Entre a Terra e o céu
Capítulo 9 – O depoimento
— Inuyasha?
— Hum?
— De onde você conhece a Kikyou?
Eu senti os músculos dele se contraindo à minha pergunta mas o silêncio prevaleceu e eu repeti.
— De onde você a conhece?
— Por que você acha que eu a conheço? – ele claramente se esquivou da resposta e eu resolvi não insistir. "Tudo a seu tempo" pensei e joguei meu corpo contra o assento do sofá.
Levantei-me em um pulo depois sentindo a minha bolsa dar pequenos saltos. Com raiva retirei o aparelho da bolsa e o joguei contra o sofá. "Será que esses contrabandistas malucos não podiam respeitar o horário do expediente?" o pensamento cretino me acometeu. "Mas também não é como se uma repórter tivesse expediente..." Sinceramente eu começo a me questionar se eu não podia ter escolhido uma profissão mais segura tipo, sei lá, alpinista. Ou quem sabe agente do SIJ.
A imagem de Sesshoumaru rodou na minha cabeça e eu resolvi tomar um banho. Frio.
Depois de um reconfortante banho quente e uma sopa meio morna eu me senti apta a estabelecer contado novamente com Inuyasha. Como primeiro passo eu simplesmente sentei no sofá ao lado dele. Hoje aquele anjo gostoso, err, irritante não me escapava!
Dessa vez foi ele quem puxou conversa. Timidamente ele me chamou;
— Kagome?
— Hum... – respondi olhando risonha para o interessantíssimo documentário sobre ornitorrincos na TV.
— Como foi o seu encontro hoje com o Sesshoumaru? – o modo tímido com o qual ele fez a pergunta me deixou desconfortável. Bolas, eu ainda não tinha me conformado com aquela história doida de missão.
— Eu já te contei, Inu-chan. – eu disse o apelido sem perceber e ele rosnou. Eu fiquei pasma, desde quando anjos rosnam? Mas também o meu anjo tem uns aspectos um tanto quanto caninos. E humanos. Percebendo o rumo dos meus pensamentos eu tratei de continuar a falar antes que a imagem dele naquele infame short pairasse na minha cabeça.
— Nós nos provocamos, eu conheci a insossa(como eu apelidara a Kikyou) e ele prometeu me ajudar.
— Ah. – Inuyahsa fez uma expressão vagamente satisfeita de quem obviamente sabia de algo que eu não queria contar e eu engoli em seco. Oh, não, aquela história de amante.
Eu virei e continuei a olhar o documentário na Tv seguida por Inuyasha.E vendo meu anjo tão interessado no modo de vida dos ornitorrincos eu não pude reprimir a piada:
— Inuyasha, Deus tem senso de humor? – meu tom de voz foi o suficiente para que ele me olhasse como se eu fosse uma retardada e eu tentei segurar o riso.
— Nani???????? - foi tudo que ele conseguiu dizer e eu passei do rosto dele para os ornitorrincos da TV e desabei na risada. Huh, eu TINHA que pegar aquele filme para assistir com ele.
Não satisfeita eu continuei a puxar conversa tentando baixar as defesas dele o suficiente para que ele me dissesse o que eu realmente queria saber. E mais uma vez ele me surpreendeu puxando assunto;
— Kagome-chan, de onde você tira essas perguntas idiotas?
— Minhas perguntas não são idiotas, Inuyasha. Qualquer pessoa na minha situação teria a curiosidade sobre essas coisas. – eu fechei a cara irritada pela expressão de "Vejam uma doida varrida" dele e continuei resmungando – mesmo porque você há de convir minha situação é muito incomum ainda mais tendo um anjo como você...
Eu percebi que tinha falado demais ao notar a expressão interrogativa dele e antes que eu pudesse fugir para a cozinha ele perguntou:
— Como assim um anjo como eu?
— Você não é bem o que se espera de um anjo, Inuyasha. – eu respondi vagamente.
