Entre a Terra e o Céu

Capítulo 8 – O estopim

 

Quarta-feira,Tókio,três dias depois às 4hs da tarde

 

Eu dei um suspiro de alívio ao ver que nas ruas as coisas ainda estavam bem calmas para mim. Eu sei que jornalista de imprensa escrita não tem muito reconhecimento do público mas até o momento nem mesmo minha neurose de ser seguida e afins se manifestara. Ao que parecera, ainda não caíra a ficha da reportagem. No caminho para o carro passei por uma banca e não deixei de parar para admirar meu trabalho. Saíra a segunda reportagem da série e havia ficado excepcionalmente bom para os meus padrões...

Minutos depois o corolla preto parou suavemente no estacionamento em frente ao prédio pintado de bege. Não que eu esperasse algum tipo de letreiro dizendo Serviço de Informações Japonês mas a fachada do prédio era bastante despretensiosa. Mas, enfim, eu tinha certeza do local. Ignorando os olhares de estranheza dos trausentes e as câmeras que provavelmente estariam escondidas por ali eu entrei andando devagar para que a saia, um pouco justa, não subisse. Eu não era mesmo boa para escolher roupas... Alguns olhares cravaram-se em minhas pernas mas eu simplesmente os ignorei também e me dirigi à pequena recepção.

— Boa tarde, o senhor Sesshoumaru se encontra? – perguntei, e a senhora me olhou de forma inquiridora e surpresa.

— Eu não tenho certeza... – ela voltou a me encarar – Ele é um homem muito ocupado.

— Oh, eu sei. – com um movimento da mão eu descartei esses pormenores. – Apenas me leve até a sala dele, sim?

 

Ela tornou a me olhar ponderando se devia ou não considerar meu pedido. Depois, por algum motivo que desconheço, me levou até uma segunda recepção ao lado do elevador.

— Por aqui, senhora. – uma segunda garota, também parecendo surpresa me indicou o caminho e eu entrei no elevador indo até o quinto andar. Meio abobalhada eu entrei em um segundo saguão, iluminado e entreguei minha bolsa para revista. O guarda olhou desconfiado para o Cd, mas, eu o tirei de sua capa improvisada e falei naturalmente “mp3”. Sério, ele recolocou os pertences na bolsa e me devolveu. Uma terceira secretária me interpelou dizendo: “O senhor Sesshoumaru-sama estará aqui em alguns minutos.” Credo, esse cara deve ter algum problema com secretárias... Ela me indicou um assento no saguão me avaliando com o olhar mas eu a cortei.

— A sala dele está vazia?- perguntei

— Oh, sim. Mas ele não permite que estra...

— Obrigada. – eu a cortei novamente e entrei na sala que julguei ser a dele depositando minha bolsa sob a mesa.

— Perdoe-me, senhora, mas não posso permitir que...

Pela terceira vez ela foi cortada e eu sentei na mesa enquanto esperava

— Obrigada, estou bem aqui. Não se preocupe, ele não vai se incomodar...

A irritante mulher finalmente saiu e eu examinei a sala com interesse. A monotonia dos móveis negros era quebrada apenas por um quadro abstrato na parede em um tom vermelho e laranja, obviamente futurista e também obviously caro. “Frio como um bloco de gelo” não pude deixar de pensar.

Logo o dono da sala entrou com uma expressão impassível no rosto como se não houvesse surpresa nenhuma em eu estar ali desfilando minhas pernas semi-ocultas pela saia, sentada sob a mesa do escritório dele. Notei que o rosto dele parecia cansado e lembrei do barulho das teclas quase uma semana atrás.

— Então, tem dormido bem? – perguntei por curiosidade.

— Nani? – ele levantou a sobrancelha como forma de sinalizar a esquisitice do comentário.

— Tenho, obrigado. – respondeu educadamente.

