provão é uma avaliação feita pelo Ministério da Educação. Ele é realizado anualmente, entre maio e junho, com todos os alunos que se formam no ano em curso. A prova tem duração de quatro horas, sendo o aluno obrigado a permanecer no local por, pelo menos, uma hora e meia.
Este ano, o resultado das instituições será dado através de nota. Nos anos anteriores, o conceito vinha em forma de letra, sendo A para 12% dos cursos que atingissem as melhores notas; B, para os 18% seguintes; C, para os 40% intermediários; D, para os 18% sucessivos; e E, para os outros 12%.

As provas são elaboradas pelos membros da Comissão de Avaliação do Curso, que são indicados pelas entidades envolvidas em cada área específica. De acordo com o professor da Ufes e membro da Comissão de Avaliação de Curso, Victor Gentilli, o Provão é um mecanismo do MEC para identificar os pontos fracos dos cursos. Um outro método utilizado é a Avaliação das Condições de Oferta (ACO), em que uma equipe visita as faculdades por quatro dias, observando os laboratórios, biblioteca, equipamentos, fazendo as considerações necessárias.

Arquitetura e Jornalismo boicotam o exame

Muitos alunos consideram que o Governo Federal não tem conseguido avaliar as instituições usando o atual modelo. Portanto, alguns cursos preferem boicotar as provas para manifestar oposição ao método.

Entre outros motivos, os estudantes alegam que os resultados têm sido usados para "ranquear" as universidades e pouco se tem feito para solucionar as carências dos cursos. "As faculdades particulares usam o conceito para fazer publicidade e a sociedade se engana com isso", disse Flávio Fernandes, estudante da Ufes.

O professor Victor Gentilli declarou que o boicote é interessante, mas teria maior impacto se os alunos não comparecessem aos locais de prova, caso que acontecerá este ano na Universidade Federal do Amapá (Ufap).

Os concluintes do curso de Arquitetura e de Jornalismo da Ufes já declararam que vão boicotar o Provão. Eles irão aos locais de prova mas a entregarão em branco. Dessa forma, eles querem deformar o ranking.

Em 1999, os formandos em Jornalismo da USP, uma das referências nacionais na área, boicotaram e tiraram E no Provão. Naquele mesmo ano, só em Comunicação, o boicote atingiu 11% das faculdades e, em 2000, 14,6% - número representativo considerando que várias faculdades foram abertas naquele período.

A Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos) traz uma proposta de avaliação diferente, o projeto "Avaliação pra Valer". Ele vem sendo construído desde 1995, antes mesmo da implantação do Provão.

De acordo com o coordenador regional da Enecos no Espírito Santo, Jacson Segundo, essa proposta vem sendo discutida e construída junto aos estudantes, aos professores e aos profissionais de Comunicação e poderá ser utilizada para avaliar todos os cursos.

"Do jeito que vem sendo feito, o Provão não consegue avaliar nem o aluno, nem a instituição", declara. Para Jacson, é preciso que seja feito um diagnóstico dos problemas e das necessidades das faculdades, e que tanto o aluno quanto a instituição sejam constantemente avaliados durante o curso e não somente no último ano.

 

 
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