Aviso: Não vou dizer quem é o personagem principal para não estragar a surpresa (Na verdade o nome dele só aparece daqui a dois capítulos). Não sei quantos capítulos vai ter e tampouco posso afirmar que atualizarei toda semana, mas, bem, eu vou tentar.
Prólogo
Entre becos
Ele corria pelas ruas e vielas do subúrbio
londrino. A escuridão não era total porque de quando em quando haviam postes
com lâmpadas avermelhadas. Ele não sabia ao certo o quanto já havia corrido e
desistira há muito de imaginar onde estava.Seu único pensamento era correr,
correr para longe daquela loucura toda.Mesmo no estado em que se encontrava não
poderia ser confundida com um ladrão barato, sua veste preta eram finas e a
capa com capuz diziam claramente que ele não pertencia àquele lugar.
Sem perceber ele virou à esquerda entrando
no que parecia ser um beco. Era um pouco mais escuro que a rua em que estivera,
mas não tinha importância. Ofegante ele se apoiou na parede suja e respirou
fundo observando o que ele pensou ser a saída. Deparou-se apenas com o muro
preto. “Diabos!” Ele praguejou pondo-se em posição de combate. Não
conseguia ver seus perseguidores, mas sabia que estavam perto. “Bem perto”
ele pensou ouvindo o barulho dos passos. Precisava agir rápido. “O pior é
que o meu contato morreu antes que pudesse me dizer para onde ir”. Os passos
se aproximavam e ele pôde vislumbrar um capuz antes de se decidir. Mas não foi
rápido o suficiente. Um segundo e sua varinha voava caindo a um metro dos seus
pés.
Ele avaliou suas chances “Aparatar está fora de
cogitação por causa do maldito feitiço rastreador. Só tem uma saída”.Ele
encarou os olhos frios do comensal que brandia a varinha em um movimento
conhecido. “E o pior é que a qualquer momento o efeito da porção vai
passar. Inferno!” Em uma última tentativa ele tateou seu bolso à procura da
moeda. Meio sem pensar seus dedos se fecharam sobre ela e ele se jogou no chão
em busca da varinha. E ele não pôde ver o raio vermelho que cortou o ar.
A primeira coisa que ele percebeu quando soltou a moeda
é que aquela rua era bem iluminada. Levantando-se, ele arrumou as vestes e
conferiu o lugar, estava deserto. “Ainda é Londres” pensou observando o
formato das casas. “Certamente este é um bairro bom, contudo, não é longe
do lugar de onde vim”. Um pouco confuso ele recolheu a moeda e sentou no
meio-fio. Por que a chave de portal o teria mandado para lá? “Foi-me dito que
a chave levaria a um lugar seguro, um refúgio. Então, o que eu faço aqui no
meio da rua?” Tentando raciocinar ele observou bem o lugar o qual se
encontrava. Era o passeio de uma das casas. O muro era baixo e existia um
pequeno e bem-cuidado jardim que desembocada em uma varanda. A casa, em si, também
parecia perfeitamente normal. “Mas o portal não me teria trazido aqui sem um
motivo. Talvez more nessa casa algum agente da organização...”
Sentindo o cansaço tomar seu corpo ele resolveu entrar
e procurar por alguém. O portão estava aberto e ele tomou isso por um bom
sinal. Caminhou devagar sentindo sua cabeça pesar a cada movimento. “O que
está acontecendo?” Ele pensou. “É certo que eu corri bastante, mas isso não
causaria essa sensação de náusea”.O seu abdômen doía e ele sentiu a sua
camisa molhada. “Será que... Oh, merda!” Ele constatou ao ver o sangue na
sua mão. Chegando na varanda sentou em uma cadeira e pensou em como teria se
ferido. Subitamente a imagem lhe veio. No momento que seus dedos se fecharam na
moeda e ele pulou sem sucesso para alcançar sua varinha o raio passou de raspão
pela sua barriga. “Ah, que ótimo” Ele falou baixinho sarcasticamente,
“Cansado, ferido e ainda sem varinha.”
Estava frio e ele já sentia a umidade penetrando pelas
dobras do seu casaco. Ignorando a dor no corpo ele levantou e forçou a porta
esperando encontrá-la fechada. Para sua própria surpresa ela cedeu e ele não
tardou a entrar sentando-se em uma poltrona junto à lareira.
>>Próximo