História IX - O Speed/Thrash Metal e os anos 80
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Inexorávelmente a história continua e se evolui. A geração que viveu sua juventude nos anos 60 e 70mergulha” nos anos 80 com um forte senso de desilusão caracterizada por uma fase de ma-turação e um consequente abandono de velhas ideologias que não podem mais funcionar num mundo onde tudo corre à uma velocidade verti-ginosa (estamos nos anos 80...) e onde o mate-rialismo e o individualismo são duras regras de sobrevivência.

Os 80s é um período o qual o poder comercial, político e militar começavam definitivamente a dominar o panorama político numa Nova Ordem Mundial. Na Inglaterra, os conservadores levam ao poder Margaret Thatcher, a dama-de-ferro, grande fã do Saxon e Iron Maiden (musica favo-rita “Aces High” dedicada aos argentinos).
Nos EUA, os republicanos mandam à “Casa Bran-ca” o caubói-de-aço Ronald Reagan, grande fã do W.A.S.P. e Manowar.

Já então, para as jovens gerações, foi um perío-do no qual alcançar um objetivo significava criar circuitos fechados de amizade (quase o contrário daquilo que os anos 60 proporam) e, alí, dar vida a projetos (na maioria ilusórios) de sucesso e “status social” como única forma de afirmação existencial (os anos 90 e recentes seriam/são o ponto extrêmo de alienação dessa fase).
Mesmo assim, os 80s representaram ainda, na minha opinião, a ÚLTIMA grande década de propostas artísticas realmente válidas em todos os setores: música e artes visivas (cinema, fotografia e televisão).

Num clima como esse, o Heavy Metal dos 80s, se desenvolve em várias partes e o estilo que representaria melhor essa fase de rápidas transformações seria o Speed/Thrash Metal.
Quais são as origens desse novo estilo? Muitas. Se poderia dizer que “Sympton of the Universe” do Sabbath apresenta os primeiros riffs thrash. Não seria incorreto afirmar também que o Speed/Thrash nasce de um mix de influências de bandas e estilos da segunda metade dos anos 70. O Thrash Metal é um grande caldeirão de experiencias Heavy-Rock-Punk-Hardcore tendo como ponto de partida bandas como o Sabbath, Discharge, Diamond Head, Black Flag, Motor-head, The Exploited, Venom e outras combi-nações.

«O Heavy Metal britânico e o Hardcore Punk é aquilo que somos», Jeff Hanneman - SLAYER (anos 80)

Basicamente a essência do Thrash é a essência dos anos nos quais se vive. Apresentando riffs curtos, rápidos, ultra-pesados e ultra-distorcidos e alternando de partes muito pesadas à melódi-cas, o Thrash marcaria presença principalmente na Califórnia, EUA, onde sempre existiu um autêntico e forte legado de rebeldia e aversão ao “mainstream”; e no continente europeu (principalmente na Alemanha) mais do que nas Ilhas Britânicas que permaneceriam “fiéis” à NWOBHM.
A primeira demo-tape puramente thrash é “Red Skies” do Metal Church de 1981. Se trata de uma instrumental combinando thrash-speed-power metal que passou desapercebida naquele ano, mas a banda voltaria ainda mais pesada um ano depois com “Four Hymns”. O Metal Church passaria a adotar um estilo menos thrash e mais “Power” culminando no lançamento do fantás-tico 1° LP entre 1984 e 1985. O Metallica veio logo depois com “No Life 'til Leather” e o Artil-lery (Dinamarca) logo em seguida com “We Are The Dead” de 1982.
Sem dúvidas o Metallica representou o Thrash Metal. Dois discos são marcantes: o primeiro, “Kill 'em All” de 1983 e “Master of Puppets” de 1985/86. Atenção: para muitos (e para mim tambem) o segundo disco “Ride the Lightning” de 1984 é considerado o melhor disco da banda, mas Kill 'em All e Master of Puppets apresentam importantes evoluções, um do outro. O primeiro é cru, alienante, visceral, extra-ordinariamente fantástico e puro! O terceiro apresenta uma maturação artística fora-de-serie! Um “frontal attack” ao poder que os EUA exercem em seus cidadãos sob forma de terror patriótico: «obe-deça cegamente ao seu país, o ame e morra por ele! Isso é uma ordem!» E em todos os setores da vida cotidiana: frustações e íra (Battery), ali-enação e loucura (Welcome Home Sanitarium), religião (Lepper Messiah), total falta de credo (The Thing That Should Not Be) e rejeição às obrigações do sistema “America Corporation” (Damage, Inc.).
Master of Puppets é um álbum conceitual e é a segunda parte da trilogia que a banda planejou nos 80s com Ride the Lightning (1ª parte) e ...And Justice for All (3ª parte).
Outra banda de Los Angeles, o Megadeth, do “ex” Dave Mr. Niceguy Mustaine, em Nova York, Anthrax e Nuclear Assault e outras, seguiriam essa linha traçada pelo Metallica. Mais tarde na Europa, bandas Death Metal como o Sodom, Destruction e Kreator abandonariam temas “satânicos” para abranjer temáticas políticas e sociais. O Sepultura também seguiria essa linha mais tarde.

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