Olá ! Elias,

Sua carta muito me emocionou, apesar de eu perceber que não rolaram lágrimas de minhas faces.

A tribulação pela qual passei, secaram completamente o rio delas que corria em meu rosto.
Fui massacrada, injuriada, difamada, sem ter absolutamente feito nada que merecesse, no sentido que se entende de atos cometidos contra Deus.

 

É claro que nascida de homens, eu sou pecadora, mas era uma cristã verdadeira.

Fazia religiosamente tudo que me era mandado e quando por não suportar mais os graves problemas pelos quais passava, passei a ser mal vista.

Foram 12 anciãos que procurei ajuda nestes 19 anos. Foram anos terríveis. 

Tudo ficou na mesma, a culpada acabou sendo eu, fui dilacerada, e após uma separação de um ano, retornei para um casamento falido e para 3 filhos teocráticos que entendem que me maltratar, me excluir, me pisotear, faz parte da adoração do Deus Verdadeiro. Já são 4 anos de lágrimas.

Infelizmente eu abusei muito do Cid, ele não suportou mais os meus lamentos, pois na minha opinião a saída de tudo isto seria a morte. Não estou lhe dizendo isto para fazer tipo, longe de mim, mas o que tenho enfrentado com eles, ninguém consegue entender como estou agüentando.

 

Fiquei isolada, minha família se afastou de mim (os irmãos que são TJ) agora tenho meu irmão que
é desassociado morando em minha loja, então tem me dado muito apoio e não me sinto tão só.
Estou levando minha vida, sendo crucificada semanalmente por uma família que quer me castigar por ter tido a audácia de me afastar da Org. Me dizem toda hora que não sou filha de Deus, que sou apóstata nojenta e filha de Satanás.

 

Eu também aprendi a me calar. Segui os conselhos do  Cid, que nem sabia mais o que me dizer.

Eu agora não digo mais nada, mas ainda assim os maus tratos continuam. Aliás, não posso abrir a boca para nada, se comento alguma coisa até da televisão, eles dizem que sou imoral, e sei lá mais o que.

Quanto a ir no salão, eu não consigo.  Sinto literalmente vontade de vomitar, e para evitar tal sujeirada eu prefiro não ir.

Mesmo por que quando eu fui, eles ficam me olhando como se eu fosse um ET... tá louco, tem que ter coragem para voltar lá para dentro.  Estimo que você tenha encontrado uma forma de se proteger contra o sofrimento.

A sua saída no seu caso, parece ter dado certo. Estarei sempre aqui. Muito obrigada por eu voltar a "ouvir" irmã, isto deu um nó em minha garganta e fez um bem muito grande. Por que deste episódio eu fiquei com certeza que era um verme.

Um abraço fraternal a você meu irmão,

Ildinha.

 

                                                                                             Carta de um irmão

 


 

 


 
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