Free ride
 

 

O QUE É O FREERIDE?

  Quem são os ciclistas que cruzam as cidades e as trilhas em busca do "drop" perfeito?

Kdra dropa num barranco próximo a 23 de maio - SP  O que um banco de praça, um barranco com quase 90graus de inclinação e um tronco de árvore atravessado no meio da trilha podem ter em comum? Para muitas pessoas praticamente nada. Mas, para alguns mountain bikers mais "adrenados", os três exemplos citados só caracterizam uma coisa: obstáculos para a prática do "Freeride", modalidade que vem ganhando espaço no cenário off-road das bikes.

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Você viu a linha!? Você viu a linha!?" Foi com esse entusiasmo que Luciano Kdra, mountain biker profissional de 32 anos, saiu gritando após "voar" sobre uma enorme erosão na Serra da Cantareira, em São Paulo. Mas o que vem a ser a tal "linha"?

Freeride num terreno perto do Juqueri, Franco da Rocha -  SP  Existem várias formas de se fazer uma mesma trilha. Um esportista que tem mais técnica, geralmente escolhe um caminho, a "linha", mais radical. Enquanto o iniciante procura o meio mais fácil de transpor o trajeto. "É o que define o espírito freerider, o modo como se enxerga a trilha e cria os obstáculos, em suma, o caminho a ser seguido", responde Kdra.

Sem Barreiras

  Existem apenas dois requisitos para se transformar em um freerider: ter uma bike (de preferência uma full suspension - suspensão nas duas rodas) e muita imaginação.

 Kdra no Vale do Anhagabaú - SPÉ isso mesmo! Basta pegar a magrela, abrir o portão de casa e sair pedalando. Uma calçada mais alta, aquela rampa na pracinha da rua de cima ou até mesmo um lance de escada podem ser considerados os primeiros passos na prática do esporte. "Só basta ter vontade de andar de bicicleta e espírito de aventura. A partir daí qualquer coisa passa a ser um obstáculo".

  Segundo Kdra, os pequenos obstáculos servem como treino para os maiores. "O nível técnico, quando respeitado, vai aumentando gradativamente e assim as barreiras vão sendo quebradas".

Origens

  A modalidade é excitante. Para quem assiste a um freerider mais experiente a vontade é a de agarrar a bike e encarar os obstáculos."O que mais fascina é que além de completar outras modalidades, o freeride é complementado por elas", diz Carlos Miranda, praticante do mountain bike amador. "Isso faz com que o estilo se transforme em um espetáculo bonito de se ver".

  Downhill no Deserto de Moab - EUADo Downhill, descida de montanha contra o relógio, o freeride herda a confiança nas manobras em alta velocidade que exigem mais reflexo do piloto. Do Slalon, prova eliminatória com obstáculos e balizas, veio a agilidade e firmeza na pilotagem. O BikeX, considerado o supercross das bikes, e o Dirt Jump, seqüência de rampas, fornecem a ousadia e a técnica para os saltos. Já o Bike Trial, por ser muito técnico, facilita a superação dos obstáculos. E por fim, o Cross Country, prova de circuito aberto onde os pilotos enfrentam dificuldades naturais como subidas e descidas, complementa o freerider com resistência e determinação para o praticante.

Downhill no Deserto de Moab - EUA  Mas como nada é de graça, o freeride paga a moeda, e com sobra, proporcionando para essas modalidades um melhor domínio, uma visão maior de como transpor obstáculos e o arrojo o que, às vezes, limita os pilotos nas competições. Como já deu para perceber: É uma forma ampla, simples e completa de andar de bicicleta.

Equipamentos e segurança

  Em uma trilha as surpresas são muitas. Quando menos se espera está lá uma vala mais funda, um toco fora do lugar, pedras soltas e o mais chato: arames farpados, quase sempre muito bem camuflados. Isso, na maioria das vezes, proporciona uma luxação fora de hora, muitas raladas e no pior dos casos alguns ossos quebrados.

  Para evitar esses imprevistos desagradáveis, muitas fábricas com grandes marcas como Fox, Kaerre, Troy Lee, Giro, entre outras, se dedicam integralmente ao desenvolvimento de produtos de segurança, que se tornam, cada vez mais necessários para que os esportes radicais evoluam e seus praticantes possam ultrapassar barreiras no melhor estilo Freeride.

  Para isso, Luciano Kdra, como profissional off-road, irá dar algumas dicas de como se comportar e se equipar nas trilhas:

- Use sempre o equipamento de proteção adequado. Para trajetos mais fáceis as luvas e o capacete já protegem bem. Em casos mais extremos, como descidas em alta velocidade e trilhas mais técnicas use o equipamento completo: luvas, capacete fechado, óculos, camisa manga longa, cotoveleiras, calça ou bermuda tipo motocross, joelheiras e em alguns casos até um colete.

- Quando decidir começar a praticar o esporte, faça a opção de comprar o equipamento de segurança antes da bike. Assim você evita de cair na tentação de andar desprotegido.

- Faça revisões periódicas na bicicleta. Aperto de parafusos, alinhamento das rodas, etc...

- Mantenha a bike sobre controle e pedale sempre com segurança.

- Respeite as trilhas mantendo-as limpas

- Respeite os outros off-roaders. Todos estão procurando se divertir.

Vocabulário:

Freeriders - praticantes do freeride.
Mountainbiker - praticante do mountain bike.
Drop - descida de obstáculo.
Varar - saltar um obstáculo.
Tunga - uma varada mais radical.
Vala - espaço entre dois saltos.
Transição - rampa de decolagem de um salto.
Recepção - rampa de pouso de um salto.
Duplo - transição + vala + recepção.
Local - seqüência de duplos.
Drop no zero - salto além da recepção do obstáculo.
Casca - obstáculo difícil.
Vai lá que eu filmo - expressão usada quando o obstáculo é casca e você dá preferência que outro biker o ultrapasse antes.
Bob ou Bunny hop (salto do coelho) - saltar para cima ou transpor um obstáculo.
Baba ou só o pó - estado lastimável do piloto.
For Fun - somente para se divertir.

 

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