— Se você diz... – respondi indiscreta , tentada a provocá-lo e esquecer o que tinha ido fazer ali. “Oh, efeitos do meu corpo traidor”

Mais uma vez ele me encarou como um felino encara uma presa particularmente apetitosa e eu senti os meus pelos eriçarem. Oh, droga, maldito efeito, porque eu não podia me controlar quando estávamos juntos?” Então os lábios dele se abriram em um sorriso irônico e ele se aproximou provocante, colocando as duas mãos na mesa, uma de cada lado do meu corpo.

— E o que há de tão interessante no modo como eu passo minhas noites? – o rosto dele se aproximou de forma perigosa e o seu braço roçou na minha coxa.

Eu juro que meu sangue entrou em ebulição nesse minuto.

— E quem disse que há algo de interessante em uma pedra de gelo como você? – tentei ignorar os efeitos da proximidade e responder mas estava bem difícil e ele simplesmente levantou a outra sobrancelha e riu.

— Uma pedra de gelo que faz você queimar, não é?

Droga, como ele sabia? Já não era injusto o suficiente eu nunca vencer uma discussão, ele ainda tinha que ler todos os meus pensamentos? Resolvi que a discussão já fora longe demais e o fuzilei com o que julguei ser um olhar gélido.

— A única pessoa que pensou em queimar aqui foi você, meu caro. – de forma rápida desvencilhei-me dos seus braços e sentei-me em uma das poltronas em frente à mesa dele.

Penso que consegui desconcertá-lo já que ele hesitou um pouco antes de sentar-se em sua própria cadeira atrás da mesa. E esse foi um pensamento encorajador ainda mais porque a mesa estava seguramente entre nós.”um a um” pensei e sorri intimamente obviamente ignorando os nossos encontros anteriores. Afinal, de vez em quando é bom ser um pouquinho otimista.

— Então, o que faz a grande jornalista descer do Olimpo pra vir aqui me procurar?

É claro que ele já sabia da reportagem e estava só me provocando...

— Engraçado, pensei que fossem as estátuas que ficassem em pedestais.- retruquei com uma alusão ao “bloco de gelo”.

— Isso já está ficando cansativo, Kagome. – ele respondeu – Quando você finalmente entrará na parte interessante.

Engoli em seco e comecei. Isso é que é uma cortada!

— Suponho que você já está a par do assunto – eu levantei o olhar e o encarei, séria. – Eu preciso descobrir sobre uma pessoa em particular – eu me aproximei meio nervosa e ele completou meu pensamento.

— Então achou que eu era a pessoa certa pra te dar essa informação.

Eu suspirei audivelmente. Ah, aquela habitual arrogância. “Certo, não é hora de ser orgulhosa” disse a mim em pensamento. E respondi entredentes: - Sim.

Ele riu.

— Pedindo ajuda a um bloco de gelo? Uh, as pessoas mudam...

 

Ok, a minha paciência acabava de se esgotar. Com passos furiosos andei até onde ele se sentava com seu jeito sexy.

Eu pus as duas mãos na mesa, inclinando meu corpo de forma ameaçadora e os meus seios apareceram um pouquinho sob o decote. Eu senti que o gelado Sessy ruborizou e um sorriso apareceu nos meus lábios. “Bem feito, quem manda me provocar...” pensei, mas as palavras saíram sem a mínima graça.

— Eu não estaria aqui se não precisasse de ajuda então colabore, OK?

Sem querer, inclinei o meu corpo na direção dele e dessa vez o rubor foi visível bem como a direção do olhar dele.

— Então, o que você me diz?

Ele levantou e eu acompanhei o movimento, um pouco aliviada por não ter seu olhar penetrante fixado em mim. Então bruscamente ele virou e os olhos dele encararam meu rosto sério como se tentassem decifrar um enigma.

— Eu farei o possível – disse por fim – Mas preciso da história inteira.

Eu me contive pra não pular em cima dele de felicidade. Uh, finalmente algo de bom iluminava o meu dia. Mais relaxada sentei em uma das poltronas e comecei.

— Acho que nem preciso dizer o quanto o assunto é confidencial.

— Não, não precisa. – ele disse e eu ouvi o barulho da porta sendo aberta e fechando-se em seguida. A sala foi engolfada pelo silêncio  e passos fortes se aproximaram. Logo depois Sesshoumaru sentou-se na poltrona em minha frente.

