(Roosevelt Silva)
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As informações constantes desta página são frutos de documentos existentes e de minhas próprias lembranças; portanto, na medida em que for necessário, sofrerão correção e acréscimos. Em Vila Hematita, era costume acompanhar o papai e a mamãe juntamente com meus irmãos mais velhos, Róbson e Ronald, quando iam apanhar passarinhos nas redondezas. Eles gostavam muito de ouvir os canários da terra cantarem. O Robert, que era o segundo mais velho, já havia falecido em conseqüência de afogamento no ribeirão que passa nos fundos de nossa morada. Levávamos lanches, refresco e café; pois este, era a principal exigência do velho. Os passeios acompanhando os pais, eram normais nos finais de semana. Era comum tomarmos banhos de cachoeira ou riacho, além daqueles deliciosos lanches, enquanto os aguardávamos. Enquanto tomávamos os banhos de ribeirão ajuntávamos uma série de pedrinhas arredondadas que fazíamos de biroscas para jogarmos. O velho era também, juiz de futebol, bom violonista e caçador. Naquela época nada era proibido. Sempre a gente saboreava uma carne diferente, tatu, paca, lagarto, e muitas outras variedades, inclusive aves. Ele fazia uso da caça tanto para comermos, quanto para suas pesquisas farmacêuticas. Em uma de suas pesquisas, desenvolveu medicamentos e conseguiu curas como a paralisia infantil de um dos meus irmãos e minha asma brônquica. Por nada neste mundo ele revelaria suas fórmulas mágicas de cura; nem mesmo para minha mãe que tentou tais informações até mesmo em seu leito de morte. Até aqui (1954) já éramos quatro irmãos, havia nascido a primeira irmã, Rosalva. Em meados de 1955 nossa residência passou para outro lugar, uma pequena Vila de nome Itauninha, ainda menor que Hematita. Na Vila Itauninha nasceu minha segunda irmã que recebeu o nome de Elizabeth, primeira a ter nome não iniciado com "R". Nasceu em 1957. Nesta Vila nossa vida continuava no mesmo ritmo em que vivíamos em Hematita. Mais ou menos em julho/agosto de 1959 mudamos para Nova Era, cidade também do interior de Minas, onde permanecemos até 09-09-1963. Em Nova Era, a vida já começava a se transformar. Já haviam preocupações como escola e trabalho. Tratando-se de uma cidade um pouquinho maior, a diversão já passou a ser cinema e outras coisas. Nesta cidade nasceu outro irmão em 1962, Sydney, que futuramente sabe-se lá as causas, viria a tirar a vida da própria mãe. É sabido que durante o ano de 1959 minha mãe passou por tratamento médico e teve dois partos natimortos, um em 1960 e outro em 1961. Em Nova Era meu pai trabalhou no comércio e posteriormente em uma empresa que estava construindo o elo da BR-381 (João Monlevade x Ipatinga). Lembro-me ter visto a ponte sobre o Rio Piracicaba (trecho Nova Era x João Monlevade) apenas em sua fase de preparo para receber a concretagem. Ainda em Nova Era, em de 1963 nasce mais um irmão, Cícero, que posteriormente viria a ser popularmente conhecido como "Palhaço Titetê". Este sim, seria mais um batalhador e vencedor. Após ter concluído a universidade dedicou-se à arte. Você poderá acessar mais informações sobre este moço clicando aqui. Finalmente tivemos nossa última mudança no dia 09-09-1963 quando saímos de Nova Era rumo a Coronel Fabriciano que viria ser a nossa verdadeira Terra Mãe, onde vivemos em maioria até hoje. 1963 foi um grande marco em minha vida. Primeiro foi a oportunidade de vir residir em uma Região que já se previa próspera, segundo foi mesmo o que se esperava, encontrar aqui o meu verdadeiro berço. No final deste ano (início de outubro), foi que aconteceu o "Massacre de Ipatinga", fato até hoje objeto de discussões e pesquisas. É interessante que as pessoas estudem, pesquisem e tomem conhecimento deste fato; pois, é de meu entendimento que com todos os prós e contras, o atual progresso regional deve muito a ele. Neste mesmo ano já comecei a freqüentar as aulas. Foi quando conheci a Escola Estadual Padre Deolindo Coelho. Naquela época, a escola tinha suas divisões de salas ainda construídas com chapas de eucatex ou coisa parecida. Era difícil suportar o calor, o frio ou a chuva. Hoje, a escola ainda funciona, após ter passado por uma série de melhorias. Tornou-se um prédio descente, mais aconchegante para os alunos e professores. Na época das eleições, se transforma eu um ponto especial de votação com instalação de várias seções eleitorais. Em abril de 1964 nasceu mais uma irmã, a Jackeline. Primeiro membro