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Confira aqui um perfil do Silverchair desde o começo da carreira, e também saiba um pouco mais sobre o estilo da banda, e do novo disco, Diorama, que acaba de ser lançado no Brasil.
 
   Quando o Silverchair apareceu para o resto do mundo roqueiro, em 1995, todos torceram o nariz para a banda. Pelo fato -impressionante- de cada um do trio ter apenas 15 anos quando lançaram "Frogstomp", seu primeiro disco, a primeira impressão era de uma armação iminente. Afinal, três garotinhos bonitinhos, asseados, recém-saídos da pré-adolescência não poderiam ser roqueiros de verdade. 

   Bebendo forte na fonte do grunge, misturando Nirvana e Pearl Jam, a banda acabou vendida comercialmente muito mais como um grupo de moleques prodígios do que pelo som que faziam. Nos shows, porém, a barulheira reinava e deixava de boca aberta roqueiros velhuscos. 

   À medida que foram ganhando respeitabilidade, também mostraram que são bons compositores. Dois bons discos consecutivos provam isso: "Freak Show", de 97 e "Neon Ballroom", de 99. Este último, inclusive, apontava o início de um namoro com harmonias mais sofisticadas, orquestras e trucagens de estúdio. 

   Porém, poucos não ficarão surpresos ao ouvir "Diorama", o disco novo. Daniel Johns, o vocalista, guitarrista e principal compositor, atestou um antigo ditado da música pop (e, também, de toda a arte): as melhores e mais inspiradas obras só podem ser compostas quando o autor mergulha fundo na sua própria tristeza. 

   Johns pode morrer a qualquer momento. Acometido de uma doença rara, o roqueiro pode estar no meio de uma turnê e morrer de repente. Se não fosse suficiente, ele ainda tem anorexia e uma artrite crônica que depois de atacar suas pernas, já se espalham por todo o corpo. 

   Somente assim, enfrentando todas as dores do mundo, que uma mente de apenas 24 anos poderia produzir um dos discos mais geniais dos últimos anos. 

   A novidade é estampada logo na entrada. No lugar da guitarra, um cravo dá os primeiros acordes de "Across The Night", a faixa de abertura. A melodia remete a discos como "Pet Sounds" e "Sargeant Peppers". Uma orquestra toma conta e a voz de Johns, ora amargurada, ora raivosa, traz a melancolia de quem luta contra o desconhecido -parece sair direto do coração, com uma força ímpar. 

   "Across The Night" mostra que Johns agora se preocupa com sua música enquanto arte, não mais como apenas uma via para exteriorizar sua raiva. No final, antes de uma avalanche de sopros e cordas, pede: "I don't Wanna Be Lonely". 

   Mas poucos segundos se passam até que Johns pise na distorção com raiva e sua guitarra venha pesada, encharcada de fuzz. É "The Greatest View", primeira música de trabalho, a mais "silverchainiana" do disco. Você já deve ter ouvido no rádio. 

   Tudo volta ao inferno pessoal de Johns em "Without You", uma balada furiosa, escura, densa. Levada pela bateria de Ben Gillies, se arrasta como uma nuvem negra. Os temas se mantém: perda, espera, solidão, adeus. 

   "World Upon Your Shoulders" tem uma preocupação com os detalhes, com a harmonização, capaz de fazer Brian Wilson sentir-se intimidado. Essa faixa poderia ter saído de um disco do Flaming Lips, com Johns cantando em falsete, chegando a lembrar Jeff Bucley em alguns momentos da canção. Crescendos com metais, sopros, cordas, teclados, guitarras No final, grita: "I'm burning". 

   O período grunge ataca em "One Way Mule", a mais barulhenta do disco. Já em "Tuna in the Bride", Johns abusa do vocal soul, psicodélico, Motown e ácido. Harmonias vocais, vocoders, clarinetes, piano mínimalista, tudo numa vida de apenas quatro minutos. 

   O medo da solidão aparece mais uma vez em "Too Much Of Not Enough', com uma sequência de timbres inusitados de guitarra, se sobrepondo. Com uma temática religiosa, prega: "Você nunca vai parar de sangrar/E isso não ajudará em nada". 

   Celebra a vida e pede para que as pessoas façam o mesmo com as suas: "você não sabe a verdade, então ame sua vida". Tem "do-do-do" à la Beatles no refrão. Um piano martela uma tecla apenas. E tudo faz sentido. 

   Parece que os caminhos tortuosos não terminam para Johns, na torta "My Favourite Thing", uma atormentada canção de amor. Passeia por mudanças de andamentos, paredes de guitarra e um urro agonizante no final. 

   No final, a simplicidade. "After All These Years" se carrega no violão, uma baladinha singela. Johns pede para que todos se "esqueçam dos tempos difíceis, depois de todos esses anos". 

   O nome Silverchair foi extraído de uma música do Nirvana, "Sliver", e a banda nunca escondeu a forte influência que Kurt Cobain exerceu sobre eles. Hoje, correndo por fora, Johns pode se gabar de ter herdado a capacidade de transportar suas agonias para suas composições. 

   Se Cobain ainda estivesse vivo, pelo que ele fez em "In Utero", poderia estar fazendo um som bem parecido com este "Diorama". Só esperamos que Johns não resolva bater um papo com Cobain mais cedo do que o provável. Não dá para prever, mas "vida" é a última palavra dita em "Diorama". Tomara. 

 

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