Entre o céu e a terra

Capítulo V - Encontros deliberados

 

 

 Era 8:30 da manhã quando eu entrei na redação do jornal e senti os olhares surpresos grudarem às minhas costas tal qual na camisa branca. "Bem, eu não sou uma pessoa exatamente conhecida por acordar cedo." resignei-me com os olhares e me dirigi até a mesa do canto esquerdo onde um jovem de cabelos pretos e meio arrepiados sentava-se com os pés apoiados na mesa.

- Bom dia, Miroku! - sussurrei e ele fez um malabarismo para não cair da cadeira com o movimento brusco provocado pelo susto.

- Bom dia, minha musa! - ele levantou e depositou um selinho nos meus lábios sentando-se em cima da mesa. - Que milagre é esse? O Sess te deixou disposta foi? - ele riu da própria piada e me encarou.

 o meu sorriso amarelou uns dois tons então ele me sentou em uma cadeira e agachou um minha frente, seu rosto assumindo um impensado tom sério.

- O que foi que aconteceu?

- Foi um fracasso. - respondi por fim baixando o olhar. Era incrível como Miroku conseguia baixar minhas defesas...

- Como um fracasso? - ele perguntou um pouco alto demais. Felizmente ninguém ouviu, pois a redação estava vazia, mas ele não escapou do meu olhar de censura. - O que houve, ele broxou?

- Não. - respondi azeda resistindo à tentação de rir com a idéia. Era incrível também a capacidade dele rir da minha cara... - Eu fiquei bêbada e não lembro de nada.

- Hum... - a face dele adquiriu aquela peculiar expressão maliciosa e ele riu - Então a minha musa incendiou a noite.

 Nas atuais condições, eu não consegui nem mesmo me irritar com os comentários indecentes dele.

- Não! - protestei enfática. - Quer dizer, não sei. -lancei-lhe um olhar de esguelha e o vi a conter o riso então a irritação apareceu. - E não fale nada sobre fogo!

 Ele riu, agora, escancaradamente e levantou me oferecendo um café.

- Relaxe, Kagome, podia ter sido pior. Ele podia ter broxado. Tem certeza que não quer posar pra minha dama? - ele apontou para a máquina fotográfica sobre a mesa e passou os olhos pelo meu corpo.

- Miroku! - eu censurei ameaçadora, mas já acostumada com seus modos. - Você é um tarado! - tentei provar o café, mas estava quente então apenas segurei o copo.

- Eu não sou um tarado! - ele fez uma careta indignada. - Eu sou um fotógrafo! O meu problema é amar demais... - o suspiro dele foi teatral demais para soar convincente.

- O seu problema é amar todas as mulheres - eu ri - de uma vez só. O que não impede que você seja um fotógrafo tarado.

 Ele me encarou e eu levantei esperando a resposta dele.

- Ta, eu sou um tarado. - Miroku fez uma careta. - Mas eu sei que você me ama.

 Eu ri da pose convencida e beijei sua bochecha.

- Sim, eu amo. Agora vamos trabalhar.

 Nós éramos amigos há bastante tempo e já tínhamos inclusive ido para a cama para descobrirmos que éramos melhores como amigos apenas. Miroku era um fotógrafo mas eu sabia que podia confiar nele. E enquanto ele encubia Shippou, o boy da firma  de comprar um CD virgem para eu copiar o cd recebido, eu comecei a traduzir a informação dada por Sango.

 Passaram-se horas de quando eu iniciei o cansativo trabalho até o momento em que eu desgrudei os olhos da tela, o estômago doendo de fome. Salvei o que eu tinha traduzido em um Cd gravável e  fui procurar Miroku. Quando passei no setor de anúncios me disseram que ele estava no arquivo do jornal procurando informações para "a mais nova manchete da kagome" então eu simplesmente lancei um olhar de desprezo para a Yura,a chefe do departamento de anúncios e me conformei em almoçar sozinha. Pus o Cd e o disquete na bolsa e saí.