— Afinal, você veio procurar o serviço secreto, não é? – novamente aquele riso que não chegava aos olhos

Ignorei a provocação e, em um tom calculado, fui direto ao ponto:

— O que sabe sobre o Shikon no tama?

— Como? – o olhar assombrado dele me respondeu

— Shikon no tama. – baixei o tom de voz.

— Jóia de quatro almas? – ele me olhou intrigado. – É sobre esse tipo de coisa que veio me falar?

— Apenas responda. – retruquei gélida analisando as reações dele.

— Não sabia que estava me interrogando. – ele me encarou e eu não desviei.

— Pelo visto há muita coisa que você não sabe. – eu tirei o CD da bolsa e fui até a mesa dele.

Percebi que ele me seguira então sentei na cadeira dele e inseri o CD no drive o computador dele. De imediato ele se inclinou na direção da máquina até que nossas cabeças ficaram alinhadas e eu senti a respiração forte dele.

— Uh... – foi tudo que ele deixou escapar quando terminou de visualizar o conteúdo do CD. Confesso que nunca tinha visto Sesshoumaru tão aturdido.

O silêncio imperou durante cerca de 5 minutos quando Sessy afastou se corpo do meu e endireitou-se em sua postura característica.

— Acho que entendo porque você precisa da minha ajuda. – ele quebrou o silêncio.

— A segunda reportagem da série saiu hoje pela manhã – eu informei e ele levantou uma sobrancelha e suspirou.

— Ah, quase esqueci que você era repórter.

Eu tentei desanuviar o clima com uma brincadeira

— Eu não esqueceria se fosse você.

Ele continuou sério, o rosto tomado pela expressão mais impessoal que eu já vira.

— Então, acho que é hora de você me contar a história por trás disso. – ele apontou para o Cd ainda no computador. – Tem cópias não têm?

— É claro que sim. – respondi.

— Está segura? – ele voltou a inquirir

— De certa forma sim.

Ele girou o corpo para voltarmos ao assunto e se bateu comigo que tinha andado por trás dele a fim de retirar o meu Cd do drive. Havia conseguido meu intento e guardado na bolsa quando o corpo dele veio de encontro ao meu a nesse instante a porta foi aberta.

Eu endireitei o corpo e não consegui registrar direito aquela figura parada na soleira da porta. Era como me olhar em um espelho deformado e ver uma porção mais séria de mim mesma.

— Meu Deus. – eu murmurei e desviei os olhos do olhar gélido daquela mulher.

A garota me ignorou com um sorriso superior e andou calmamente até Sesshoumaru que já tinha se deslocado para longe do meu corpo. Eu pude observar o terno azul-escuro que ela usava e os seus cabelos elegantemente presos em um coque. Havia toda uma classe contida em seus gestos. Tão distraída eu estava em olhá-la que não percebi o assunto da conversa e só voltei a mim quando Sesshoumaru  me sobreveio.

— Kagome?

— Oh, nani? – perguntei voltando meu rosto para ele.

— Esta é a Kikyou. Ela é a sub-secretária do departamento – ele me apresentou à mulher e eu acenei levemente.

— Esta é Kagome Higurashi. – ele voltou-se para ela que me dirigiu um sorriso distante.

Seguiu-se um momento de claro desconforto em que Sesshoumaru passou do meu rosto para o dela, franzindo a testa em uma expressão intrigada.

— Vocês são parentes? – a pergunta fatalmente veio.

— Não. – apenas eu respondi, pois a garota pareceu achar a pergunta desimportante demais para dar-lhe crédito.

Com um pedido de desculpas ela finalmente saiu, não sem antes analisar-me de cima à baixo. Eu me irritei com o topete da garota. “Quem ela pensa que é?”

De novo o Sessy me tirou da órbita chamando meu nome. Eu voltei a sentar-me e fiz uma exposição sobre o caso e minhas suspeitas e finalmente a questão do “inominável”. Logo eu já sabia exatamente quem eram as pontas nos departamentos. Além de Hust Iukimata, chefe do departamento de comércio exterior, Yu Ikari, general do exército e subsecretário do departamento de segurança nacional, Naraku, legislador e ministro da fazenda. Faltava apenas um e Sess prometeu me ajudar.

