CAPÍTULO XX- Explicações
— Enervate.
Draco acordou e viu o rosto de Dumbledore lhe examinando.
— Mas, como... – foi tudo o que conseguiu falar.
— Depois conversamos, Draco. – Dumbledore respondeu. – Preciso ver se os
outros estão bem e encontrar um modo de levá-los de volta a Hogwarts em
segurança..
Draco pensou em protestar mas assentiu. Então Dumbledore se afastou em direção
ao grupinho onde estavam Harry Rony, Hermione e Gina, ainda desacordada. Trocou
algumas palavras com ele e em seguida fez sinal para Draco se aproximar. Assim
ele o fez e Dumbledore falou. Como vocês não podem aparatar eu resolvi fazer
uma chave de Portal que nos levará até Hogwarts. Hermione abriu a boca para
perguntar como mas Dumbledore falou divertido “ Depois, senhorita Granger.”
Eles se arrumaram para tocar uma pena dourada e logo sentiram-se puxados pelo
umbigo, desconfortavelmente. Draco fechou os olhos e esperou que a sensação
passasse. Quando abriu estavam em frente ao lago, seu lugar preferido.
Dumbledore fez Gina levitar atrás de si e levou-a até sua sala dando instruções
a Hermione, Rony e Harry que fossem à Ala hospitalar. Depois fez sinal para que
Draco o acompanhasse.
Draco entrou na sala do diretor pela terceira vez aquele ano. Por seis anos
tivera a curiosidade de saber como era aquele lugar e no fim, já o visitara três
vezes. Silenciosamente olhou em volta observando cada detalhe.Tudo ali o
fascinava a começar pela Fênix.Sempre fôra o seu animal favorito. Dumbledore
sentou-se em sua cadeira e sinalizou para que ele fizesse o mesmo. Gina estava
deitada no divã ao seu lado. Então ele disse:
— Bem, Draco suponho que você tenha algumas perguntas. Agora é a hora de
respondê-las. Dentro das minhas possibilidades, é claro.
— Hum, diretor, eu gostaria de saber o que aconteceu com meu pai. – Draco
perguntou. Era engraçado estar ali. Aquilo era o tipo de coisa típica do
Potter e não dele. Sentia-se estranho. “ Mas estranho definitivamente é uma
palavra que resume esse ano. A começar por essa paixão absurda por Gina
Weasley.”
— Seu pai está agora aos cuidados do ministério. Eu contatei Moody e ele
afirmou que cuidaria pessoalmente do caso junto com Arthur. – Draco presumiu
que ele se referia ao Weasley e sentiu-se culpado pelo seu pai. “ Aquele
Weasley vai realizar o maior sonho dele: pegar o meu pai. Espero que não o
mandem para Askaban” Draco pensou se recriminando mentalmente por estar tão
envolvido com a filha da pessoa que seu pai mais desprezava. Depois forçou-se a
pensar no presente e voltou a fazer perguntas.
— Como o senhor sabia que nós estaríamos lá?
— A senhorita Weasley escreveu-me antes de sair dizendo que iria atrás da
bainha.Presumi que estava guardada lá. – Dumbledore respondeu.
— Estava mesmo. – Draco falou com um suspiro. Os acontecimentos da noite
começavam a tomar forma na sua cabeça.
— Foi você que a retirou da torre? - a pergunta de Dumbledore não foi
inesperada.
— Sim, fui eu. – Draco respondeu.- Como sabia?
— A espada foi encontrada por ela. – Alvo apontou Gina que continuava
deitada. – Pensei que você encontraria a bainha. Vocês estão mais ligados
do que parecem.
Draco não gostou da afirmação. “ Eu não tenho ligação nenhuma com ela.
Ela mentiu, me enganou, me fez de idiota!” pensou indignado, sentimento que se
refletiu na sua face, mas Dumbledore não fez nenhum comentário. Simplesmente
esperou que a raiva passasse e continuou.
— Agora eu quero que você me relate os acontecimentos da forma mais clara
possível, desde o momento em que você conheceu Voldemort.
Draco suspirou e começou a ordenar os pensamentos. Quando sentiu-se pronto
respondeu:
— É justo.- e começou a narrar os fatos desde a semana anterior pulando as
partes do seu romance com Gina.Quando ele terminou Dumbledore deu um sorriso
encorajador e esperou pela pergunta que fatalmente viria.
— Professor, eu fiz tudo errado e assim mesmo a profecia se cumpriu. Eu não
entendo!– Draco falou abaixando a cabeça.
— Nesse caso não existe certo ou errado, Draco. Apenas o destino. Nas horas
importantes você fez as escolhas certas e isso fez a diferença.
Draco não respondeu, apenas suspirou tentando digerir as informações. Embora
não admitisse, ainda estava confuso. Naquele instante Gina abriu os olhos e
sentou-se.Percebendo isso, Dumbledore amparou-a pois ela ainda estava fraca, razão
pela qual ele não usara o enervate. Talvez ela não suportasse. Draco evitou
olhar para ela embora tenha ficado aborrecido quando percebeu que ela fazia o
mesmo. Mas o clima não se prolongou. Logo Dumbledore se levantou e disse que os
levaria para a Ala hospitalar.
— Mas professor, eu ainda tenho perguntas a fazer! – Draco protestou.
