O devoto � a maior exemplo de express�o da cren�a popular, � ele quem participa ativamente das festividades em homenagem ao Divino Esp�rito Santo dando significado e confirmando atrav�s da identifica��o com a bandeira, a pomba, mastro, e o imp�rio, todo vigoroso poder do s�mbolo.
As bandeiras normalmente s�o vermelhas e trazem uma pomba branca, sempre de asas abertas, bordada no tecido. Na sua haste, a mesma pomba ornada com flores e fitas.
Mesmo com a tend�ncia de descaracteriza��o da Festa ao longo do tempo, a bandeira � a �ltima a desaparecer. Esta resist�ncia deve-se ao fato de ser ela o s�mbolo mais presente no contato com o povo.
A pomba representa o pr�prio Divino, a terceira pessoa da Sant�ssima Trindade, que coexiste com o Pai e o Filho durante toda a eternidade.
�... Nem gerado nem feito, procede, das duas pessoas por seu m�tuo amor, como de um princ�pio. Espirado pelo Pai e o Filho � chamado o Esp�rito Santo, e, como propriedade lhe atribu�mos as obras de amor: regenera��o, revela��o, santifica��o� (CARLO FILHO, 1989: 21).
Ela merece uma aten��o especial quanto a seu significado. Entre os gregos era consagrada a Afrodite e s�mbolo de amor sublime. Na arte crist� �, sobretudo s�mbolo do Esp�rito Santo. A pomba � citada em v�rias passagens da B�blia. No fim do Dil�vio trouxe a No� um ramo de oliveira (B�blia Sagrada, Gn 8, 10-12) para anunciar a boa nova de que j� havia terra firme. Em outra cita��o, pairou sobre Jesus em seu batismo no Rio Jord�o (B�blia Sagrada, Mt 3, 16) anunciando a paz Divina.
De certo modo, a pomba simboliza os fi�is que gozam dos benef�cios espirituais da ressurrei��o de Cristo e da paz da Igreja, e seu respectivo futuro no reino do c�u.
O Mastro � parte importante das festividades � a sua cerim�nia de levantamento ocorre sempre nas imedia��es da Catedral. O encarregado da confec��o e cerim�nia de levantamento se chama Capit�o do Mastro e, na maioria das vezes, � indicado pelo Festeiro.
Outra parte importante a ser lembrada � o Imp�rio � loca previamente constru�do para acolher a imagem do esp�rito santo, as bandeiras do festeiro e as dos devotos, bem como a coroa e o cetro � Compete ao P�roco local dar in�cio e ao bispo diocesano encerrar a cerim�nia de abertura do imp�rio. S�o pedidas b�n��os e cantadas m�sicas de louvor dando gra�as ao Divino Esp�rito Santo por sua exist�ncia. O desrespeito ao imp�rio � inadmiss�vel, simbolicamente, o infrator pode at� ser preso por tal ato.
O Imperador pode ser o pr�prio festeiro ou uma crian�a. Na maioria das vezes s�o escolhidas crian�as de aproximadamente dez anos, significando talvez uma tentativa de resgate da pureza perdida. A figura mais importante nos festejos passa a ser o Imperador. A ele s�o atribu�dos plenos poderes podendo, inclusive, interferir sobre as leis comuns.
Por exemplo, no per�odo da escravid�o, diz a tradi��o, que se libertavam escravos por ocasi�o das festividades. O mesmo ocorria em rela��o aos presos. Durante o ano escreviam cartas declarando seu arrependimento e faziam seus pedidos de liberdade. Na semana da festa escolhiam um preso para ser liberto.
O Festeiro � o respons�vel pela realiza��o e andamento dos festejos. Em algumas cidades s�o eleitos entre os devotos, em outras s�o indicados pelo bispo diocesano. A imagem do festeiro assume grandes propor��es perante a comunidade n�o somente no �mbito social, econ�mico ou pol�tico, sendo atribu�dos a eles, inclusive, poderes curativos. Apesar de todo esse status � proibido tirar proveito da festa para benef�cio pr�prio. Diz a tradi��o que quem rouba o Divino ele leva o que a pessoa pegou e ainda o que ela tem; em conseq��ncia disso cair� em desgra�a e morrer� na mis�ria. � o pre�o pela sua desonestidade.