da família a nascer em Coronel Fabriciano. Pessoinha que ficou sendo conhecida pelo apelido de lindinha. Mas saiba você, como é brava! Foi em 30 de junho de 1964 que aconteceu a morte de Joaquim Custódio da Silva Neto (já mencionada em minha página inicial), verdadeira tragédia. No início de 1965, chega na Região o meu amigo Guido Gonçalves Vieira. Jovem padre que acabava de receber o sacramento da ordem. Trata-se até hoje de um grande amigo. Neste ano, eu e meus irmão mais velhos começamos a freqüentar a igreja. Ajudávamos na celebrações e éramos bem vistos pela sociedade católica. Ao final de 1965, quando já estava terminando o curso primário, hoje ensino fundamental, foi quando o Padre Guido argumentou que eu deveria ser padre. Nada mal para um filho de uma viúva que mal podia alimentar seu oito filhos menores. Hoje posso dizer: "Já não se fazem mais padres como antigamente." Há de se compreender que, apenas 12 anos de idade, naquela época, ao contrário de hoje, ainda era verdadeira criança. Não tinha o menor conhecimento possível sobre oportunidades, escolhas, decisões, etc. Em uma verdadeira maratona junto a familiares, amigos, professores, autoridades e outros, começamos a pedir ajuda para que fosse possível enfrentar ao convite feito pelo Padre Guido. Finalmente, de malas prontas, sai de Coronel Fabriciano (de carona), rumo à cidade de Três Pontas mais um menino pobre. Em Três Pontas fiquei 3 anos; 1966, 1967 e 1968. Em 1966, juntamente com mais algumas dezenas de adolescentes, fiz o antigo curso que era denominado "admissão ao ginásio." Este curso era como se fosse hoje um pré-vestibular, sem ele o aluno não podia iniciar o ginasial, o que se chama hoje de quinta a oitava. Neste período, além das matérias tradicionais (português, matemática, história e geografia) ainda tínhamos aulas específicas de biologia, inglês, francês e religião. Nas terças, quintas e sábados, éramos obrigados a jogar partidas de futebol organizadas, valendo como educação física. Eu era o pior dos jogadores. Ex-alunos desta escola (da época específica), se tornaram políticos, médicos, engenheiros e outras celebridades, vale salientar que poucos se tornaram padres. Em 1967 e 1968 foi quando cursei o primeiro e o segundo ano do ginásio. Na maravilhosa cidade de Três Pontas aprendi muito, conheci muito, vivi muito. Terra famosa de muitas fazendas produtoras de frutas. Terra de gente importante como políticos e até mesmo terra de Milton Nascimento. Era comum a gente sair aos finais de semana para visitar fazendas, ajudar nas celebração de missas em campo aberto, comer fruta madura diretamente no pomar. Quanta laranja, mexeria, abacaxi e outras! Anualmente, a igreja, juntamente como a sociedade local, promovia as festas chamadas quermesses com variedade enorme de barraquinhas espalhadas pela praça, onde montavam-se jogos tradicionais como bingo, pescaria, tiro ao alvo e muitas outras diversões, além de shows artísticos onde apresentavam cantores e grupos locais, além de muitos famosos do Rio de Janeiro e São Paulo. Foi nesta época que assisti pela primeira vez, apresentações de Milton Nascimento, Vanuza, Antônio Marcos, Renato e Seus Blue Caps, Os Incríveis e outros. "Saudades da época." Em dezembro de 1968 a situação político-administrativa do Brasil levou a igreja a fechar a escola que acabou sendo incorporada ao sistema estadual de ensino e todos os alunos foram devolvidos a seus lares. Com isto, meu retorno à Terra Mãe. Em janeiro de 1969, sob o comando de um dos melhores professores que conheci, inaugurávamos a atual Escola Estadual Alberto Giovannini. Nesta escola completei o terceiro e o quarto ano do ginásio, formando-me em 1970. Fiz parte de grupos de estudos e da fanfarra da escola. A data de sete de setembro era para nós muito mais importante do que se vê nos dias atuais. E 1969 nossa fanfarra foi agraciada como a melhor da cidade. Em 1970 fomos desfilar o sete de setembro em Ouro Preto. O dia 19 de janeiro de 1971 foi o marco de uma nova trajetória. Neste dia fui admitido como funcionário da USIMINAS. Era muito difícil conseguir naquela época; pois, a concorrência era enorme, passava-se por um período doloroso entre inscrição, teste, entrevistas, etc. Na Usiminas iniciei como auxiliar de escritório exercendo a função de acompanhamento da produção do convertedor na Aciaria 1, trabalhando sob o regime de três turnos com direito a folgar um final de semana a cada 45 dias. Neste regime foram aproximadamente 9 a 10 meses, quando