 Na esquina havia um restaurante simples e com a fome já desacelerando meu pensamento me dirigi para lá. Comi um prato simples de ramém, que certamente não combinava com o clima ameno e voltei para a redação, a cabeça centrada na Shikon no tama. No caminho passei por uma loja de lingerie e comprei um conjunto novo para minha coleção e depois providenciei o café que Kaede me pedira.

  Miroku ainda não havia aparecido quando voltei, então apenas deixei meus pertences sob a minha mesa e fui até a sala da editora-chefa do jornal, kaede. Entrei distraidamente com o copo de café na mão e a minha Coca na outra(um vício), dizendo:

- Kaede-chan, trouxe seu café.

 Meu sangue gelou ao reconhecer o homem de cabelos claros que conversava com a minha chefa e eu respirei fundo em busca de ar. "ah,coração traidor, esse meu..."

- Sesshoumaru. - acenei e passei por ele tentando parecer indiferente mas corei de leve quando senti o olhar dele pousou às minhas costas.

- Sim, eu. - ele me respondeu e parou no caminho para a porta.

 Nervosa eu pus o café em cima da mesa da editora-chefa que mostrava um fingido desinteresse ante o diálogo. Depois de me certificar que o café não derramaria, eu apertei a lata de coca pra que minha mão não tremesse e caminhei para a porta, fingindo não ver aquele obstáculo de 1,80m no meu caminho.

- Você esqueceu isso da última vez. - ele percebeu minha manobra e barrou meu caminho, aproximando-se com um disforme sobretudo negro pendurado no antebraço. Eu tomei um gole da coca pra tomar coragem e fingi não ver também o olhar aturdido de Kaede.

 Ele arqueou a sobrancelha ante meu olhar sem jeito então eu peguei a roupa e o fitei nos olhos, desviando rapidamente.

- Oh, desculpe, eu esqueci o seu. - respondi.

- Tudo bem. - os olhos dele riram no rosto sério. - Desde que você não tenha ateado fogo... - dito isso ele saiu deixando uma irritada e absolutamente embaraçada kagome no meio da sala. E todas aquelas referências desconcertantes sobre fogo... Eu juro que mais uma daquela e eu realmente ponho fogo em alguém...

  Respirando com força para me acalmar eu ignorei o olhar curioso de Kaede e saí da sala dirigindo-me à minha mesa. Eu ainda pude ouvi a gargalhada de kaede no corredor. "Deus, no mesmo dia já era a segunda pessoa que ria da minha cara. Era justo?"

 Para ajudar meu absoluto bom humor tardio, qual não foi minha surpresa ao encontrar Sesshoumaru charmosamente encostado na minha mesa analisando um embrulho vermelho.Eu pude registrar o cheiro cítrico que emanava do corpo dele, os longos cabelos brancos presos em um rabo de cavalo baixo e o sorriso distante antes de perceber o que ele segurava.

- Hei, isso é meu! - eu me aproximei como um furacão e salvei a minha lingerie de renda negra das mãos dele não querendo pensar no que ele diria se visse a sensual peça íntima.

 Algo dos meus últimos pensamentos devem ter refletido na minha face pois ele se aproximou perigosamente perguntando:

- O que tem aí?

- Nada que valha a pena você ver. - respondi fria tentando desviar meus pensamentos para a coca que eu deixara sob a mesa.

- Ah, eu tenho certeza que vale ou você não estaria escondendo. - de novo aquele irritante tom professoral.

 Ele voltou  se aproximar e eu não fiz nada para me afastar, disposta a deixar acontecer, certificando-me apenas que o pacote não cairia em suas ardilosas mãos.

- Eu não teria tanta certeza sobre coisas que fogem do meu entendimento. - retorqui  provocante e me lembrei de uma indagação que persistia:

- Onde está meu carro?

 Ele riu daquele jeito frio e eu me perguntei se ele não sabia rir de outra maneira.