— E o que se espera de um anjo Kagome? – ele me perguntou mais suavemente como se tentasse sondar alguma coisa e eu fiquei inquieta. O que ele queria saber?
— Ah, não sei. Você parece muito... humano. – eu respondi sem olhar no rosto dele e o silêncio tomou a sala.
— Eu fui mandado para conviver junto com os humanos, Kagome. – ele me respondeu como se estivesse explicando uma conta de somar a uma criança de 1ª série. – Eu obviamente deveria parecer com um. O que você esperava? Longas asas brancas?
Ele obviamente tentou me irritar e eu correspondi à expectativa dele.
— Ora, por aí mesmo. Grandes asas cachos loiros e olhos azuis. É a idéia que todos tem de anjos.
Eu percebi que ele ficou magoado pela resposta e parei de falar mas antes que eu pudesse me desculpar ele fugiu para a cozinha. Era só o que faltava, meu anjo da guarda chateado comigo. Eu não podia ter uma anjo menos temperamental... mais controlado como o Sesshoumaru. Eu tremi ante esse último pensamento. Não, já bastava o Sesshoumaru que eu tinha na minha vida.
— Uh, que pensamento monstruoso esse. – eu resmunguei e levei minha mente até a atitude de Inuyasha. A irritação dele era muito forçada para ser real. A quem ele pensava que enganava afinal? E o que ele tentava esconder?
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Acordei com a sensação de ter tido um sonho bom. Meio sonolenta vasculhei minha mente tentando lembrar o que havia sonhado mas parece que quanto mais eu tentava fazer isso, mais eu esquecia. Desistindo eu deixei que a água morna lavasse os vestígios do meu sono e me preparei mentalmente. Hoje a polícia iria me interrogar e, apesar de eu não dever nada a essa instituição eu não me sentia confortável com a idéia. Droga, quem gosta de polícia mesmo?
Depois do banho eu pus uma roupa confortável(pela primeira vez na fic) e fui tomar café. Inuyasha anunciou que ia comigo para a redação e meu bom humor não permitiu que eu me opusesse. Ele não estava zangado comigo! E é bom ser paparicada de vez em quando.
Faltavam vinte minutos para as oito quando eu cheguei na redação e recebi ao invés dos costumeiros "Bom dia" alguns elogios e uma penca de olhares hostis. Ah, eu tinha esquecido os bons sentimentos que norteiam uma redação, especialmente entre repórteres do mesmo editorial. E sem esquecer os diagramadores, é sempre bom ter um deles que gosta de você. E foi por isso que eu dirigi-me à sala de Houjo para discutir com ele o espaço que teria a próxima reportagem.
Se eu fosse mais sensata eu teria voltado para minha mês assim que ouvi os berros vindos da sala de diagramação. Mas eu não era uma pessoa sensata, oh quem diria isso de uma mulher apaixonada pelo Sesshoumaru, então simplesmente bati na porta e entrei sem me importar com os olhares fulminantes em minha direção.
— Bom dia! – eu me surpreendi com a animação da minha voz e sorri brevemente para os presentes. – Houjo eu poderia dar uma palavrinha com você?
O distraído diagramador deu um sorriso esfuziante na minha direção e saiu da sala deixando a jovem de cabelos curtos a falar com as paredes. Eu até pensei em me sentir desconfortável com a situação mas ao lembrar que a jovem em questão era Yura e que ela sempre me odiara de graça eu desisti. Se o sentimento já havia mesmo, não custava nada dar um motivozinho, não? Mesmo não proposital.
Perdida em pensamentos eu percebi que Houjo já me esperava em silêncio no corredor e dei um sorriso constrangido.
— Eu queria discutir com você o espaço da próxima reportagem.
— Ah, eu estava discutindo isso com Yura agora, kagome-chan. – ele comentou. – O quanto você quer?
