CAPÍTULO XVIII – ANIVERSÁRIO

 


       Draco acordou bem cedo na manhã de sábado. Ele suspirou pensando. Passara uma semana horrível e agora iria para casa. Sua casa. “ Não deixa de ser horrível também” pensou. Suas coisas já estavam prontas já que voltaria à Hogwarts no dia seguinte. Na verdade estava indo pra casa por um único propósito de seu pai: tornar-se comensal, jurando sua lealdade a Voldemort, e ele sabia disso. Mas, mesmo não gostando da idéia, ele já não se importava. Não tinha mais motivos para lutar.

     A carruagem chegou e ele entrou. Estava vazio na cabine pois seu pai não tinha ido buscá-lo como na última vez. Draco não se importou, era melhor assim. Pensava em Gina, em Dumbledore. Todos fazendo-o de palhaço. Ele ainda ficava vermelho de ódio sempre que lembrava da voz de Rony dizendo “ e ela ainda ganhou 10 galeões por causa disso.” Dinheiro! Ele não se conformava... ser enganado por míseros 10 galeões... “para os weasley nem tão míseros assim...” pensou maldosamente forçando-se depois a se concentrar no que aconteceria aquela noite. “Gostaria de saber o que Voldemort está tramando...tenho quase certeza que ele tem uma grande missão para mim. Queria saber o que é.” Pensou distraído. Um pouco depois seus pensamentos recaíram em Gina e na ordem mas ele forçou-se a esquecer esses assuntos. “ Eu vou seguir o meu destino.” Ele disse pra si mesmo.

A carruagem parou na porta da mansão e ele desembarcou. Sua mãe o estava esperando na porta o que o surpreendeu já que ela, em geral, nunca participara da sua vida, uma perfeita estranha.Quando ele chegou à porta sua mãe disse séria:

— Hoje você se torna um adulto, Draco. E por isso se torna responsável pelas escolhas que faz. Não deixe que ninguém influenciem em decisões suas. E não deixe que moldem o seu destino por você. – ela beijou a testa dele e continuou parada a olhá-lo.

Essas palavras deixaram Draco com um profundo medo do futuro. De novo ele se perguntou se tinha escolhido certo. Ergueu os olhos e viu a sua mãe parada a observá-lo. Sim, sua mãe, ela se preocupava afinal.Compreendendo que ela esperava uma resposta ele balbuciou:

— Não se preocupe, mãe. Eu faço as minha próprias escolhas.

— Está certo. Seja bem vindo, filho. – ela respondeu e entrou na casa seguida por ele.

Finalmente ele entrou no seu quarto para descansar. Durante o almoço seu pai falou incansavelmente das pessoas que viriam para sua festa principalmente de uma garota, filha do bruxo mais rico e tradicional da América.Draco sentou-se na sua cama. Nada havia sido dito sobre Voldemort mas ele sabia que a verdadeira festa só começaria à meia-noite daquele dia, quando ele oficialmente completava 17 anos.

Ele começou a se arrumar para a recepção. Tomou um demorado banho na banheira da sua suíte e depois começou a se vestir. Apesar do seu esforço, seus pensamentos constantemente recaiam em uma ruiva grifinória. Quando terminou de se vestir ele desceu para a sala de visitas a fim de recepcionar os convidados. Usava uma elegante veste preta que combinava com seus cabelos loiro-platinados.Intimamente deu graças a Deus por não precisar usar a veste de gala da família. Achava aquela roupa uma perfeita palhaçada.

A recepção foi insuportavelmente chata. Seu pai tentou a todo custo empurrar a americana para ele mas ela era terrivelmente chata e fútil e Draco logo se aborreceu . Com uma desculpa ele saiu para o jardim e seus pensamentos foram levados para Gina. Olhou Gwydion encarrapitado em uma árvore e pensou em mandar uma carta para ela mas desistiu pensando. “Ela é uma Weasley pobre, idiota e falsa. Não merece minha atenção.”

O pendulo do relógio da sala bateu meia –noite. Era uma peça antiga ,da era vitoriana. Sem pensar em amenidades, Draco entrou e encontrou a sala já vazia e silenciosa. Todos os convidados já tinham se retirado, sua mãe havia se recolhido e seu pai estava sentado em uma poltrona, de costas para ele. Ele pegou uma bebida no bar e sentou-se também. Um vulto já familiar aparatou na sala e enquanto Lúcio se levantou em reverência, Draco apenas levantou os olhos do copo e disse:

— Olá Voldemort. Chegou atrasado para a festinha.

— Boa noite milord. Perdoe as maneiras do meu filho. – Lucio se adiantou estupefato com a ousadia do filho.