fui transferido para o escritório da Divisão e promovido a Programador de Produção. Esta época foi um pouco complicada; pois, éramos uma equipe muito unidade e cheia de ideais políticos. Tínhamos muitos contra-pontos às imposições das autoridade governamentais. Fazíamos reuniões e viagens até mesmo clandestinas, com o imaturo desejo de consertar tudo. Se tivéssemos armas, era possível iniciarmos uma guerra civil. Tudo não passava de um sonho. Sob orientação da igreja haviam vários grupos de jovens que agiam da mesma forma. Para dizer a verdade, a gente era visto mais como terrorista, do que como simplesmente um jovem que tinha o desejo de ver sua pátria ser verdadeiramente a pátria de todos. Em fevereiro de 1972 vieram as primeiras férias. Foi no dia 02 que saí de Coronel Fabriciano em direção a Belo Horizonte, juntamente com mais dois amigos, um deles era namorado de minha irmã mais velha, o outro, um velho amigo. O suposto futuro cunhado dirigia o fusquinha. Ao passarmos por João Monlevade, foi no conhecido Km 104 que veio o primeiro acidente de minha vida. Não se sabe a razão exata; mas, repentinamente estávamos lá. Fusquinha de rodas para cima, Polícia Federal, curiosos, e outros. Exatamente naquela hora, apareceu, como se fosse brotado do próprio asfalto, uma vizinho meu. O cara era taxista e pensou que iria ganhar uma grana com o acidente. Ao chegar em nossa rua, foi acabando de estacionar em sua porta e ir logo dar notícia da tragédia para minha mãe. Claro que ela se preocupou; mas, entre a preocupação e pagar uma viagem de 100Km se saber o que realmente estava acontecendo... Ele não conseguiu vender a viagem. Como todo e qualquer acidente, a coisa foi mesmo inesperada. Somente o meu futuro cunhado foi hospitalizado. Algumas horas depois embarcamos em um ônibus da Gontijo para acabar a viagem. Quando chegamos em Belo Horizonte, todos os parentes de meu futuro cunhado encontravam-se sob tensão. Depois de passado aquele clima, a vida voltou ao normal e partimos foi para a festa. Comemorar o sucesso. Passados mais ou menos cinco dias de nossa chegada em Belo Horizonte, eis que uma das irmãs de meu futuro cunhado começa a entrar no clima e acaba tornando-se uma de minhas primeiras namoradas. Fim de viagem e retorno à capital com maior freqüência. Na verdade, nunca fui daquele tipo que era chamado de paquerador ou namorador. Dava mais preferência ao que se chamava de vida boêmia, era menos trabalhoso e não precisava ficar pensando que estava ocupando tempo das meninas a troco de nada. Naquela época eu pensava em nunca me casar. Foi em meados de 1973 que as coisas começaram a se complicar. Em pleno exercício da função de Programador de Produção, a USIMINAS decidiu pela substituição do chefe da Divisão. Tirou um simpático engenheiro que era realmente um exemplo de pessoa (genro de um ex-prefeito de Coronel Fabriciano), e colocou um elemento, também engenheiro, de origem espanhola (LCLC), até então totalmente desconhecido. Veja o que aconteceu: - Bem, ninguém imaginava o que o cara poderia ou não fazer. Ele não conhecia ninguém e ninguém o conhecia. Impensadamente decidiu sem nenhum planejamento trocar os horários de trabalho e funções de todo mundo. Resultado: Foi no dia 08 de agosto que 13 colegas, dentre eles eu, decidiram pelo pedido irrevogável de demissão. Houveram alguns transtornos e até mesmo propostas por parte da própria empresa para soluções alternativas; mas, como já que éramos taxados como terroristas, decidimos não aceitar nenhuma proposta de continuidade, por mais vantajosa que fosse. Treze demissões, treze desempregados, treze vagas e fim de carreira "USIMINAS". Não me lembro ter sentido saudades, a não ser de nosso formidável grupo de colegas, alguns deles ainda amigos. O dia 1º de novembro foi iniciada nova experiência, iniciei em novo emprego, BANCO DE MINAS GERAIS S/A. (atualmente Banco Real). Trajetória curta e rápida. Em apenas nove meses e meio fui Escriturário, Caixa e Tesoureiro. Época considerada boa, tudo era festa. Todo o sonho morreu quando o Banco Real absorveu a empresa. Demissão durante o processo de transição da incorporação. O ano de 1974 foi marcado pelo casamento da Rosalva, minha irmã mais velha. Casou-se com o Paulo Paiva e futura mente viriam ser pais de meus queridos sobrinhos Paula, Fausto e Pedro. Paulo é hoje conhecido em toda a cidade como "Paulinho do Frango Assado." Trata-se de uma pessoa muito séria, sincera, trabalhadora ao extremo e muito amiga. Em mais de 