Personagens: Ronnie James Dio
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Ronnie Dio é ainda hoje a encarnação do Heavy Metal. Nenhum outro single-artista no Rock foi mais relacionado com um estilo do que ele. Quando realmente Dio nasceu parece um mistério. Alguns dizem 1949 (impossível!), outros dizem 1942 (meio difícil...). De acordo com as autoridades americanas, Ronald James Padovana, filho de uma família de músicos, imigrantes da cidade de Pádua, no nordeste da Itália, nasceu em Portsmouth, estado de New Hampshire, Estados Unidos no dia 10 de julho de 1937(?) e cresceu em Cortland, perto de Syracuse, estado de New York (hoje existe uma rua em Cortland chamada Dio Way que fica entre a Central Avenue e a East Court Street em sua homenagen pela prefeitura da cidade no dia 15 de novembro de 1988).
A infância de Ronnie James parece uma fávola. Mungia as vacas na zona rural de Cortland, to-mava lições de música pelos pais (piano) e foi excelente no trumpete (que ajudaria a reforçar suas cordas vocais) e, ainda jovem, chegou a fazer parte do Cortland High Jazz Band. Mais tarde, na mesma banda, trocou de instrumento
e foi para o baixo. Na escola, foi um dos mais inteligentes alunos e era profundamente fasci-nado por lendas medievais e de ficção.
Já naquela época, Ronnie James adotou o nome de “Dio”, derivado de Deus em italiano, porque ele tinha uma auto-estima muito elevada.
Depois do período de instrução, nos anos 50 formou três principais bandas: “The Vegas Kings”, “Ronnie and the Rambles” e “Ronnie James and the Red Caps” (influenciaria Renato e seus Blue Caps??). Em todas as bandas os integrantes eram mais ou menos os mesmos, mas sob seu comando supremo...
Contemporâneo de Elvis Presley, Dio com o grupo tocava covers e clássicos dos anos 50.
Novamente ele decide de mudar de nome para “Ronnie Dio and the Prophets”. Entre 1961 e 1962, constrói um pequeno estúdio de gravação na garagem de casa e ali começa a gravar demos e ensaiar com a banda. Em 1963 grava ao vivo no Domino’s com uma super-cover de Jerry Lee Lewis, “Great Balls of Fire”.
A tão-famosa “First British Ivasion” com os Beatles, invade a mente e o coração do futuro Deus do Heavy Metal que o conduziria definitiva-mente ao puro Rock n' Roll sem possibilidades de retorno. Em 1967 Ronnie Dio cria o “The Electric Elves” (Elves = Gnomos) que tocaria também muitas covers das bandas rock daquele período e, um pouco mais tarde muda para “The Elves” como representação de sua aparência com os gnomos, personagens das fábulas dos irmãos Grimm, Hans C. Andersen e outros.
Na segunda metade dos anos 60, Dio e banda se mudam para Nova York, mas pouco antes, se casa com Loretta Berardi e adotam um garôto, Daniel. Anos mais tarde, o casal se separaria e Loretta voltaria a morar em Cortland. Em 1968, num acidente automobilístico perde a vida o guitarrista Nicky Pantas, considerado um dos mais prometentes “guitar heroes” daquela época. Ronnie sofre varias cicatrizes no rosto e outros membros ficam paralizados por meses!
O acidente não influi nos seus planos. Pelo con-trário: se envolve cada vez mais com o Rock Pesado. Em 1970, recruta Gary Driscoll (bateria), Mickey Lee Soule (piano/teclados) e seu primo David Feinstein na guitarra e passa a chamar a banda simplesmente de “Elf” com ele no baixo e nos vocais. Em 1972 o Elf lança seu primeiro álbum, produzido magistralmente por Roger Glover do Deep Purple. O enrêdo funciona muito bem e Dio se concentra de agora em diante somente nos vocais. Craig Gruber é chamado pa-ra ocupar seu lugar no baixo. Os dois próximos álbuns da banda, que agora introduz Steve Edwards no lugar de David Feinstein na guitar-ra, são estratosféricos (sob o ponto de vista rock, mas deixaria um pouco desiludido os fãs mais heavy): os LPs “Carolina Country Ball” e “Trying to Burn the Sun” apresentam as primei-ras pérolas Hard Rock como “Rocking Chair Rock n' Roll”, “Black Swampy Water” e “Streetwalker”.
Ultimamente, entre Dio e seu primo David Feins-tein se está descutindo sobre uma possível “Re-union” do Elf.
Com o patrocínio de Roger Glover, o Elf abre shows para o Deep Purple e Ritchie Blackmore fica literalmente impressionado com Ronnie James Dio. A sua voz, as suas incríveis perfor-mances teatrais no palco e o seu carisma deixam Ritchie fascinado por ele e não consegue tirá-lo mais da cabeça. Alguns dizem que depois do LP do PurpleStormbringer”, Ritchie estava sem mais estímulos para a banda, mas, muito prova-velmente, sua mente começava a arquitetar um “golpe de estado” nos dominios do Elf. De fato, Blackmore, em outubro de 1974, no Rainbow Bar de Los Angeles, Califórnia, “convida para um drink” a banda (mas sem Steve Edwards) para falar de futebol, politica e religião...
