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| Festa do Divino em Mogi das Cruzes Robson Belchior O Chaves Todos os anos no m�s de maio comemora-se em Mogi das Cruzes o Divino Esp�rito Santo, festa que a mais de trezentos anos encanta os devotos e as pessoas que chegam de v�rios locais para acompanhar. Ela � ponto marcante e tradicional da f� crist� do povo mogiano. Durante o per�odo de festa s�o realizadas cerim�nias, missas, alvoradas, passeatas noturnas, novenas, prociss�es, dan�as (congada, mo�ambique, marujada) al�m da quermesse que conta com a participa��o de diversos grupos musicais. Por ser uma festa de origem rural, h� muita fartura. Os fi�is fazem as suas promessas, louvam e agradecem as gra�as recebidas. Acreditam que quem promete ao Divino e n�o cumpre, cair� em desgra�a. Ele leva o que foi prometido e ainda leva mais, deixando-o em situa��o financeira dif�cil. Os populares apresentam uma l�gica pr�pria que afirma sua f� e que a � for�a para mover � realiza��o das festividades em nome do Divino Esp�rito Santo. � importante salientar por�m, que, desde quando a igreja tutelou a festa ouve a inser��o de toda uma forma erudita de religi�o e que se contrastou com a forma de religi�o popular ou entre os conceitos te�ricos e a pr�xis popular. Conforme assinala Jos� J Queiroz ao analisar Gramsci nesse sentido, Gramsci enquadra a religi�o no conjunto das ideologias mediantes as quais o poder dominante controla a vis�o de mundo das massas dentro do bloco hist�rico. �... Ela � a respons�vel pelas certezas que mant�m o povo ao n�vel do senso comum e o impede de elevar-se a uma vis�o cr�tica da vida e das contradi��es sociais�. (QUEIROZ, 1991: 21). Podemos identificar claramente que existem dois tipos de religi�o, uma erudita a favor da classe dominante contra uma religi�o popular que atrav�s da pr�xis forma seu universo religioso. � parte integrante deste universo ainda o folclore. A inser��o de pr�ticas folcl�ricas � constitu�da atrav�s dos costumes e das especificidades locais. Analisando os problemas de cultura popular em Gramsci Renato Ortiz nos diz que enquanto forma de conhecimento, o folclore se apresenta como uma concep��o de mundo n�o elaborada ou sistematizada: �nada mais contradit�rio e fragmentado que o folclore�, afirma Gramsci. Esse conjunto de temas inarticulados de forma org�nica entre si, comp�em na realidade, �um aglomerado indigesto de fragmentos de todas as concep��es de mundo e de vida que se sucederam na hist�ria, sendo que t�o-somente no folclore podem ser encontrados os documentos incompletos e contaminados que sobreviveram na maior parte destas concep��es�. (QUEIROZ, 1991: 24). No caso da festa todo inser��o folcl�rica s�o restos indigestos, que n�o puderam ser ingeridas pela religi�o erudita. Essa concep��o de mundo elaborada ou sistematizada, esse aglomerado indigesto de fragmentos que � contradit�rio e n�o org�nico � parte constituinte do universo religioso do �simples� talvez pelo fato da incorpora��o dos fragmentos culturais acontecerem sem fazer julgamento ou discrimina��o das diversas proced�ncias. Apesar da festa ser diferente de outras festas religiosas que narram um per�odo (P�scoa, Festa de Reis, Etc.) sua l�gica � constitu�da por um s�mbolo �O Divino Esp�rito Santo� � ele quem ordena os acontecimentos sem respeitar ordens cronol�gicas. Ent�o, podemos afirmar que o eixo gerador da festa est� nessa desorganiza��o organizada, nessa desordem ordenada pelo s�mbolo maior �O Divino Esp�rito Santo�. Origem Trazida de PortuEm Mogi das Cruzes a festa do Divino acontece a mais de trezentos anos. Segundo Isaac Grinberg os primeiros registros da festa em Mogi s�o de 1871 apesar de fortes ind�cios de que antes j� era costume a comemora��o na regi�o. (GRINBERG, 1983: 50). A Festa � uma homenagem, uma maneira que os fi�is encontram de agradecer as gra�as recebidas, assim como em Mogi a festa do Divino ocorre em diversas regi�es brasileiras, em diferentes datas, que podem obedecer a datas espec�ficas ligadas ao calend�rio p�s-colheita do principal produto agr�cola da regi�o, ou ao calend�rio que coincide com a celebra��o do Pentecostes. (Ressurrei��o de Nosso Senhor, celebrado no q�inquag�simo dia ap�s a P�scoa). A origem das festividades em homenagem ao Divino Esp�rito Santo � pag�. Tendo seu in�cio quando os povos das antigas civiliza��es passaram a se reunir em �pocas de colheita e semeadura. No entanto, a sua organizadora foi a Rainha Santa Isabel, esposa de Dom Dinis, o lavrador - rei que plantou os pinheirais de Portugal - a distribui��o de comida por ocasi�o das festas n�o ser� um arremedo do "Milagre das Rosas?� Conta-nos � lenda que a rainha gostava de dar esmola aos pobres. (Dom Dinis era um "barba-de-farelo", "p�o-duro", conforme a g�ria atual). Ao derredor do pal�cio sempre havia pedintes. O rei proibiu tanta prodigalidade. Certa feita, Isabel, carregando no rega�o uma quantidade de c�deas de p�o para distribu�-las aos pobres, depara com o rei. Este pergunta-lhe o que levava na abada. "Levo rosas", responde a rainha caridosa. O rei quer ver. E v� rosas lindas!�. (ARA�JO, 1964: 122). S�mbolos principais O universo simb�lico � sem d�vida o que orienta uma das mais significativas manifesta��es populares brasileiras que se tem conhecimento at� hoje. A simbologia utilizada � composta por signos fundamentais e necess�rios � manuten��o da tradi��o. gal no per�odo colonial, difundida e aceita, hoje faz parte do calend�rio anual de diversas cidades brasileiras, as comemora��es em homenagem ao Divino Esp�rito Santo tem sua origem ligada aos antigos rituais pag�os do culto ao vegetal. Apesar da variedade de vers�es sobre a origem da festa, todas trazem um ponto em comum: Portugal e o reinado da Rainha Santa Isabel (1271-1325). Depois de as festividades terem sido tuteladas pela igreja �de pag� a festa passa a ser crist� � a igreja passa assim a utiliza-la como meio de evangeliza��o. Os pontos marcantes da festa s�o as dan�as, a incorpora��o do folclore local, a fartura de comidas e bebidas e, principalmente, a simbologia m�stica em torno de objetos como a bandeira, o mastro, e a pomba. |
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