A conversa já estava em suas vias finais então Sess se aproximou e me estendeu um disquete com informações sobre as pessoas, como um dossiê. Eu sorri divertida e brinquei:

— Virou minha fonte agora?

— Não. Digamos que sou seu amante.

Eu lhe olhei com a maior cara de assombro que pude e abri a boca para protestar, mas ele me cortou e falou baixo.

— Você tem que entender, Kagome. Nós estamos lidando com o governo e tem que haver uma explicação para esse nosso súbito relacionamento. Essa é a mais simples em virtude dos acontecimentos do restaurante e todo o resto.

Eu sabia do que ele falava então apenas assenti, vermelha, lembrando dos ditos fatos.

— Foi muito perigoso você ter vindo aqui. – ele se aproximou e acariciou meu rosto com uma mão, em um gesto surpreendente de carinho. Eu fiquei surpresa, mas respondi mentalmente “Imagine se ele soubesse onde eu estou morando...” – Eu vou pedir que você não faça mais isso a não ser que haja uma emergência bem grave.

Ele me olhou e eu percebi que ele esperava alguma resposta minha, mas aquele carinho inesperado tinha me deixado meio fora do ar então simplesmente assenti.

— Vou lhe pedir que tome alguns cuidados também. – ele se afastou um pouco e eu consegui finalmente me focar na conversa.

— Quais? – perguntei.

— Eu sugiro que você saia do seu apartamento e apenas poucas pessoas saibam o novo endereço. Que você use apenas o seu celular para as ligações mais importantes e ligue apenas para celulares. Entendeu?

— Ok, eu já fiz tudo isso. – eu respondi e ele me olhou surpreso. – Eu admito, adoro filmes de espionagem.Mais alguma recomendação?

Ele riu e me respondeu.

— Por hora não.

Eu me despedi e me encaminhei para a saída tentando não pensar muito naquela história de amante. Felizmente Sess não fizera nenhuma referência ao malfadado jantar. Quando comecei a andar em direção à porta, porém, percebi que uma conversa seria inevitável. Sesshoumaru se encontrava parado em frente à porta com os braços cruzados, me encarando.

— Vai fugir? – a voz veio carregada de malícia.

— Eu não fujo. – eu me aproximei e sorri passando uma confiança que eu não possuía.

— Tem certeza? – ele me provocou, mas eu mantive o sangue-frio.

— Oh, sim. – eu o afastei e passei pela porta tocando a maçaneta. – Qualquer informação nova me liga.

— O mesmo vale para você. – ele riu e segurou meu braço inclinando sua boca na direção da minha orelha.

— Não esqueça qual é o nosso relacionamento daqui por diante, Kagome. – a voz dele na minha orelha me causou arrepios que eu rezei para que tivessem passado despercebido à ele, o que pelo visto não aconteceu já que seu sorriso se alargou.

Eu trinquei os dentes de raiva pela arrogância dele e puxei meu braço ao que ele pousou a mão na minha cintura. No caminho me apoiei na maçaneta da porta que abriu e eu acabei sendo salva de uma queda pelos dedos frios dele em minha cintura.Furiosa eu o encarei o que não era a coisa certa a fazer já que pude ver o sorriso superior dele e os seus olhos pousados em minha boca.

Sem aviso ele plantou um beijo em meus lábios ao que eu, furiosamente correspondi, ignorando a porta aberta e as pessoas que provavelmente nos assistiam do corredor. Tão repentino quanto começou, ele terminou o beijo e com um irônico “Até a próxima, Kagome” ele fechou a porta.

Eu respirei fundo para me acalmar e, sem outra opção me dirigi para a saída ignorando os olhares invejosos e curiosos às minhas costas. “O que todo aquele povo estaria pensando que nós estivemos fazendo naquela sala?” eu pensei e, bem, eu prefiro nem responder.