— Deixe, Lucio. Eu gosto do jeito do garoto. – Voldemort respondeu. Virando-se para Draco. – está enganado. A festa começa agora. Você será grande, menino. O melhor, eu diria.

— Você será iniciado hoje, Draco. Receberá a marca quando sair de Hogwarts.- Lucio falou um pouco ríspido e saiu da sala. Obviamente não tinha gostado da afirmação de seu mestre.

— Você sabe alguma coisa sobre Excalibur. Draco? – Voldemort perguntou, sentando.

— Forjada pela senhora do lago da linhagem de Morgana das fadas.Está perdida desde que foi jogada no lago sagrado pela própria Morgana para que não fosse de seu filho Mordred. É um objeto mágico poderoso embora sua bainha seja mais. – ele respondeu displicente.

— Uma descrição exata. – Voldemort disse. – Onde você acha que está a bainha?

— Provavelmente em Avalon. – Draco respondeu tentando manter sua voz displicente. Algumas coisas começavam a fazer sentido para ele.

— Realmente. O que você sabe sobre trombetas? – Voldemort perguntou observando a reação dele.

— Trombetas???! - Draco gelou ao ouvir aquilo. Imediatamente lembrou da profecia e percebeu que algo muito importante estava em jogo ali.

— Sim. São demônios que libertam as sete chagas do mundo. É citado em um livro trouxa. Engraçado, não é? Os trouxas nos deram a arma para acabar com sua raça. – A risada dele soou alta e fria.

— E como se liberta essas trombetas? – ele perguntou temeroso.

— Usando a parte profana da espada.

— A bainha. – Draco falou sem pensar.

— Cortada pela própria Excalibur – Voldemort completou. Isso romperia o equilíbrio mágico de forças temporariamente e liberaria a energia mágica de Avalon que protege o planeta contra os demônios. Então as trombetas se libertariam.

— Muito esperta essa dedução. – Draco forçou uma risada. – E suponho que isso vai acontecer hoje.

  Voldemort não respondeu. Levantou –se e chamou Lucio. Este entrou na sala prontamente trazendo uma poção a qual foi entregue a Draco. A uma ordem de seu pai ele tomou e sentiu-se leve. Voldemort , então, murmurou um feitiço e eles aparataram.

O lugar era descampado mas fazia parte da Inglaterra já que era praticamente o mesmo horário. As brumas indicaram que eles estavam em Avalon. Atrás deles erguia-se uma torre com o símbolo da ordem dos cavaleiros da Távola redonda. Draco olhou interrogativamente para Voldemort.

— Eu já esperava isso, meu caro. – este lhe respondeu. – Eu sei que você pode entrar lá afinal foi recrutado.- Draco ensaiou uma reação mas Voldemort não deu importância.- Não precisa fingir, eu sei do que estou falando. Aquele velho raquítico, o Dumbledore, acha que me engana. Agora entre lá e traga a bainha para mim.

Resignado Draco suspirou e se encaminhou para o aposento.Voldemort não lhe inspirava tanto terror mas também não inspirava o fascínio de Dumbledore. Apesar disso, ele sabia que Voldemort era poderosíssimo e não hesitaria em matá-lo.

Ele entrou na torre e instantaneamente esta se iluminou. Havia apenas um pedestal no centro, com a bainha em cima. Mas Draco sabia que não ia ser fácil. Havia inscrições no pedestal e nas paredes. Ele chegou ao centro e leu no altar “ A morte se aproxima para os que ousarem tocar. Apenas o escolhido sabe o que deve ser feito.” Ele suou frio. Não sabia o que fazer. “Eu não sou o escolhido, afinal” Se afastou devagar e observou as paredes.

— Diabos, como eu vou saber qual é a certa? – a voz dele ecoou pelo local. Ele abaixou a cabeça desesperado e percebeu que o chão também estava tomado pelas inscrições . No pedestal havia o retrato de um homem empunhando uma espada, que ele reconheceu como Lancelot. No outro lado do altar havia um retrato de Morgana. Estranhamente ela se parecia com Gina. Draco se aproximou e alisou o retrato. Então ele percebeu uma frase escrita em alto relevo: “ Homo ne fugite fatum suum.”. imediatamente ele reconheceu a oração, Dumbledore havia lhe dito certa vez. Então ele não teve dúvidas. Seguindo um impulso ele removeu o quadro e para sua surpresa atrás dele havia uma bainha. A bainha de Excalibur.

Saindo do lugar, ele juntou-se a seu pai e a Voldemort.. Então apareceram quatro vultos conhecidos.

 

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