A organiza��o da festa � de responsabilidade do festeiro que por muitas vezes com as folias percorre as imedia��es da cidade arrecadando fundos e colhendo donativos que os devotos oferecem como agradecimento ou forma de pagamento por uma gra�a recebida.

Dan�as e Musicas
As dan�as fazem parte das principais atra��es em homenagem ao Divino Esp�rito Santo. � evidente as influ�ncias da cultura afro, da portuguesa e da cultura amer�ndia em seus bailados. Em alguns estados prevalece mais uma ou outra, dependendo do contexto hist�rico da regi�o. Em Mogi das Cruzes, a influ�ncia maior � da cultura Afro, acredita-se que no per�odo da escravid�o houve a inser��o das dan�as (congada, mo�ambique, marujada) representadas como uma maneira de resist�ncia, uma heran�a que expressa uma forma particular de exalta��o, uma esp�cie de intromiss�o de dan�as e c�nticos �tnicos nas comemora��es cat�licas. Isto foi ocasionada, historicamente, pelas estrat�gias de catequese utilizadas pelos jesu�tas, e posteriormente pelos representantes da Igreja, na convers�o de �ndios e de popula��es negras. No entanto, � medida que a presen�a eclesi�stica se tornava mais rala, a festa enquanto conjunto de express�es - rezas, prociss�es, c�nticos e dan�as - consolidou-se, em especial porque conduzida por uma mentalidade popular que n�o via, nessas ocasi�es e nem mesmo no dia-a-dia, a cis�o entre o sagrado e o profano. A congada, o mo�ambique e a marujada ainda hoje resistem bravamente frente a toda essa modernidade tecnol�gica. Em todas essas dan�as encontramos a luta como um ponto central. Na maioria das vezes seus integrantes s�o os fi�is, e para eles, a pr�pria dan�a � uma pr�tica religiosa.
Outra caracter�stica marcante na festa em homenagem ao Divino � a musica. Quando falamos em m�sica � importante lembrar que estamos falando de um tipo de m�sica popular, aquela que est� intimamente ligada �s pr�ticas coletivas particulares do mundo rural e n�o a uma m�sica popular ligada a satisfa��o e ao individualismo coisa que surge com o crescimento dos centros Urbanos.
Assim como as dan�as, a m�sica brasileira segue tr�s linhas mestras: a portuguesa ou europ�ia, a amer�ndia e a africana, tendo destaques ora uma, ora outra dependendo especificamente de cada regi�o, de acordo tamb�m com o contexto hist�rico.
A m�sica serve antes de tudo como um ve�culo de correspond�ncia entre o homem e as divindades invis�veis, ela � a via que conduz o devoto rumo ao sobrenatural.
A intera��o proposta pela m�sica de unir-nos ao Divino, de conduzir-nos e guiar-nos rumo ao invis�vel expressa-se diretamente nas alvoradas, missas, prociss�es e folias onde � poss�vel sentir o poder edificante de sua melodia. A m�sica toca diretamente ao cora��o e por isso � usada para traduzir nossos mais �ntimos sentimentos.
A contribui��o negra africana foi muito importante, principalmente pela cria��o de instrumentos de percuss�o que eram, podemos assim dizer, a melhor de suas especialidades. � poss�vel, ainda hoje, encontrar mesmo nas grandes capitais como Rio de Janeiro e S�o Paulo v�rios destes instrumentos trazidos pelos negros. Flausiano Rodrigues Vale valoriza e associa essa peculiaridade dando �nfase ao car�ter sentimental. Desta forma, ao dizer que: �Ningu�m pode negar que de todas as ra�as, a mais sentimental e que melhor se deixa levar pelo cora��o � a negra�. (VALE, 1957: 47). Flausiano destaca o negro africano e toda a sua t�cnica associando-a com o cora��o para dar maior destaque a influencia afro na musica brasileira.
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