Aprenda a tecer com tear de pente-liço

MANUAL DE MONTAGEM DO TEAR DE CAVALETE

Atenção:Acesse esse link somente se estiver utilizando teares equipados com urdideira portátil

Os primeiros passos

Seguindo esse roteiro, você poderá iniciar a atividade de tecelagem, aprendendo com a própria prática. O tear é um instrumento de tecnologia simples, que pode, no entanto, abrir um amplo campo de atividades. É, provavelmente um dos investimentos mais econômicos em proporção ao potencial de retorno que oferece, dependendo,naturalmente, das próprias aptidões e discernimento de quem o utiliza.

Começando pelas coisas mais simples, você poderá alcançar um conhecimento profundo mediante pesquisas e práticas. E esse é o propósito desse curso virtual: permitir que uma pessoa adquira um tear e possa começar a gerar sua própria autonomia de uso, seja por lazer ou para aplicações profissionalizantes.

O modelo de tear de uso nesse aprendizado é o tear de pente-liço.

Na foto acima se pode observar o pente-liço do tear. Observe que cada dente tem um furo retangular,bem no meio de cada dente,e um espaço regular entre os mesmos. A função desse pente é manter o espaçamento entre os fios da urdidura, formar as duas calas (abertura do urdume que será explicada adiante), e também, bater a trama, formando o pano.Na foto acima, o pente médio.

Esse tipo de tear pode utilizar pentes com espaçamentos diferentes: o básico é o da foto, com espaçamento 2:1, ou seja, dois fios por centímetros. Esse espaçamento se forma colocando um fio no furo e o fio seguinte, no espaço entre os dentes (fenda), sucessivamente.Nossos pentes são exclusivos e inovadores: com furos retangulares permitem a passagem de fios grossos, duplos ou irregulares, protegendo a fibra de fios delicados pela característica deslizante do nylon natural utilizado na produção dos pentes.

    Outra medida de espaçamento: 4:1 (4 fios por centímetro), 1:1 e misto - alternando alguns dentes médios e alguns dentes finos. Esse pente é de uso especial e fornecido sob encomenda.

No pente com um espaçamento de 2:1, dois fios por centímetro, ao pretender fazer uma peça que tenha, digamos, 30cm de largura, esta medida deverá ser multiplicada por dois, portanto, 60fios. Como sempre é conveniente reforçar as bordas do tecido artesanal, é costume colocar dois fios juntos em cada lado; totalizando, portanto, 62 fios.A primeira coisa a ser feita é, planejar uma urdidura, que são os fios que irão ser colocados no pente do tear.

O próximo passo será estabelecer o comprimento total da urdidura,  que será o tamanho da peça pretendida, somada a 50/60cm da perda produzida pelo tear, mais 15% pela retração dos fios ao tecer, o que irá também depender do tipo de fio, sua elasticidade e tensão necessária para tecer esta peça. Isso, a experiência irá demonstrar, mas pode iniciar fazendo  urdidura para apenas uma peça de cada vez, segundo essas indicações.

                            

                                     Urdideira giratória

                 

Preparando uma urdidura com a urdideira giratória ou utiliando a urdideira portátil acoplada ao tear (exclusividade de nosso ateliê).                   

Vamos tomar como exemplo, um cachecol que tenha um comprimento de 180cm. Somando mais 60cm e um porcentagem de retração, digamos que cada fio da urdidura irá ficar com 300cm. Essas medidas serão para fazer um cachecol com 27cm de largura, portanto 56fios.                                   

 

 

Urdideira giratória. Nesse modelo, cada volta corresponde a um metro de urdidura.

      Na seqüência, vem uma apresentação de alguns instrumentos e o modo de utilizá-los.

      Esse urdideira permite, além de fazer a urdidura, manter o que se chama "memória do urdume"; consiste numa espécie de "oito" formado pelos fios e que irá manter a mesma ordem ou seqüência em foram colocados. Isso, além de evitar que os fios fiquem muito embaraçados na hora de colocar no tear, facilita muito o trabalho com urdiduras coloridas, onde a seqüência é  fundamental. 

 

                                 

Na foto acima, demonstração do trajeto do fio (azul), formando uma espécie de "oito" entre os 3 pinos superiores. No ponto em fios se cruzam (entre o primeiro e o segundo pino, será mantida a seqüência original de colocação dos fios na urdideira. Isso permitirá um planejamento de urdidura colorida, e a colocação no pente do tear, na mesma ordem em que os fios foram colocados na urdideira.

