No
começo da década de 70, após o Brasil levantar o
tricampeonato mundial, o futebol virou paixão popular,
carregando multidões aos estádios, e fazendo aparecer
diversas torcidas organizadas, legiões de torcedores,
montando as maiores torcidas do Brasil. Em São Paulo tínhamos
os Gaviões da Fiel, a Torcida Jovem do Santos , no Rio a
Torcida Jovem do Flamengo e outras.No Paraná o Atlético o
time do povão, também surgiram torcidas organizadas, mas uma
estará para sempre em nossa memória ,a ETA (Esquadrão da
Torcida Atleticana),se transformou na maior torcida da década
passada.Incentivando e criando a fama da torcida do Furacão
ser a mais vibrante no Paraná.Só que por ideologias a ETA ,
acabou , no final de 1976, deixando uma lacuna aberta nas
arquibancadas, surgiram novas torcidas. Mas precisava uma que
levasse a garra e a vibração que a ETA sempre mostrou.
Foi aí que alguns garotos, atleticanos doentes,
na época com 14 e 15 anos, resolveram que algo tinha que
acontecer.José Carlos Belloto, Maucir, Luis Carlos Buffara,
se uniram e fundaram a Torcida Organizada “Os Fanáticos”
no dia 24 de outubro de 1977.O jogo, Atlético 1 x 0 Brasília,
válido pelo Campeonato Brasileiro.
No começo tudo foi difícil, pequenas
bandeiras, a primeira faixa era preta e branca, alguns
batuques e o talco era improvisado roubando farinha de trigo
das prateleiras de casa.
Ano seguinte, O atlético vai para decisão com
os coxas, a torcida cresce, o título é esperado, mas saímos
frustrados, perdemos nos pênaltis.
Os Fanáticos, nasceram aguerridos.Mostra que se
o Atlético não tinha força em campo nas arquibancadas
tinha. Acompanhamos e incentivamos, campanhas horríveis , como
80 disputando o torneio da morte, e 81, nesta época o sacrifício
de levar a torcida a campo era imenso, nossa sede era a
garagem da casa do Belloto, no Alto da Glória, e tínhamos
que implorar para que algum táxi levasse os bambus e os
instrumentos pendurados por toda a parte. Era sacrificado, mas
a convicção de se fazer por uma boa causa,recompensava.
Final de 1981, a torcida estava abrindo falência
, os gastos eram muitos, a ajuda nenhuma, o clube em crise, a
torcida ou acabava ou partiria para vitória.
Parece que tudo deu certo, em uma reunião para
decidir rumos, foi eleito o presidente da torcida (Renato
Sozzi), formamos a primeira diretoria, resolvemos investir no
nosso potencial, conquistamos nossa sede no clube, e mostramos
que na arquibancada não havia competição com a gente.Foi um
baile atrás do outro no campo o atlético foi gigante,
esmagou todos os adversários sagrando-se campeão após doze
anos.
A torcida os Fanáticos, inventou neste ano os
chocalhos de jornal, dando um visual totalmente novos nas
arquibancadas.
A partir daí , a meta era crescer. Sempre
enfrentando dificuldades financeiras, enormes, mas levar a
vibração e garra , incentivar o time nos 90 minutos é o
nosso maior prazer.
Fazer parte dos Fanáticos é uma emoção muito
forte, pois é muito gratificante ver a Torcida Os Fanáticos
ser hoje a maior e a mais vibrante torcida do Paraná.
Sabemos que as torcidas não são muito
reconhecidas , pelo seu trabalho, árduo, diga-se de passagem,
pois confeccionar material durante semanas, acordar cedo ,
levar o material ao estádio. Agitar e independente do
resultado recolher tudo não é fácil, mas o espetáculo que
os Fanáticos proporciona nos jogos é único. E empolgante e
as vezes inesquecíveis.
Hoje temos as mesmas
difilcudades financeiras mas é com muita luta e dedicação
que chegamos aonde estamos, nosso lema é Atlético até a
Morte, e até lá teremos muitas novas conquistas.
(Texto extraído
do Jornal Os Fanáticos quando de seu 11º aniversário)
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