TODA ESCOLA
PROXIMO
        Quando as coisas ficam apertadas e a necessidade sempre existe, aparece uma guerra para me ajudar a arrumar a casa. Foi assim na primeira guerra mundial e isso se repetiu na segunda. A briga por espaços aumentou e apareceu a concorrência que força uma disputa. Não houve acerto. Um cálculo. A palavra naquele momento foi em vão. Então foi na bala. É assim. Quando a palavra não acrescenta mais nada, dá-se tiro. A concorrência desta maneira me ajuda.
      Esta obsessão pelo acúmulo e pela reprodução não pára nunca. Isso ocorre o tempo todo.
     Na verdade, é fundamental acumular. Tenho que fazer com que a mercadoria se transforme em lucro rapidamente.
     Para tanto eu me metamorfoseio no que for ou em quem for necessário. Nesta minha travessia vou seguindo. Fui tudo. Sou tudo. Tudo que existe nesta sociedade tem meu toque de Midas.
     Eu não sou duas caras. Eu tenho caras demais da conta. Sou jogador de futebol. Tenho infinitas metamorfoses. Sou uma mulher bem pintada. Sou capaz de me produzir bem, variavelmente. Sem dor nenhuma. Minha cara está amarrada ao momento. No inferno, abraço o demônio. Para isso tenho excelentes companhias: necessidade, alienação, mercado, linguagem, dinheiro, concorrência, lucro, mercadoria, emprego. E não poderia deixar de destacar em especial. Ela esconde tudo. Parece visível. Mas não está exposto. Ela não se deixa ver fácil. Não é mole despi-la. Teve uma Pessoa que a identificou, mas não o levaram a sério, ainda bem. Sorte minha. Ela esconde tudo: Mercadoria.
     Eu embaralho e me embaralho. Dou nó. Misturo tudo. Viro tudo. Posso ser até aquela bunda GRANDE que balança na telinha. Para que o controle ocorra conto com a ajuda da minha querida alienação. Ninguém fica fora. Tudo acaba contribuindo para minha reprodução e salvação. Ainda bem. Olha na rua, viu, está tudo do jeito que eu preciso. Todos caminham o mesmo caminho. Aquela moça magra, sabe qual, bonita que anda balançando em cima do tapete, sou eu. Aquele rapaz que aparece na telinha vendendo alguma coisa, até a mãe, sou eu. Para vocês terem uma idéia, até locutor esportivo me ajuda. Tudo está no bolso. No bolso.
     Por volta dos anos 30 do século passado sentia-me apertado, sufocado. Precisava urgentemente me expandir, precisava como um possesso de outros lugares. O mercado me apertava. A pressão foi tanta que a necessidade entrou em campo e apareceu a guerra para abençoar a minha travessia extensiva para frente. Foi uma guerra sangrenta, no entanto eu precisava me reproduzir e acumular. Não há como, fico acuado, então preciso expandir.
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