19/12/2003



Cristiane Bloise

 

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Provão avalia e não mostra a realidade dos cursos

Cursos da Ufes que tiram “A” enfrentam infra-estrutura defasada

No dia 10 de dezembro, o Ministério da Educação (MEC) divulgou, para as instituições de ensino superior, o resultado da oitava edição do Exame Nacional de Cursos (ENC), mais conhecido como Provão. A prova realizada no dia 8 de junho de 2003 contou com a participação de mais de 420 mil estudantes em todo o País.

Dos 25 cursos avaliados da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), 14 obtiveram nota máxima - nota esta que não condiz com a realidade dos cursos, já que os métodos de avaliação utilizados são insuficientes para fazer uma análise geral do curso. O fato é que para avaliar o ensino de graduação, alunos finalistas de diversos cursos são submetidos a provas escritas. Logo, o curso é avaliado pelo desempenho dos alunos na prova - a partir das notas obtidas.

Em todo o Brasil, percebe-se que o Provão não tem alcançado o seu principal objetivo: a melhoria da qualidade do ensino superior. A metodologia utilizada torna a avaliação ineficiente, visto que os cursos são avaliados através dos alunos que se submetem a provas escritas discursivas e objetivas, ou somente discursivas, e também pelas respostas ao questionário-pesquisa.

Este ano, os alunos do curso de Arquitetura da Ufes boicotaram pela primeira vez o Provão, e obtiveram a nota “E”. De acordo com o Centro Acadêmico Livre de Arquitetura e Urbanismo (Calau), só foi tomada uma postura após diversas discussões. “Decidimos boicotar o Provão pois no ano passado fizemos a prova e conseguimos a nota “A”, e mesmo assim não houve nenhuma melhoria no curso. Quando o curso tem o conceito “A” parece que está tudo perfeito e que não precisa melhorar nada, então não ganhamos investimentos. Por isso, decidimos boicotar e mostrar que mesmo num curso que já teve conceito “A”, faltam professores, estrutura e interesse por parte dos alunos”, afirma a estudante de Arquitetura e membro do Calau, Ivana Souza Marques.

Nova avaliação

Os estudantes afirmam ainda que não concordam com o novo sistema de avaliação recém-lançado pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque. “O novo método de avaliação mantém o ranqueamento, deixando margens para muitas dúvidas”, completa Ivana.

Já o estudante do 9º período de Psicologia e um dos membros do Centro Acadêmico Livre de Psicologia (Calp), Fábio Hebert, garante que apesar da Psicologia não ter boicotado o exame de 2003, maioria dos alunos do curso é contra o provão. “Fizemos várias discussões e chegamos à conclusão de que após ter boicotado três anos e tirado “E”, seria possível obter um “A”. Isso é a confirmação de que o Provão é um método de avaliação insuficiente e que não se preocupa com a melhoria do curso”, conclui o estudante.

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