Nascia então, uma das mais fantásticas bandas de música de todos os tempos: o Rainbow. Essa banda ajudaria a influenciar toda a geração da NWOBHM.
Aproveitando da fama e do seu forte caráter, Ritchie, feliz da vida, pega o timão e controla a banda entitulando-a de “Ritchie Blackmore's Rainbow”. Para Dio, que também tinha um forte caráter, era a oportunidade de se mostrar a nível mundial e, no início, o casamento funcionou maravilhosamente.
Para a estréia, a nova banda produz uma daque-las obras-prima que ficaria no Rock n' Roll como um padrão: o 1° LP, gravado em Munique, Ale-manha, em fevereiro de 1975, é o fruto de uma total sinergia entre os dois principais músicos. Músicas como “Man on the Silver Mountain” e “The Temple of the King” se transformam em hinos do Rock. O álbum movimenta não indife-rentemente a indústria rock e é lançado em todo mundo. A imprensa especializada premia Ritchie como melhor guitarrista do ano e o Rainbow co-mo a mais prometente nova banda em circu-lação. Mas o melhor ainda estava por vir: com novos musicos do calibre de Jimmy Bain (baixo), Cozy Powell, (bateria) e Tony Carey (teclados), Blackmore despedia os restos mortais do Elf e montava um complexo musical fora-do-comum! No ano seguinte, 1976, com essa super formação, Ritchie muda o nome da banda para simplesmente “Rainbow” e vem lançado, na mi-nha pessoal opinião, um dos 10 melhores discos do Rock.
Rainbow Rising” tem a produção de Martin Birch, a participação da Orquestra Sinfônica de Munique e, ao mesmo tempo, é o primeiro disco de Power Metal da história (Light in the Black). A banda sai numa tourneè de um ano e meio cobrindo América do Norte, Europa, Austrália e Japão, concluindo com um dos melhores discos ao vivo de sempre, “On Stage” de 1977, no qual termina com uma excepcional cover do Yardbirds, “Still I'm Sad”, onde eu venderia a minha alma para estar naquele show.
Depois de ter segurado a rédeas do Rock Pesado na metade dos anos 70, Blackmore, Dio e Powell lançam o último LP que nos interessa aqui: “Long Live Rock n' Roll”, gravado em Paris, França, entre agosto e dezembro de 1977 e lançado em abril de 1978, embora seja um disco extraordinário (produção de Martin Birch), é também o começo de certos atritos entre Ritchie e Ronnie pela hegemonia da banda. Antigos managers da banda contam que, por trás dos bastidores, Dio não aceitava bem as demissões de Jimmy Bain e Tony Carey logo após o final da tourneè do “Rising” por parte de Blackmore, que não deu nenhuma justificação para isso.
Discussões entre os dois eram sempre mais frequêntes e cada vez mais pesadas depois de cada show e agora os dois integrantes têm um tipo de relação exclusivamente contratual. Finalmente, em agosto de 1978 depois do último show em Nova York, Ronnie James Dio, membro fundador, deixa o Rainbow para sempre.
Provavelmente a experiência na banda vai ficar marcada na sua cabeça até o dia da sua morte (será um dos mais tristes dias para o Rock).
Em cada disco, de agora em diante, a palavra “rainbow”, junto com “castelos”, “reis”, “magos”, “dragões” e outras palavras do Período Medie-val, sará uma constante em cada novo LP lan-çado.
Diversamente daquilo que foi dito (e ainda hoje se diz), que RJD “deixou” o Rainbow para ingressar no Black Sabbath, eu teria uma outra história pra contar. De agosto de 1978 até abril de 1979, Dio, que agora mora em Los Angeles, estava inativo e considerando o fato de formar sua propria banda quando... Tony Iommi o telefona e o convida para “um outro drink” no Rainbow Bar. E aqui vamos nós outra vez...

É uma guerra de titãs. 1978 deve ter sido um ano terrível para as grandes do Heavy Metal. Tony Iommi e Ozzy Osbourne não podiam mais se ver e o vocalista Ozzy deixa (ou é deixado) o Sabbath com a intenção de formar sua própria banda do jeito que ele queria. O mesmo com o vocalista Dio com o Rainbow. Ozzy (depois de ter vivido um ano completamente fora de sí, à beira da real loucura) o consegue, e Dio é con-vencido por Tony Iommi que ele, Ronnie James Dio, é tudo aquilo que Iommi sempre sonhou: um grande vocalista, um grande compositor (diver-samente de Ozzy que não escrevia muito) e um artista extremamente profissional... O velho mago Iommi consegue enfeitiçar o Deus do Heavy Metal. Na verdade Iommi estava desesperado à procura de um outro vocalista, já que a crítica e os fãs não acreditavam que jamais um outro pudesse substituir Ozzy, que era o “front-man” da banda. Tony Iommi, o Cavaleiro Negro, salvou o Black Sabbath.