Fazendo um laço na ponta do fio, encaixar no

                               

primeiro pino inferior da urdideira, para começar os giros que irão determinar o tamanho da urdidura e a quantidade de fios da  mesma. No nosso exemplo, como cada volta da urdidura corresponde a 1 m, daremos 3 voltas. 

                          

Na foto acima é possível observar as 3 voltas do modelo planejado nessa etapa inicial do curso básico.                                              2  

Após as 3 primeiras voltas, se deve fazer o contorno dos pinos superiores para formar a memória do urdume, conforme demonstrado anteriormente.

      O passo seguinte será rodar a urdideira em sentido contrário, correndo o fio pelo mesmo trajeto da subida inicial, até chegar novamente ao primeiro pino inferior.

    A contagem de fios será do seguinte modo: Iniciando no primeiro pino inferior, ao perfazer as 3 voltas, será considerado um fio; retornando de cima até o primeiro pino (novamente) será considerado o segundo fio e assim sucessivamente. Isso porque, após concluída a quantidade planejada de fios, estando esses devidamente amarrados (conforme será explicado adiante), estes serão cortados nas extremidades de retorno, tanto do pino inferior, quanto do terceiro pino superior.

         

    O segundo fio está sendo colocado; daí em diante, basta repetir esse movimento até atingir o número total calculado para cada trabalho.

Uma dica importante: Cuide para não perder a conta; nunca atenda a um chamado sem antes memorizar a contagem no ponto em que parou (anote). Somente após esse cuidado, atenda a outro assunto. Na fase de aprendizado pode parecer fácil simplesmente recontar os fios, mas essa prática se mostrará extremamente trabalhosa e pouco confiável na medida em que fizer urdiduras contendo muitos fios. Se para uma peça relativamente estreita, como um cachecol, essa recontagem pode ser fácil, o importante é adquirir um conhecimento correto da feitura de um urdume. 

                                                           

    A Memória do Urdume-  O passo seguinte, conforme última foto anterior, será colocar dois dedos respectivamente entre cada lado do "oito" de modo a separar os fios, seguindo a posição gerada pelos pinos. No espaço criado, introduzir um fio de barbante de um lado ao outro, amarrando as pontas, em seguida.

                                

As fotos mostram a seqüência da laçada da memória do urdume. Logo após, corta-se as extremidades da urdidura.    

Separando os fios com os dedos, deve-se cortar bem nas extremidades, tanto superior, quanto inferior.

                             

 Desse modo se tem uma urdidura pronta para ser colocada no pente do tear; e é o que faremos a seguir. Essa etapa pode ser realizada fora do tear, uma vez que o pente é uma peça solta. Será necessário uma agulha de crochê, para puxar cada fio, sendo que um fio se coloca no furo de um dente (do pente), e o seguinte, na fenda entre dois dentes (sempre o furo e a fenda seguintes).

      Lembre-se de colocar dois fios no início e dois fios no final, para reforçar a borda do pano. É importante cuidar para não deixar nenhum furo ou fenda sem fio; também convém, a cada quatro fios, dar um nó simples bem na ponta. Esse nó servirá para fixar cada grupo ao rolo do urdume, como veremos adiante. - Com uma agulha de crochê se coloca os dois fios (da borda) de preferência numa fenda, cuidando para calcular o início de modo a centrar a urdidura. Como o pente é mais largo do que o trabalho que iremos realizar, se deve encontrar o meio do pente e calcular a largura da peça a ser feita, de modo a colocar os dois primeiros fios na fenda que corresponda à largura pretendida.

      A cada quatro fios se deve dar um nó nas extremidades dos mesmos. Assim evitamos que alguns fios escapem durante o urdimento do pente e depois esses nós servirão para prender a urdidura nos furos do rolo de trás, como veremos adiante.

      Muitas vezes os iniciantes começam a colocar sem dar esses nós, acreditando que assim ficaria mais rápido e fácil. Mas é um engano, porque depois, além de demorar mais para separar os grupos de 4 fios, ainda se corre o risco de deixar alguns soltos.

     

Apresentação dos equipamentos| Antes de continuarmos esse roteiro, será necessário fazer uma breve apresentação de alguns instrumentos utilizados na tecelagem e um deles é a navete, 

 que serve para lançar o fio da trama, de um lado para o outro, entre os fios da urdidura, sucessivamente, da direita para a esquerda e depois, da esquerda para a direita. A cada passada, o pente do tear deverá ser  deslocado também, sucessivamente para cima, e depois para baixo; esse movimento do pente é que forma a cala - espaçamento entre os fios da urdidura por onde deve passar a navete.Na foto abaixo, passagem da trama na cala superior (o pente está apoiado na parte de cima dos suportes laterais (trapézios). 