30 anos de convivência jamais tivemos uma única aresta, por menor que fosse. Paulo é da cidade de São Francisco do Glória, uma pequena e aconchegante cidade do interior de Minas Gerais, localizada nas proximades de Realeza. Ainda quando solteiro estive lá algumas vezes. Lindas fazendas onde ainda encontrávamos aves silvestres e lindas cachoeiras. A cachoeira da Bicuíba era o máximo, hoje não sei o que se passa por aquelas bandas. Paulo é mesmo aquele que podemos chamar de "amigo para todas as horas." Ainda neste ano tive o meu emprego relâmpago: Do dia 20 de setembro a 29 de outubro de 1974, trabalhei devidamente registrado em uma concessionária da General Motors do Brasil, onde exerci a função de Cardexista (controle de estoque de peças em fichas de papel). 1975 - O GRANDE EMPREGO Sempre dou ênfase a este, quando converso com amigos e colegas. Sempre! Logo após meu desligamento do emprego anterior, manifestou-se em mim o desejo de trabalhar para a USIMEC - Usiminas Mecânica S/A., empresa criada em 1972 pela USIMINAS. Na época da criação todos os funcionários da USIMINAS foram convidados a adquirir ações para a criação da nova empresa. Naquela época meu irmão mais velho trabalhava na empresa HOESCH (indústria de molas) localizada em São Bernardo do Campo - SP. Era intenção de meu irmão que toda a família migrasse para São Paulo. Creio que sua intenção dele era apenas para manter a família unida. Eu já havia feito teste e entrevistas na USIMEC; mas, em um belo dia o meu irmão fez contato para que eu viajasse para Belo Horizonte onde deveria encontrar com um engenheiro da empresa para a qual ele trabalhava. Deveria ir para São Paulo com este engenheiro e comparecer ao escritório da HOESCH, onde deveria fazer teste e entrevista para emprego. Tudo foi muito rápido. Teste, entrevista, aprovação de teste e convite para ser empregado. Assustei com aquela facilidade toda e pedi 15 dias para vir ao Vale do Aço, fazer a juntada de documentos e voltar. Era tão fácil que tudo que eu pedia era concedido. Parecia uma armadilha. O mesmo engenheiro que me deu carona me levou, juntamente com meu irmão, para conhecer até a casa onde iríamos morar. Nova tragédia! A casa é localizada na cidade Diadema, não resta a menor dúvida que trata-se de uma cidade milionária. Fiquei atordoado quando vi a casa e seus arredores. Mais ou menos a 250 metros de uma fábrica de cabos elétricos da Pirelli. Imagine você! Coloque uma mesa de fórmica branca na varanda. Vá ao banheiro e lave as mãos. Volte à varanda. Sua mesa já está preta. Preta? Como? - É o pó de borracha moço! Não argumentei nada, permaneci calado, apenas retornei ao Vale do Aço. Ao chegar aqui, tive apenas uma preocupação. Tentar acelerar ao máximo o processo de admissão na USIMEC. E não é que deu tudo certo? Iniciei minha nova vida no dia 11 de agosto de 1975. Nesta trabalhei até o dia 20 de abril de 1983. Quase oito anos. Nesta empresa consegui fazer grandes amizades que perduram até hoje. Ainda me lembro que nunca tivemos nenhum problema crônico no trabalho e que sempre fazíamos nossas festas; eram aniversários nas casas dos colegas, casas noturnas, barzinhos. Tudo era festa. Bom trabalho, bons colegas, bons amigos, bom de tudo, além de excelente salário. Desta... Tenho SAUDADES!. Nunca tive conhecimento do motivo real deste desligamento; mas, ainda me lembro de algumas questões negociadas entre Empresa e Sindicato. Mais adiante um breve relato. Ainda em 1975 casaram-se Ronald e Maria de Fátima. Futuramente viriam a ser pais de Fernando, Alex e Janaina. Ronald e Fátima são pessoas que andam em meu coração e nos corações de minha família, além de muitos outros corações. 1976 foi marcado pelo nascimento de meus sobrinhos Fernando e Paula. Fernando cresceu, estudou e se formou em Fisioterapia. Da mesma forma a Paula, mais conhecida como Paulinha, formou-se como Advogada e é hoje contratado por uma grande empresa. Em 1977, depois de muito trabalho, consegui conquistar minha formatura no 2º grau. Nada de especial. Trabalhava durante o dia todo e corria para a escola. Estudava pouco e aprendia muito. Fugíamos da escola para irmos a Bares e outros lugares; mas, ao final do ano o resultado era sempre positivo. Deixo claro que foi época boa. Das melhores. Meus estudos de segundo grau foram custeados Pela Loteria do Estado de Minas Gerais, tendo isto conseguido com a colaboração de um ex-deputado que era amigo da família e se prontificou a ajudar. Brevemente teremos novas informações. |