E assim, tem inicio uma fantástica nova aventura que entregaria finalmente Ronnie James Dio ao puro Heavy Metal. Quando “Heaven and Hell” (produção de Martin Birch, com todas as letras escritas por Ronnie James) estava pra ser lança-do, em abril de 1980, até os fãs mais céticos es-tavam na maior adrenalina, numa espectativa alucinante! E, de fato, o disco abre simplesmente com “Neon Knights”.
Heavy e rápida, Neon Knights muda completa-mente o velho estilo do Sabbath, traz muito do Rainbow e é sensacional!! “Lady Evil” e “Walk Away” revivem o período pré-Rainbow, artísti-camente. “Children of the Sea”, “Wishing Well” e “Die Young” juntam a melodia do Rainbow com a força do Sabbath. O disco atinge rapidamente as primeiras posições na Inglaterra e é o LP mais vendido na história da banda até então. Ronnie James Dio consegue substituir Ozzy Osbourne e, junto com Tony, Geezer e Ward, parte em tourneè (junto com o Blue Oyster Cult) no dia 17 de abril de 1980 em Aurich, na Alemanha até 19 de agosto do mesmo ano com Bill Ward, que dei-xa a banda (até as gravações de “Born Again”) por problemas de saúde, mas a tourneè prosse-gue com Vinny Appice do dia 31 de agosto de 1980 até o dia 02 de fevereiro de 1981 em Cornwall, na Inglaterra após ter rodado pela América do Norte, Europa, Japão, Austrália e novamente Europa. Fanzines da época relatam que Ozzy não suportou o fato que o Black Sab-bath pudesse haver um outro vocalista em seu lugar e, depois da saida de Ward, logo passou a chamar a ex-banda de “Geezer and the Three Italians” com Geezer Butler, Iommi, Dio e Appice. Os três últimos de origem italiana.
Logo após o final da tourneè do Heaven and Hell, o Sabbath já está de novo nos estúdios para gra-var o excepcional “Mob Rules” (novamente Mar-tin Birch na produção, novamente Dio escreve todas as letras!) de 1981. Letras e músicas são compostas quando a banda está ainda escurçan-do e o disco apresenta temas mais atuais e me-nos “mágicos”. O tipo de gravação é intensional-mentesujo” e ainda mais heavy do que o pri-meiro. A banda sai em tour no dia 15 de novem-bro em Québec City, Canadá, até 31 de agosto de 1982 em Hoffman Estates, Illinois, EUA, o qual produz o album ao vivo “Live eviL” (pro-dução horrível!!) e é aqui que mora o problema: Dio e Appice achavam que durante a fase de produção do disco, as pistas que continham as informações dos vocais e da bateria eram muito baixas em relação ao resto dos outros instru-mentos (guitarra, baixo e teclados). Tony e Geezer (os produtores do disco) contra-atacam acusando Ronnie e Vinny de “sabotagem” ao modificar secretamente os volumes de gravação das pistas durante altas horas da madrugada dentro do estúdio. Mais tarde Tony, numa entre-vista, se arrependeria das acusações, mas era tarde demais. Dio e Appice deixam a banda em outubro de 1982, viajam para a Inglaterra em busca de músicos para formar o “Dio” como ban-da, entram em contato com o legendário baixis-ta Jimmy Bain, que ajudaria a escrever muitas das fantásticas músicas do super-álbum de estréia “Holy Diver” de 1983. Jimmy indica dois prometentes guitarristas: o inglês John Sykes (futuro Whitesnake) e o irlandês Vivian Camp-bell (futuro Def Leppard). Dio escolhe o segundo. “Holy Diver” alcança altas posições na Inglaterra e nos EUA e se transforma num dos mais concei-tuados discos heavy da história com milhões de vendas no mundo inteiro e canções de puríssimo Heavy como “Stand up and Shout”, “Don't Talk to Strangers” e “Rainbow in the Dark” virarian verdadeiros hinos do Metal (a gravadora Warner Bros. passava a acreditar mais no Heavy Metal como força comercial). Antes das gravações do disco, Dio passou semanas sozinho no castelo medieval de Tintagel, lar do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Reronda, no sul da Ingla-terra para ganhar inspiração.
Do “Holy Diver” até os nossos dias é história quase cotidiana com altos e baixos (e um retorno ao Black Sabbath no final de 1991 que não duraria muito). Ronnie Dio se afirma como personificação do Heavy Metal e em maio de 1985 organiza o projeto “Hear n' Aid” com mais de 40 musicos do Heavy Metal com o nobre obje-tivo de ajudar a combater a fome na África como fizeram os americanos (USA for Africa) e Bob Geldof (organizador do Live Aid) na Inglaterra, todos naquele mesmo ano. Dio, até hoje, é a face do Rock Pesado e o estado de saúde artís-tica dele é o estado de saúde do inteiro Heavy Metal. Long live to Ronnie James Dio...
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