Certo, ele falara a palavra mágica "Yura" e eu lhe presenteei com um sorriso encantador. Não que eu a odiasse, claro, mas também era chato pra mim ter alguém sempre disposto a me prejudicar. Tá, eu confesso, ela era da mesma linha editorial que eu. E eu comecei a explicar ao rapaz o quanto de espaço eu precisava pois na primeira página qualquer centímetro é precioso.
— K-chan, eu não sei se posso. A reportagem da Yura também é grande e – a palavra mágica de novo e eu me esforcei mais um pouco no sorriso
— Tenho certeza que você pode dar um jeito nisso. Houjo.
Ele me olhou calorosamente e eu quase pude vislumbrar o amor estampado naqueles olhos castanhos. O remorso bateu com força nesse momento e eu fraquejei. ‘Oh, deus eu me sinto uma monstra..."pensei e mal ouvi a resposta de Houjo.
— Farei o possível.
— Obrigada, Houjo. – respondi sinceramente e lhe dei um sorriso verdadeiro. – Você é um ótimo amigo.
— Obrigado. – ele respondeu sorrindo e eu percebi que ele hesitava em me perguntar algo e pensei "Huh, que não seja isso..."
— Escuta, kagome. – ele parou sem-graça. – Você quer almoçar comigo hoje? – eu não escapara.
— Sinto muito Houjo mas eu peguei pitiríase rósea e estou fazendo tratamento no horário do almoço. – era uma desculpa horrível mas pelo visto ele acreditara.
— Ah, quando você melhorar então. – ele parecia esperançoso e eu achei crueldade recusar.
— Claro. – respondi com um sorriso amarelo. – Então até mais.
— Até. – ele falou e eu saí sob seu olhar atento.
A idéia de que Yura já devia estar subindo pelas paredes de raiva não pode deixar de me trazer um sorriso.
No caminho para minha mesa eu não pude deixar de me sentir curiosa. Eu ainda não tinha visto Miroku o que era definitivamente estranho, pois ele era o primeiro a me cumprimentar com suas mãos e piadas infames. Eu tinha que avisá-lo que a foto poderia sair sem cortes.
Ao passar pela sala de Kaede eu dei de cara com uma Yura furiosa. Ela parou e me encarou e eu jurava que ela fumegava. Mas não desviei o olhar. Se ela queria me odiar me odiasse, eu não iria me importar.
Dando de ombros eu passei e a ouvi sibilar para mim um "Você me paga" . Eu apenas segui... Todo aquele clima de amizade na redação...
Ao voltar para minha mesa dei de cara com um envelope pardo por sob ela. Curiosa peguei e abri. Haviam duas fotos lá, do alvo da próxima reportagem. Espantei-me com a rapidez de Miroku, ele tinha se superado dessa vez. Revirei o envelope procurando pelo usual bilhete dele mas não o encontrei.
Miroku estava estranho... primeiro ele sumia, depois apareciam foto na minha mesa sem nenhum bilhete... definitivamente estranho. E enquanto eu queimava meus neurônios com todas essas perguntas o telefone da minha mesa tocou causando uma sensação desagradável no meu estômago.
— Kagome falando. – atendi um pouco hesitante.
— Oi princesa. – respondeu uma voz meio rouca e eu tive certeza que não a conhecia. Um estranho calafrio passou por meu corpo e eu rapidamente o controlei.
— Posso lhe ajudar em alguma coisa? – perguntei controlando minha voz.
Silêncio. E o irritante som de linha cortada.
Eu soltei minha respiração que eu nem mesma percebi que havia contido e apoiei minhas mãos na mesa tomando ar. De novo aqueles telefonemas eu não ia agüentar.
Nesse momento meu anjo de cabelos brancos entrou na sala e, ao ver meu estado, prontamente me abraçou. Sentindo-me quente e protegida eu me encostei naquele peito másculo e fui embalada por Inuyasha. Haviam poucos repórteres na sala do editorial de política àquele horário então felizmente a cena não foi percebida.
Mais calma eu sentei na cadeira com Inuyasha fazendo o mesmo à minha frente. Eu o vi respirar fundo e me encarar e em seguida ele murmurou:
— Então você já sabe.