- Está comigo. - Sesshoumau respondeu e eu não contive um suspiro aliviado. - Eu lhe entregarei no jantar de hoje.

- Como você garantirá que eu não vou acordar no seu apartamento amanhã? - perguntei irônica

- Qual o problema do meu apartamento? Não gostou da decoração? - ele perguntou malicioso e eu me remexi indignada "Quem ele pensa que é pra falar comigo desse modo?"

 A indignação cedeu lugar ao desafio e eu lhe dei um sorriso zombeteiro.

- Certo, então. Mas sem vinho.

 Ele me deu um pequeno sorriso de deleite e roçou seus lábios nos meus  deixando os pelos do meu corpo eriçados e o meu estômago dando voltas

- Eu passo no seu apartamento às sete.

 Eu podia jurar que a água do meu corpo estava fervendo.

 

 

*************************

 

 Trabalhei naquele disquete até umas quatro horas da tarde quando minha vista cansada pediu um descanso então salvei esse outro pedaço no disquete  e segui pra a casa.

 No caminho encontrei Shippou e ele me entregou o Cd virgem que Miroku pedira. Com um efusivo agradecimento e algumas brincadeiras despretensiosas eu me despedi e continuei meu caminho.

 Cheguei em casa cerca de quatro e meia, visto que viera andando e não havia nem um sinal de Inuyasha. Suspirei intrigada com o desaparecimento dele e tirei uma cópia do Cd deixando-a no porta-Cds da escrivaninha. Refletindo melhor achei que aquele era um lugar um tanto óbvio então peguei o cd e pus dentro da edição única de Senhor dos anéis de Tolkien, na parte central do guarda-roupa de 6 portas.

 Satisfeita comigo mesma por esse toque de genialidade eu escolhi o vestido que usaria aquela noite e tomei um demorado banho de chuveiro lavando os cabelos e espalhando um pouco de óleo perfumado pelo corpo. Eu tinha que estar maravilhosa essa noite, ou não?

 Quando Inuyasha chegou, eu tinha acabado de tomar banho. Curiosa, pus um roupão e fui na sala sondá-lo pra ver o que ele fizera na rua. Em vão... Quando lá cheguei, ele tinha acabado de entrar no banheiro e eu pude ouvir a zoada do chuveiro ligado. Meio desapontada eu voltei para o quarto e comecei a me arrumar. Meia hora depois, ao som de Save-me de Remy Zero eu saí do quarto usando um belo vestido azul até o joelho e uma sandália preta. Na sala, Inuyasha dormia, como um anjo eu podia acrescentar, usando apenas aquele short.

 Sete horas. Sentindo o nervosismo me dominar eu voltei para o quarto e pus o Cd de Enya. A campainha tocou e eu respirei fundo contando até 10. Dei uma última conferida no espelho e saí do quarto.

 Na sala uma cena bizarra me esperava. Parados na porta estavam Sesshoumaru e Inuyasha se encarando desafiadoramente. "Como se estivessem a se preparar para um combate" não pude deixar de acrescentar.

- Eu já estou pronta, Sesshoumaru. - falei suavemente tentando desfazer a tensão. - Deixe-me apenas pegar seu sobretudo.

 Sesshoumaru me encarou com sua expressão impassível, mas por dentro eu podia senti-lo ferver. Novos pensamentos sobre fogo... Ele interrompeu meu momentâneo devaneio jogando a chave o deu carro para Inuyahsa que pegou em um reflexo.

- Não precisa. - disse por fim. - Dê pra outra pessoa. Pelo visto tem gente que está mesmo precisando de trajes.

 Ele disse a última frase com tanta ênfase que por um instante eu pude sentir a emoção ali contida. Depois ele simplesmente saiu da sala e me deixou parada tentando absorver a cena. Penso que isto já está virando um costume.

