Entre a terra e o céu
Capítulo I - Encontro casual
Ela descruzou as pernas nervosamente, o vestido subiu um pouquinho enquanto perscrutava o ambiente ao redor à procura de um jovem de cabelos brancos. Sim, ele estava lá, impecável como sempre, metido em um terno escuro naquele calor infernal de junho. "Vamos Kagome, é só chegar lá e falar com ele. O que poderia dar errado?" Ela pensou encorajando-se. "Eu poderia tropeçar e cair na frente dele, ou pior, cair em cima dele." ele completou o pensamento amarga. Não que fosse estabanada ou algo assim, normalmente era segura e poderia acrescentar divertida. Apenas, ele a deixava nervosa e ela acabava sempre sem saber o que dizer.
"Eu só preciso chegar lá e dizer Oi" ela respirou fundo e entrou no recinto. "É só puxar conversa e pronto". Um garçom apareceu e lhe indicou uma mesa vaga mas ela o dispensou com uma desculpa.Já estava próxima, a alguns metros. "Só mais uns passos." Ela equilibrou-se sobre o salto de 12 centímetros e um sorriso tomou conta do seu rosto sentindo a adrenalina se espalhar na sua corrente sanguínea. Afinal era uma repórter e estava acostumada com situações de nervosismo e stress. "Ainda bem que passei aquela loção que deixa a pele macia."Seu vestido preto voltara a estar dois dedos acima do joelho moldando o corpo enquanto andava e o sobretudo na mão lhe conferia uma aspecto elegante.
Seu estômago parecia ter dado um nó quando ela finalmente chegou na mesa almejada. Parou em frente ao cavalheiro sentado e sorriu nervosamente.
- O-olá! - Pronto, ela falara. O jovem levantou os olhos do menu e a fitou, o reconhecimento passando pela sua face.
- kagome? - ele perguntou sorrindo e ela moveu os lábios de volta."Bom, pelo menos ele sabe o meu nome. Já é um começo."
- Como vai, Sesshoumaru? - perguntou com interesse.
- Bem melhor agora. - ele respondeu cortês, porém, distante e apontou a cadeira em frente. - Por que não se senta?
- Não precisa, obrigada. - ela respondeu e apontou uma mesa aleatoriamente. - Eu estou indo pra lá.
- Eu faço questão. - ele retrucou encerrando a questão.
Kagome sentiu suas pernas tremerem enquanto sentava graciosamente e sorriu levemente quando Sesshoumaru pediu outra taça ao garçom
- Então, o que tem feito de interessante? - ele perguntou voltando a atenção para a garota.
- E-eu? - ela tentou ao máximo não gaguejar. - Eu estou com a minha própria coluna no NHK News (Alguém me diga o nome de um jornal de grande circulação no Japão!).
- E sobre o que você escreve? - inadvertidamente ele mordeu o lábio deixando Kagome com a sensação de ter borboletas no estômago. “Ora, você não tem vinte e três anos! Tente se controlar!" Ela se recriminou e resolveu entrar no jogo dele.
- Escrevo sobre muitas coisas. - ela tentou sugerir mais do que propriamente dizer naquela frase. - Coisas que valem a pena.
Os passos atrás de si lhe advertiram que o garçom se aproximava provavelmente com a taça solicitada e rezou silenciosamente para que sua sem-jeitice não atrapalhasse os planos que tinha para aquele jantar. Imediatamente cruzou as pernas de novo e o vestido preto subiu um pouco. "Vai dar certo." respirou fundo enchendo-se de confiança. Sesshoumaru era o tipo de homem para o qual muitos vestidos subiam, mas ela sabia que, de alguma forma, podia ser diferente.
Uma taça contendo vinho tinto pousou a sua frente e o nervosismo novamente lhe acometeu. "Oh, Deus, eu não posso tomar vinho" ela pensou, a sua esperança de passar uma imagem femme fatale desaparecendo. Eu posso embebedar e aí não quero nem pensar...
Sesshoumaru lhe presenteou com um sorriso e levantou a taça em um brinde.
- A esse inesperado encontro.
“Inesperado pra você, meu caro” ela pensou antes de erguer a própria taça. O líquido vermelho-sangue lhe parecia sedutor e ela tentou manter-se firme no propósito de não beber além do que podia. Depois do brinde Sesshoumaru levou a taça aos lábios e kagome inconscientemente imitou-lhe o gesto. De imediato sentiu o líquido penetrar no seu corpo e um sorriso involuntário despontou nos seus lábios enquanto um calor vindo não se sabe de onde lhe envolvia o corpo.
"Isso não vai dar certo." ela pensou e distraidamente olhou para baixo para notar que suas mão já não tremiam. "Enfim um bom sinal." Ela sentiu Sesshoumaru lhe observando e se remexeu na cadeira com nervosismo. "Droga, por que ele tem que ter esses olhos tão enigmáticos?!" ela pensou esforçando-se para continuar concentrada na conversa.
- Então, você ainda não me contou o que veio fazer aqui... - ela o ouviu dizer.
Rapidamente Kagome tomou um pouco de vinho e improvisou uma resposta.
- Vim atrás de... uma notícia. - era uma meia verdade, mas não importava. "Ótimo, pelo menos eu só gaguejei um pouquinho."
- Ah... - ele levantou uma sobrancelha e depositou a taça na mesa. - Qual a notícia que existe por aqui?
"Pense rápido" ela se ordenou e mecanicamente tomou um bom gole de vinho sentindo o calor irradiar-se pela sua pele.
- Ora, Sesshoumaru, eu sou uma repórter, não posso revelar minhas fontes. - ela sorriu e recostou-se na cadeira passando os dedos na borda da taça. - Pode não ser exatamente um fato.
Ele sorriu de volta e levantou a sobrancelha novamente, mas ela percebeu que o riso não atingia o olhar. Kagome se viu mergulhar na masculinidade daquele homem frio de misterioso. " Eu adoraria botar fogo naqueles olhos" ela pensou corando levemente. O pensamento fugiu no momento em que ele lhe respondeu.
- Se não é um fato talvez seja uma pessoa. - os seus olhos recaíram na face dela que se tornou rósea. - Por acaso a notícia sou eu?
Ela sentiu seu rosto esquentar novamente lutando para se controlar. "Não desvie o olhar" algo lhe dizia. "Ah, droga, por que eu não paro de me comportar como uma adolescente?" Ele tomou outro um longo gole de vinho antes depositar a taça novamente vazia sob a mesa.
- Você daria uma boa notícia? - perguntou.
- Acho que todos poderíamos render uma boa reportagem se alguém se dispusesse a escrever. - ele respondeu frio e lhe mandou um olhar penetrante esvaziando a própria taça. - Você daria uma boa notícia, Kagome?
Ela sentiu que ele se esquivara da pergunta e fez o mesmo sentindo a sua cabeça pesar e seu olhar sair de foco.
- Se eu não fosse a repórter... - ela piscou inúmeras vezes em uma tentativa de fazer sua vista voltar ao normal ao mesmo tempo em que continha um bocejo e levantou cambaleando.
- Está tudo bem? - ele perguntou levantando também e oferecendo-se de apoio. Apesar do gesto sua voz não continha preocupação.
- Acho que você terá que me levar para a cama, Sesshoumaru. - ela murmurou apoiando-se nele enquanto a vertigem tomava conta de seu corpo. E ela não notou que seu vestido subiu mais um pouquinho no ato de se levantar.
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