— Então faça. Eu lhe concedo mais uma pergunta – Dumbledore respondeu.
— Como nós conseguimos fazer aquele ritual? – Draco se decidiu. – É
magia muito antiga e de certa forma perdida através do tempo... Não chega a
ser magia negra mas é por demais poderosa para ser usado por alguns
estudantes.Eu pensava que a magia de Avalon estava acabada.
— Avalon nunca estará perdida para quem pertence a ela.Não é a mim que você
deve fazer essa pergunta. – Dumbledore respondeu enigmático e afastou o gárgula.
Draco o seguiu pensativo “ Quer dizer que tem algum descendente da linhagem de
Morgana entre a turminha do Potter.Eu nunca imaginaria...”
Dumbledore continuou até a Ala Hospitalar mas Draco desistiu de segui-lo. Na
Ala hospitalar estava a turminha do Potter e decididamente ele não gostaria de
vê-los. Então ele rumou para a sala comunal da Sonserina. Precisava de um
banho.
Dumbledore deixou Gina aos cuidados de Pomfrey e voltou para a sua sala. Aquela
história deveria se resolver sozinha. A enfermeira deitou a garota em uma cama
e saiu para buscar uma porção. Assim que se viu com ela, Rony se aproximou da
cama e falou:
— Agora você vai me contar direitinho essa história do Malfoy. – Hermione
tentou intervir mas Gina não deixou. Rony parecia resoluto. “ Uma hora eu
teria mesmo que conversar com ele.” Pensou e começou a explicar
— Depois daquela aposta imbecil eu e o Draco começamos a nos corresponder.Ele
não sabia quem eu era. Nós chegamos a namorar por algum tempo mas então ele
descobriu e terminou comigo. – uma lágrima escorreu pelo seu rosto mas ela não
chorou.
Rony estava chocado. No fundo esperava algo desse tipo mas se recusava a
acreditar. Sua irmã, apaixonada pelo Malfoy!? Quando se recuperou do baque o
suficiente para raciocinar direito, perguntou:
— Mas ninguém sabia, não é Gina? Nem o Harry, nem a Camille.
— É... eu fiquei sabendo pouco antes deles terminarem.. – Harry se explicou
– A Gina me proibiu de te contar. Me desculpe...
— Me perdoa, Rony! – Gina falou.- Eu tive medo da sua reação. Por favor não
seja injusto com o Harry e a Mille se a culpa é minha.
Inesperadamente Rony abraçou a irmã e pediu desculpas. Harry podia jurar que
ele chorava mas não falou nada. Nesse momento a enfermeira voltou e obrigou
Gina a beber uma porção reanimadora. Ela ainda estava bastante fraca.
Draco chegou no salão comunal da Sonserina e percebeu que todos olharam para
ele estranhamente. “Qual é o problema?” pensou irritado. Rapidamente ele
subiu para o dormitório e seguiu para o banheiro. Ao tirar a camisa percebeu o
que acontecera. Suas roupas estavam empapadas de sangue. Abandonando a postura
de indiferença ele foi à Ala hospitalar.
Dumbledore voltou à Ala Hospitalar para se certificar de que os garotos estavam
bem. Entrou e sentou-se como se esperasse alguém. Logo os outros viram quem ele
esperava. Draco Malfoy entrou na Ala hospitalar com as vestes manchadas de
sangue.Madame Pomfrey examinava Harry. Dumbledore pediu licença a ela e começou
a falar:
— Garotos, vocês foram excepcionais. Gostaria de parabenizá-los. Em seguida
eu peço que não comentem nada em Hogwarts. A derrota de Voldemort logo será
conhecida e vocês ficarão famosos mas por enquanto gostaria de pedir discrição.
Após essas palavras ele saiu e Madame Pomfrey voltou ao recinto falando com
Harry:
— Deite-se aqui na maca que eu vou curar os cortes e tome essa porção .
–ela estendeu um vidro para Harry que bebeu o líquido verde e deitou-se na
cama.
Draco observava tudo divertido até Madame Pomfrey virar-se para ele e gritar:
— Por Merlim, o que você andou fazendo? Você está com hemorragia, garoto!
Deve ter perdido muito sangue. –ela fez Draco deitar-se em uma outra maca e
voltou-se para atender Harry.
— Desculpe, mas é que eu vou acabar ficando doida com tantos ferimentos.
Parece até que vocês enfrentaram um dragão! – ela tirou a camisa de Harry e
observou as ataduras com satisfação. – Ótimo feitiço, senhorita Granger. O
Harry poderia ter morrido se você não tivesse estancado o sangue!
Mione deu um sorriso constrangido e Draco caiu na gargalhada.
— Acho que você me deve essa, Potter!
Todos na sala olharam para ele com idênticas expressões de incredulidade menos
Gina e o próprio Harry que murmurou um obrigado. Mas Draco não pôde ouvir.
Ele desmaiara.
Pomfrey curou Harry rapidamente e despachou-o da ala hospitalar. Todos se
levantaram para sair quando ela perguntou:
— Quem está acompanhando o Malfoy?- Harry olhou inquisidoramente para Gina
mas ela não se importou. Respondeu simplesmente:
— Ninguém. Ele veio sozinho. – dizendo isso saiu do lugar deixando Harry e
Hermione levemente surpresos.
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