 Deve ter se passado meio minuto quando meu cérebro finalmente processou o acontecimento. Olhei para Inuyasha de short, em frente à porta e tive a última reação que eu poderia pensar: rir, do meu nervosismo, dos absurdos pelos quais a minha vida estava passando. "Quem diria, Sesshoumaru com ciúme do meu anjo da guarda" pensei sarcasticamente e por um instante cogitei a idéia de ir atrás dele, mas desisti. Então apenas pedi a Inuyasha que fechasse a maldita porta e sentei-me no sofá afundando o rosto nas mãos.

 "Meu Deus!" eu não parava de repetir baixinho. Não conseguia acreditar! Era a segunda vez que eu tinha um encontro com o homem da minha vida e eu simplesmente estragava tudo. "Isso não é justo!" Resmunguei quando as lágrimas substituíram o riso borrando minha maquiagem e, numa velocidade surpreendente, Inuyasha estava sentado ao meu lado me abraçando.

 "Me desculpe" ele sussurrou. "Eu não devia ter ido abrir a porta. Sei o quanto significa para você." Ele me abraçou sem-jeito e aquela horrível tentativa de consolo acabou por me acalmar. "Tudo bem" respondi secando as lágrimas. "Não foi culpa sua." Ele me abraçou por mais alguns minutos nos quais eu pensei que anjos da guarda deviam ser melhores na hora de consolar pessoas. Mas talvez só Inuyasha fosse assim, ruim. Ele não é bem o que se esperaria de um anjo...

 O último pensamento invadiu minha mente eu senti novamente o calor do corpo dele e minha face avermelhou. Sem jeito, desvencilhei-me dos seus braços e levantei dizendo:

- Err... Acho que vou tirar esse vestido

 

**********************

 

 Quando saí do quarto, enfiada em uma camisola de algodão e já de rosto lavado, Inuyasha estava na cozinha. Curiosa, fui conferir o que ele fazia lá e para minha surpresa ele tentava ligar o microondas. A cafeteira estava ligada e o café pingava. Acrescento que ele era tão bom na cozinha quanto para me consolar então fiquei com pena e pedi uma pizza e uma coca.

- Kagome,eu preciso falar com você. - ele disse entre uma mordida e outra.

- Hum, fale. - respondi distraída pelo enorme pedaço de presunto que ameaçava cair da minha fatia.

- É sobre minha missão. - ele acrescentou e os pensamentos sobre presunto sumiram da minha cabeça.

 Fiquei calada esperando ele começar a falar, a curiosidade aumentando junto com o silêncio.

-Você realmente gosta do Sesshoumaru, não é? - ele realmente me pegou de supetão e eu pisquei sem entender"O que o Sesshoumaru tem a ver com a missão dele?"

- Muito. - respondi, por fim, deixando a muda indagação se espelhar pela minha face.

- Bem, então é isso. - ele falou com um suspiro. - Eu tenho que juntar vocês dois.

- O que? - eu berrei espantada e me levantei. - Eu sou alguma incapaz que não pode arranjar um namorado, sozinha?

- Digamos que ELE achou que você precisava de uma ajudinha. - Inuyasha olhou para cima depois me encarou zangado. - Você devia se sentir especial, pois com tantas coisas a consertar no mundo ELE me mandou para te ajudar.

- Eu preferia que você tivesse ido acabar com a guerra do Iraque! - gritei exasperada. "Será que depois de tudo que eu tenho passado, ainda tenho que descobrir que Deus me acha tão incompetente a ponto de mandar um anjo pra me ajudar a arrumar um namorado?!"

- Se isso lhe consola eu também preferia acabar com a guerra do Iraque. - Inuyasha respondeu sério e, ignorando minha face absolutamente chocada e arrasada, foi para a cozinha.

 De alguma forma as palavras dele me feriram profundamente e eu fiz o que uma mente desestruturada e terrivelmente estressada faria: Chorei. Dessa vez Inuyasha chegou apenas quando eu estava soluçando e confesso que foi um pouco melhor. Talvez pela prática. Triste e abatida eu apenas deixei que o abraço dele me envolvesse e só quando meus soluços cessaram é que ele voltou a falar.

