CAPÍTULO VIII – TROUXAS E CARTAS
 

 

Gina já estava subindo quando Gwydion deixou cair uma carta aos seus pés. Todos no salão comunal olharam para ela que chamou a coruja e foi para o dormitório. “É uma carta de Draco” ela pensou enquanto abriu a carta e começou a ler.

“Oi anomeada!

Anda sumida einh! Nunca mais me escreveu... Mas como eu sei que você deve estar morrendo de saudades minhas resolvi te escrever . a gente nunca mais se bateu... é que eu ando muito ocupado ultimamente. Mas eu estou mandando uma foto minha para você matar as saudades.

DM”


Ela riu ao ler o final da carta e se sentiu bem. Era divertido trocar cartas com ele. Resolveu mandar a resposta depois. Pegou o livro que Mione lhe emprestara e começou a ler. Enquanto lia ela divagava se aquele livro havia sido escrito realmente por um trouxa . “Se foi um trouxa então ele devia Ter um bom conhecimento de magia... toda essa estória de Avalon visão e linhagem.” Ela parou por um instante com a visão de um nome e seu pensamento recaiu em Draco. “Então ele também leu esse livro.” Ela resolveu escrever logo a resposta dele.

“Olá, Draco!

Você realmente é um tanto convencido. Admito que estava com um pouco de saudades, mas aquela foto sua não adiantou muito. Gostei do nome da sua coruja: Gwydion, descendente das duas linhagens reais de Avalon. Lembra muito aquela estória de puro-sangue e, apesar de não concordar com esse preconceito, reconheço que foi uma escolha inteligente. Combina com você...

Agora, para quem fala tão mal dos trouxas ler “As brumas de Avalon” é uma enorme contradição. Sim, porque certamente não foi em Hogwarts, uma história que você encontrou o nome da sua coruja, não é?

Um beijo(pra você não morrer de saudades)”

Terminando de escrever, Gina subiu até o corujal para mandar a carta. Chegando lá, para sua surpresa, encontrou o seu destinatário ,sentado, como à espera de alguém.

— Demorou para responder...- Draco falou em tom de brincadeira.

— Eu também ando muito ocupada.- ela aceitou a provocação.

— Posso ler minha carta? - ele perguntou no seu habitual tom de tédio levantando uma sobrancelha.



Ela entregou a carta para ele que leu dando risada. Depois falou:

— E você também leu “As brumas de Avalon”.

— Na verdade estou lendo. - ela respondeu

— Quem é o seu personagem favorito?- ele perguntou, mas, antes que ela pudesse responder, completou: --- Já sei, é Arthur, o defensor dos oprimidos.

— Não. É Morgana, a feiticeira voluntariosa e determinada.- ela respondeu imitando o movimento dele de levantar a sobrancelha.

— Parece com você. Então você gosta das traidoras... eu pensei que eu era o sonserino.- ele continuou provocando.

— Ela não é traidora, só tenta fazer o que acha certo. Não esqueça que foi ela quem jogou a Excalibur no lago.- Gina riu.- O seu personagem favorito deve ser Modred , o vilão.

— Não, não é. Eu gosto de Lancelot, o cavaleiro da justiça.- ele cruzou os braços e encostou em uma pilastra com uma expressão de desafio.

— Definitivamente não parece com você.- Gina desafiou num tom de descaso.

— Por que não? Ele está sempre às voltas com um amor impossível. Além disso é um homem que não se submete ao destino.- Draco respondeu voltando ao seu tom de tédio forçado.

“Que não se submete ao destino, onde eu vi isso?” Gina pensou. “Ah! Já sei!” Ela saiu correndo do corujal deixando Draco surpreso. Quando ele caiu em si e ia segui-la, ela já havia desaparecido pelos corredores.

Gina entrou como uma bala na torre da Grifinória. Subiu para o dormitório dando graças a Deus por ser horário de aula e o salão comunal estar vazio.

— Ah! Está aqui. - ela suspirou enquanto segurava o pergaminho, sentada na cama e leu: “Quando a valente guerreira une seu amor ao que foge do destino se faz a luz na insígnia da espada.”

— Deve fazer referencia à lenda de Excalibur. Mas quem é essa valente guerreira? E quem é que foge do seu destino?- ela voltou a ler o livro, dessa vez atenta aos detalhes sobre a espada.

 



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Assim que saiu do corujal, Draco se encaminhou para a masmorra da Sonserina. Sentou-se em sua cama e relembrou a conversa que teve com Gina durante a tarde. De repente, sua mente deu um estalo. “Excalibur, é claro, como não pensei nisso antes?! É da espada sagrada que fala a profecia. Vou avisar a Dumbledore.”

Quando estava quase saindo do quarto ele parou. “Porque eu tenho que ser útil àquela ordem? Eu sou o filho de Lúcio Malfoy, o mais odiado comensal e devo me tornar comensal como meu pai. Por que devo ajudar a uma ordem que quer destruir o Lorde das trevas?”

Passou a noite inteira pensando sem conseguir tomar uma decisão. Dumbledore havia lhe pedido para avisar caso descobrisse algo. Mas Dumbledore também havia lhe dito que o homem não foge do seu destino. E desde criança aprendera que o destino era servir ao Lorde das Trevas. “Então por que diabos fui chamado àquela ordem?”

 

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