Eu o encarei de volta, a confusão de apoderando de mim. O que exatamente ele achava que eu sabia? E porque ele me encarava com aquela cara de enterro?
— Eu sei o que? – perguntei com apreensão e ele me olhou com evidente confusão.
— Mas eu pensei que... – ele se calou e voltou a me encarar. – por que você estava daquele jeito?
Eu suspirei ante a lembrança desagradável e murmurei "o telefone" antes de voltar a olhar para baixo.
— Ah. – ele disse e eu mordi o lábio. Ele continuou:
— Receio que eu deva te dar uma má notícia. – Eu mordi com mais força. Onde estava a novidade? "Parece que hoje não vai ser o meu dia..."
Ouvi passos atrás de mim e olhos hostis grudados às minhas costas. Eu levantei a cabeça e encarei meu anjo que me presenteou com uma olhar confortados. Enchendo-me de coragem eu levantei e me virei.
Tive calafrios quando ela pôs aqueles olhos negros trasbordantes de ódio. Depois de tudo isso! E cadê Miroku quando eu precisava de uma piada? Ela andou lentamente até mim, um sorriso arrogante pousando em seus lábios frios e tive raiva até do seu curto cabelo preto brilhante que parecia zombar de mim dizendo "você é uma derrotada". Eu estava ficando assustada.
— Acho melhor você ter cuidado com o que escreve de agora em diante, Kagome. – Yura me falou em um tom leve mas eu estava consciente do doentio brilho de vitória dos seus olhos.
— Posso saber porquê?- perguntei tentando parecer fria e segura.
— Ah, porque agora eu decido o que vai aparecer no editorial de política ou não. – o sorriso dela parecia ter ganhado um enorme presente de natal.
Isso queria dizer que... merda! Yura agora era chefe do editorial de política do jornal. Lembrei-me da conversa que tive com Kaede dois dias atrás.
"Eu entrei na sala da editora-chefe que me esperava com um sorriso.
Queria me ver, Kaede-chan?
Sim,Kagome. Você sabe que Suka está se aposentando, não sabe?
Ela me deu tempo para responder e eu acenei "sim" com a cabeça então ela continuou.
Então você sabe que nós precisaremos de um novo chefe para o editorial de política.
Oh, sim eu já sabia onde ela queria chegar. Uma parte de mim estava orgulhosa pelo reconhecimento do meu trabalho. Lisonjeada, na verdade. Mas o outro lado dizia que eu era uma repórter não uma editora. Eu sorri e kaede me encarou terminando sua fala: "Acho que você já entendeu."
Eu fico muito lisonjeada com o convite Kaede-chan e emocionada mas, por hora, eu não posso aceitar. – A minha voz se embargou levemente e eu continuei – Eu estou muito absorta com minha coluna e com o Shikon no tama.
Entendo. – ela me respondeu – Você sabe que eu ainda quero vê-la editora-chefe, Kagome-chan." – ela me deu um raro sorriso.
Eu serei. – sorri de volta. – Mas não agora."
As lembranças passaram pela minha mente e eu organizei os pensamentos. Como eu recusara ela chamara Yura.
Eu levantei o olhar e vi a jovem editora e me atrevi a lhe dar um pequeno sorriso sincero.
— Meus parabéns. Mas você sabe que minha coluna é fixa portanto não está sob sua aprovação.
— Eu sei. – o riso dela perdeu um pouco do brilho. – Mas as outras reportagens estão.
Eu dei de ombros resistindo à vontade de jogar na cara dela que ela só havia sido promovida porque eu recusara. O que eu ia ganhar com isso? De toda forma as palavras dela sibilando "você me paga" ainda estavam bem frescas na minha memória. Creio que ela ficou com raiva da minha atitude porque ela falou um "É melhor você começar a trabalhar então." E saiu deixando um clima pesado na mesa. Eu suspirei ciente da ameaça.
Minha vida ia ser um inferno.