- Querendo ou não, Kagome, minha missão é essa.

- Deus, que droga de mulher eu sou que preciso de um anjo pra conseguir conquistar o cara que eu gosto?

 Em um gesto espantosamente gentil ele levantou meu rosto e me encarou sério.

- Uma mulher chata, feia, arrogante, incompetente - eu abri a boca para protestar quando percebi que ele estava me provocando.

- Eu não estou aqui pra fazer nada por você, Kagome, mas pra lhe ajudar. Não é bom uma pessoa viver sozinha como você tem vivido desde a morte de sua família. Talvez ele tenha achado simplesmente que você precisava de companhia.

- E onde ele estava quando minha família inteira morreu naquele acidente? E onde ele estava quando eu tive que abandonar o templo e vir pra cá pra terminar minha faculdade? Por que eu deveria acreditar nele agora? - eu comecei a protestar, mas minha ira foi abrandando diante do olhar magoado de Inuyasha. Ele não tinha culpa, afinal, era só mais um joguete daquele divino ser cruel.

 Como se adivinhasse meus pensamentos Inuyasha secou minhas lágrimas  e voltou a me olhar.

- Não é crueldade, Kagome. Talvez simplesmente fosse a hora deles. Talvez isso precisasse acontecer pra que você crescesse.

- Foi um modo bem cruel de crescer. -  

  O meu humor estava começando a melhorar então me permiti um pequeno sorriso e disse:

- Para alguém que precisa me juntar com o Sesshoumaru, você começou bem hoje. - eu lembrei da cena da porta e constatei que ele realmente precisava de roupas.

- Feh, isso foi um acidente de percurso. - o jeito antigo dele voltara e nós levantamos para retomar a pizza.

- Err... Inuyasha, o que você foi fazer hoje na rua? - perguntei depois de um pedaço de frango com catupiry. Para minha surpresa ele me respondeu:

- Fui visitar uma conhecida. - ele foi evasivo e eu não insisti.

- Amanhã você devia vir comigo. Você precisa de roupas, sabe. - falei observando a face dele adquirir uma expressão meio maliciosa que não combinava com sua posição de anjo.

- Preciso? - eu corei, mas assenti.

- Precisa. Não posso arriscar que o Sess lhe encontre metido nesse short de novo. - respondi com um sorriso vitorioso. “Bem, 3 a 2”.

 

 Mais tarde quando eu o analisava para descobrir que número ele usava me ocorreu uma curiosidade. Eu ri e corei baixando a cabeça.

- Inuyasha? - chamei.

- Hum... - ele olhava distraído para a TV.

- Vocês anjos... err... Vocês são equipados?

 Inuyasha levantou a cabeça sem entender e eu amaldiçoei toda a lerdeza do mundo.

- Como?

- Ah, você sabe, equipados... - gesticulei mudando a entonação da palavra e meu rosto ganhou mais uns três tons de vermelho. Agora, eu parecia uma maçã. Percebi que ele também corara e se esquivou da resposta.- por que a pergunta agora?

- Ah, eu vi num filme que os anjos não tinham, err... Você sabe. - eu avermelhei um pouco mais e agora já poderia ser confundida com um  tomate.

 Ele se calou e abaixou a cabeça novamente e eu voltei a perguntar e ri da cara dele. Já tinha começado mesmo...

- Então? Você n - eu comecei a pergunta, mas parei. O rosto dele se crispou de vergonha e irritação e ele se afastou em direção à cozinha dizendo:

- Feh, você não espera mesmo que eu responda, não é?

 Eu gargalhei sozinha, na sala, da vergonha dele e imaginei o muxoxo vindo da cozinha.

- Já que você não respondeu vou tirar minhas próprias conclusões. - Dessa vez o muxoxo foi audível e eu continuei a rir com uma desequilibrada pensando. " Yes! Três a três!"

 

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