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| TODA ESCOLA |
| Este mundo é uma maçaroca. Tudo mistura com tudo. A vida anda tão rápida que eu preciso me cuidar para não desaparecer. Tenho que me reproduzir. Se dormir, estou morto. O mundo aparece atravessado, embaralhado, confuso. É fogo viver nele, eu sei como sofro. Viver é perigoso. Para conseguir ficar de pé me lambuzo em tudo, com todos. Sou empurrado a me travesti em tudo. Mundo rápido, mundo multiforme. Velocidade estonteante. Tudo aparece e desaparece de acordo com a ordem e a necessidade.
Eu na verdade me transformo em tudo. Tudo acaba adquirindo a minha cara, o meu jeitão, a minha maneira de existir. A realidade me segue até no comportamento. Atualmente, o automóvel é o que melhor representa a metamorfose em que eu me transformo. Ele já está na corrente sangüínea de todos. Esse metabolismo ocorre de maneira frenética e avassaladora. Na minha ascensão histórica, sofri vários impactos da concorrência e diante desta necessidade fui obrigado a me reproduzir, como só sobrevivo me reproduzindo e acumulando, corro para ampliar o mercado. Somente assim, consigo me manter de pé. Diante de toda a pressão faço aparecer novas mercadorias que me mantém alegre e sempre renovado. Com as novas mercadorias seduzo o mundo, respiro mais um pouco aliviado, lucro e acumulo. Chego a virar dinheiro. Agora, passo de novo por uma forte coação e tenho que invariavelmente me reproduzir e acumular, senão, morro. E não quero. Preciso e devo pressionar o poder democrático constituído para fazer as reformas necessárias para que eu possa continuar acumulando. Quero urgentemente mudar a realidade. Como eu já falei, eu sempre me transformo. Sou aquela fotografia no caderno dos alunos. Claro que o automóvel é a metamorfose mais importante, sem contar que a televisão é entorpecente. Eu agora, com essa necessidade de reproduzir e acumular, encontrei o robô e nele vou me realizar. As pessoas vão delirar com isso. Ele é a minha nova mutação. A minha necessidade de continuar respirando fez com ele aparecesse, assim, posso acumular. Com essa nova rodada de reprodução e concorrência tenho que me cuidar. Está difícil ampliar extensivamente o mercado, então fui obrigado, para aumentar a produtividade intensificar o uso de tecnologias modernas, máquinas automáticas e enfiar o robô no povo. Como fiz com o celular. A terra tem limites, a concorrência pressiona, portando sou obrigado a usar métodos intensivos para não desaparecer. Tudo isso, faz com que eu me canse, tudo é muito difícil... |