Distraidamente Inuyasha afagou meu cabelo e eu me permiti outro suspiro. Ele fez um "Shh vai dar tudo certo" e depois avisou que ia sair. Eu lhe sorri e me sentei confortável na cadeira voltando a analisar as fotos de Miroku para decidir qual a melhor. Mas a minha cabeça estava nos estranhos sumiços de Inuyasha e no mais estranho ainda sumiço de Miroku. Onde Inuyasha ia todos os dias? E o que Diabos Miroku tanto fazia que não aparecia?
Já era uma hora da tarde e eu estava terminando de escrever uma matéria sobre a troca de partido de um deputado quando me permiti uma pausa para o almoço. Pegando minha bolsa e desligando o celular por precaução eu fui comer um fast food na esquina. Eu estava realmente começando a ficar nervosa.
Quando eu voltei, uma hora depois, encontrei uma Kaede nervosa despejando frases e sorrisos sobre mim e me permiti segui-la. Ela me levou até a sala dela e lá chegando me apontou a sala conjugada, que era privativa, dizendo simplesmente:
Eles estão aí.
Eu não sei se era lerdeza ou simplesmente desatenção mas eu não tinha a mínima idéia do que ela falava.
— Eles quem? – perguntei foi o errado a dizer pois a editora exasperou-se.
— Eles quem, ora a polícia Kagome! Quem você esperava, o Papai-Noel?
Gemi umas desculpas e ela deu de ombros.
— Yura estava os entretendo. Quando entrar pode dispensá-la. Creio que ela tem bastante trabalho.
— Yura? – espantei-me. Será que Kaede não tinha percebido a guerra que se instalara entre nós duas? Deixar que ela conversasse com os policiais antes de mim... Onde Kaede estava com a cabeça?
Por via das dúvidas rezei uma ave-maria antes de entrar e me perguntei por onde andava Inuyasha. Abri a porta devagar e chamei Yura passando o recado de Kaede e a jovem editora antes de sair ainda presenteou-me com um sorriso de pura maldade. Só então eu analisei os meus carrascos da polícia.
Eram dois homens, um alto e um de estatura média. O primeiro era velho e tinha uma voz profunda que transmitia segurança. O segundo era jovem meio-corcunda e tinha uma face um pouco assustadora além de um tique nervoso irritante de enrolar o cabelo com os dedos. "Homenzinho engraçado" eu classifiquei e me sentei na poltrona em frente a eles saudando-os comum "boa tarde".
Eles se entreolharam e o mais velho se adiantou estendendo a mão. "Sou o agente Myouga da Polícia federal do Japão e este é Jaken do SIJ. O mais jovem me deu um aceno de cabeça que eu retribuí. "SIJ? Interessante, agente do Sesshoumaru..."pensei.
Passada as apresentações o mais novo Jaken dirigiu-me um olha carrancudo e disse "Muito simpática a jovem que nos recebeu." Eu lhe dei um olhar de incredulidade e reparei no seu sotaque irritante. Eu ia vomitar.. O mais velho o interrompeu e eu lhe agradeci mentalmente.
— Eu gostaria de saber qual o material que você tem e como o conseguiu.
Eu respirei fundo e comecei a explicar. Ia ser uma loonga tarde.
Eu contei a história diversas vezes omitindo a forma que Sango conseguiu a informação para desconfiança do sujeito baixinho que definitivamente não ia com a minha cara. Depois de 3 horas eu me sentia uma reclusa prestes a ser condenada à forca e a voz insuportável daquele sujeito já havia produzido uma enxaqueca terrível. Ao ser inquirida mais uma vez sobre Sango eu explodi.
— Sr, jaken, eu sou uma jornalista1 Faz parte do meu trabalho ter fonte e não entrar em detalhes sobre como elas conseguiram as informações que elas preferirem manterem sigilosas.
— Então não importa como se consegue a informação desde que a tenha não é? – ele sibilou maldosamente para mim. – A senhora sabe naturalmente que questionar a licitude da prova será a primeira que os advogados da parte farão...