 

Nem bem saí do prédio o meu celular tocou. Atendi meio distraída e um silêncio sepulcral me respondeu. Tomei o caso como um engano e quase não notei o número desconhecido que brilhava no visor. No caminho até o carro, no entanto, o aparelho tocou mais duas vezes seguindo aquele padrão.

Eu confesso que um medo sem precedentes me assaltou mas a lembrança de Sess me proporcionou um pouco de segurança então eu entrei no carro e fiquei andando a esmo durante cerca de uma hora e meia, com medo de possíveis seguidores. Depois, passei mais duas horas dentro de um shoping lotado e mudei o penteado do cabelo bem como pus óculos escuros para só depois pegar o carro e ir para a casa. Decidida a relaxar, pus o Cd de Evanescence no cd player e me infiltrei no caótico trânsito de Tokio. Naquele momento não havia armas ou tráfico, mas apenas uma jovem cansada que voltava para casa na hora do rush.

Na entrada da garagem do meu novo prédio o meu celular voltou a tocar e, com o susto, eu quase atropelei um trausente, Ignorando os pulos que o vibratório aparelho dava sobre o banco eu fui socorrer o pedestre e me surpreendi ao ver a expressão aterrorizada de Inuyasha.

— Sua maluca!Se quer se livrar de mim peça ao todo-poderoso mas não precisa apelar.

Mesmo nervosa como eu estava a cena foi tão bizarra que eu cheguei a rir. Afinal, quem, dentre todas as pessoas que eu conheço, teria a chance de atropelar seu anjo da guarda? E isso me levou à outra pergunta: porque Inuyasha tinha ficado com tanto medo se ele era imortal?

— Calma baka! – eu respondi, por impulso à pergunta dele – O meu celular tocou e eu me assustei. Só.

Eu fui caminhando até o carro e ele me seguiu ainda proferindo insultos vez por outra. Nós entramos  e eu estacionei meu carro, depois subimos para o apartamento. Por todo o percurso Inuyasha estivera de cara fechada pra mim.

Nem bem eu entrei o telefone tocou causando-me um sobressalto. Depois que aquela série de reportagem passasse eu precisava consultar um terapeuta... meus nervos estavam em frangalhos. Mas como ainda não era o momento da psicologia eu atendi e ouvi, aliviada, a voz de Kaede.

— Que bom te encontrei, Kagome!

— Kaede-chan?! O que houve? – perguntei curiosa.

— Eu liguei para o seu celular, mas você não atendeu.

— Ah, então, aquelas ligações, era você? – perguntei esperançosa.

— Que ligações? Eu só liguei uma vez. Por que? – ela respondeu.

“Só uma vez.” Eu repeti tentando achar uma explicação para os outros toques porque a que eu tinha era assustadora.

— Nada. – a minha animação desapareceu. – Afinal, qual o motivo da urgência?

— A polícia federal esteve aqui, Kagome-chan. Eles querem falar com você e disseram que voltam amanhã pela manhã.

— A polícia? – perguntei com o que sobrara da minha voz

— Não, o coelhinho da páscoa. – Kaede aparentemente se irritara com a minha lerdeza.

— Oh, tudo bem Kaede. – eu finalmente entrei em sintonia. – Amanhã eu falo com eles.

— Ok, tchau. – ela se despediu e desligou.

Ainda abobalhada, eu pus o telefone no gancho  e respirei fundo. No sofá, a minha bolsa saltou de maneira estranha, chamando minha atenção e a de Inuyasha. Eu apenas a deixei e ele me inquiriu:

— VocÊ não vai atender?

— Não. – o medo da minha resposta foi palpável. – Melhor não.

Inuyasha me abraçou e eu me deixei embalar pelos braços dele e acabei contando tudo que ocorrera no dia de hoje, inclusive sobre a garota estranha, a Kikyou. Eu senti que ele enrijeceu quando eu falei dela, mas não perguntei nada. No fim, porém, a curiosidade venceu.

— Inuyasha? – chamei.

— Hum. – ele me respondeu distraído

— De onde você conhece a Kikyou?

 

 

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