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Uma banda prestes a completar dez anos de carreira. Uma discografia de quatro álbuns de estúdio e mais uma coletânea dupla. Turnês grandiosas que inclusive já marcaram presença duas vezes no Brasil.
Todos esses fatos mais doenças e desgastes decorridos de viagens intermináveis, entrevistas e noites mal dormidas poderiam ilustrar a história de qualquer grupo veterano de rock.
Apague a última frase e adicione o nome Silverchair e aí você terá uma das mais interessantes bandas da atualidade. Nascidos na Austrália, Daniel Jonhs (guitarra e vocal), Chris Joannou (baixo) e Ben Gillies (bateria) acabam de lançar "Diorama", um álbum corajoso, ousado e de arranjos intrincados.
A banda, que foi achincalhada no começo de carreira como mera cópia de Pearl Jam e Nirvana, tem mais uma batalha a vencer agora. Daniel Johns está sofrendo de artrite reativa, uma doença causada por um vírus, para a qual 6% dos homens têm predisposição genética.
A doença que apenas atacava suas pernas se espalhou para o corpo todo. Daniel está impossibilitado de andar e de tocar guitarra. O vocalista que acaba de completar 23 anos e que já sofreu também de anorexia (retratada na canção "Ana´s Song" do disco "Neon Ballroom") falou com certa dificuldade com o
Marco Bezzi direto da Austrália sobre as passagens pelo Brasil, seu novo álbum e os planos para o futuro.
Qual o seu estado no momento?
Estou parado, tentando fazer de tudo para ver se fico melhor. É uma doença extremamente dolorosa e no momento estou vendo vários médicos para ver se acho a cura para o que tenho. Você pode morrer desta doença, então é uma coisa muita séria.
Qual foi a maior influência na composição desse novo álbum?
Minha maior inspiração foi os musicais de Hollywood da década de 50. Aquela coisa bem extravagante e excêntrica da época. Queria escrever um álbum com a força de uma banda de rock, mas com todos esses elementos dos musicais, com muito suingue e groove.
O que fez esse novo álbum soar mais alto-astral do que o anterior?
É tudo um reflexo da minha vida, me sinto mais confortável quanto a tudo, e isso reflete na forma de eu compor as canções. Tirando essa minha doença, estou mais feliz no geral.
Seus álbuns são diferentes de um pro outro. Não teme que os fãs fiquem desapontados com essas constantes mudanças?
Não escrevo música para ser popular nem para vender álbuns. Escrevo música para me satisfazer e para me desafiar. Gosto de explorar novas sonoridades e progredir sempre. Só assim me sinto feliz quanto à música.
Quais são as lembranças que vocês têm do Brasil, primeiro em 1996 e depois no ano passado no "Rock in Rio"?
Temos lembranças maravilhosas do Brasil. As duas vezes que fomos para o Rio ficamos super empolgados. É o melhor lugar do mundo para se fazer show. As pessoas são incríveis, cheias de energia.
Na época em que vocês começaram, muita gente comparou vocês a bandas como Pearl Jam e Nirvana. Foi difícil receber essas críticas?
Foi muito difícil, pois quando escrevemos o primeiro álbum tínhamos apenas 14 anos de idade. Quando se é adolescente você acaba levando tudo pro lado pessoal.
Que tipo de música você tem escutado atualmente?
Eu não tenho escutado música da maneira que escutava antigamente. O único tipo de música que tenho escutado atualmente é dance-music, coisas como Aphex Twin, pois gosto de escutar música que não vou precisar reprocessar depois.
E os planos futuros?
O que eu mais quero agora é me recuperar e poder tocar de novo. Vai ser um desafio grande para nós vendermos esse disco em todo mundo mesmo não podendo tocar, pois estou muito doente.
Por Marco Bezzi
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