Eu o olhei incrédula sobre a opinião que ele tinha de mim Céus, Yura tinha feito um bom trabalho nesse aqui lhe dando informações distorcidas sobre mim. Tá certo eu não era santa eu era uma jornalista mas eu nunca havia publicado nada que fosse mentira e não justificava aquela hostilidade gratuita. Finalmente o oficial mais velho interrompeu aquela discussão absurda e pediu ao insuportável homenzinho que esperasse lá fora. Eu apenas o observei sair derrotada na poltrona, e, ao mesmo tempo, consciente do olhar avaliador sobre mim. Então o agente Myouga se pronunciou com sua voz tranqüila e gentil.
— Não lhe dê ouvidos. Isso aqui não é um julgamento mas uma conversa. Eu lhe agradeço imensamente por colaborar conosco nesse caso.
— Não tem de que. – eu respondi com um olhar simpático. – Eu quero que isso acabe.
— No entanto você não disse tudo que sabe. – eu lhe dei um olhar e ele continuou.
— Não, não falo do modo como conseguiu as informações. – ele me lançou um olhar divertido de quem já sabia. – Eu falo de informações que você teve depois, sabe, ligações... suspeitas...
Eu já tinha percebido onde ele queria chegar e , bem, por que não?
Dessa vez eu contei sobre minhas suspeitas acerca do SIJ, da inominável e dos telefonemas mas guardei pra mim a parte de Sesshoumaru.
— Você fez bem em contar apenas para mim. – ele me disse quando eu terminei e uma dúvida me ocorreu.
— O Sr, Jaken, ele trabalha aqui em Tókio? – indaguei.
— Sim. – ele é dessa circunscrição.
O meu estômago embrulhou desconfortavelmente. Ele era subordinado de Sesshoumaru mesmo. O que droga Sesshoumaru estava pensando? Acompanhei os dois agentes até a saída e em seguida entreguei a reportagem do dia à Yura que afirmou não ter espaço.
O quão ruim um dia pode ser?
Cheguei em casa 6 horas da tarde sem a mínima idéia do paradeiro de Inuyasha ou de Miroku e me joguei no sofá cansada daquele interrogatório e da enxaqueca. Eu não conseguia ignorar aquela sensação de que havia alguma coisa errada, eu já tinha contado tudo à Sesshoumaru então porque ele mandou outro agente me interrogar? E ainda havia os sumiços misteriosos. A primeira coisa que eu fiz, depois de reclamar da vida, claro, foi tirar a cópia do Cd que o Myouga me pedira. Era a prova, ele disse.
Eu não sei se sou a pessoa mais burra da face da terra, se e não tenho mesmo sorte ou se deus me odiava. O certo é que, bem, quando eu fui conferir a tela do meu computador havia uma mensagem bem grande dizendo ser impossível copiar o Cd. Abri o drive com o original pronta para tentar de novo e não estava preparada para o que vi.
Deus me odiava. O CD havia partido.
Subitamente toda a frustração daquele dia me invadiu e eu chorei até meus olhos ferirem. Eu não agüentava mais aquela sucessão de desastres, estava nervosa e precisava falar com alguém. Então quando me vi já estava dizendo "Alô " para o sesshoumaru.
— Oi kagome. – o tom frio e insinuante dele não foi um consolo.
— Eu preciso falar com você Sess. – eu comecei e o nervosismo devia estar aparente na minha voz porque ele me interrompeu.
— Eu não posso falar com você agora. Porque você não deixar para falar no nosso jantar... A não ser que você não queira falar... prefira agir... – ele riu sensualmente e minha mente deu uma volta.
— Mas Sesshoumaru, é importante, é sobre ... – ele me cortou bruscamente como se não quisesse que eu falasse.
— Não agora. Kagome. Não por telefone.
— Então eu posso ir na... – eu estava no meio da frase quando ouvi o click assinalando o fim da ligação.
O que estava acontecendo com as pessoas hoje?
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