A cala inferior fica aberta ao manter o pente por baixo dos trapézios.

                                                      

 As duas fotos mostram a cala (superior e inferior), de acordo com a posição do pente nos suportes laterais do tear. Quando o pente é apoiado em cima, forma a cala superior; e quando colocado embaixo, a cala inferior. Posteriormente será explicado como se deve passar o fio da trama, lançando a navete no meio de cada cala.        

Na seqüência de fotos está sendo mostrado como se coloca o fio; deve formar uma espécie de oito, alternando cada lado da navete. Esse método de colocação evita formar muito volume, como aconteceria se o fio fosse simplesmente enrolado por cima da navete.          

                              

O tear da foto tem 65cm de largura útil, com cavalete

o que permite um apoio para os pés, firmando o tear

durante o trabalho.

      O tear que estamos utilizando foi projetado de forma a permitir dois ajustes de ângulo e também pode ser dobrado quando fora de uso de modo a ocupar pouco espaço. Por isso, em cada lado há uma mão francesa que forma um triângulo entre o tear e a coluna do pé.

 

Vemos na primeira foto, a retirada do parafuso com borboleta, para, em seguida, parafusar a mão francesa. Na foto seguinte se pode observar a mão francesa sendo parafusada em seu devido lugar, e de acordo com a escolha de um dos furos, o tear ficará mais horizontal ou mais inclinado para a frente, permitindo um ajuste adequado à altura da cadeira ou banqueta.                  

    Depois de concluída essa etapa, como se vê na foto abaixo, o pente deverá ser fixado temporariamente aos suportes verticais com uma laçada de elástico (desses de roupa) de modo a manter o pente centrado enquanto se enrola a urdidura no rolo de trás. 

 

O elástico deve envolver o suporte do pente e o trapézio, que é a peça parafusada no suporte vertical.

      Colocando uma amarração assim de cada lado, o pente permanece centrado e isso é muito importante para a urdidura ser guiada sempre na mesma posição.

Esse cuidado evita o abaulamento da urdidura, o que causaria uma diferença gradual de tensão da mesma, a cada vez que se tenha que avançar a urdidura, durante o processo de tecer. Esse assunto abordarem melhor um pouco adiante.                                                

     A cada 4 fios, se deve dar um nó, como mostrado acima. Em seguida, puxe os fios de volta, contra o pente, como os fios já colocados são mostrados.

 

      Aqui tem início a colocação dos nós, respectivamente em cada furo do rolo, desde que tenham sido amarrados quatro fios de cada vez, porque, com um pente 2:1 fica na mesma proporção do espaçamento dos furos, que estão a 2 cm de distância um do outro. O importante é que os fios permaneçam perpendiculares ao rolo. Obs.: Os fios duplos das bordas devem ser considerados como um fio. Desse modo, na primeira e na última passada, deveriam ser amarrados cinco fios juntos, ou seja, o nó deve ser dado a cada quatro espaçamentos. No entanto, às vezes o número total de fios da urdidura não permitirá que fiquem todos a cada quatro. Isso não terá importância; havendo alguma desigualdade, o que se deve fazer é procurar manter a colocação o mais perpendicular possível e uma pequena diferença não influirá no resultado final.

 

 

Antes de continuar, devemos providenciar umas folhas de jornal para enrolar junto com a urdidura. Esse tem sido um método simples e eficaz para manter a regularidade do urdume, evitando que os fios escorreguem para os lados, afinando o volume do rolo do urdume. Quando a  urdidura é curta, com fios de lã industrial, muitas vêzes basta uma folha de jornal dobrada dupla, no início, continuando a enrolar o restante, sem jornal. No entanto, para quem está iniciando e ainda não tem prática, sempre será mais seguro colocar jornal o tempo todo.

Na foto abaixo podemos observar a colocação dos nós em seus respectivos furos.

 

Após a colocação, devemos pentear os fios com os dedos para desembaraçar o urdume.

Repetir essa operação enquanto enrolar a urdidura, mantendo uma tensão homogênea.

                                              

 

Segurando os fios juntos com uma mão é possível manter a tensão do urdume, enquanto, com a outra mão se vai enrolando. Lembre de manter o pente fixado temporariamente nos suportes laterais, para o urdume ficar centrado.

Os jornais serão colocados entre o rolo e a urdidura que está sendo colocada.

 

      Na foto ao lado se pode observar a colocação do jornal, cuidando para mante-lo centrado e liso. Começar a enrolar um pouco para fixar o mesmo. Em seguida continue a enrolar, sempre mantendo uma suave tensão nos fios, como aparece na foto acima. Se uma outra pessoa puder ajudar, então uma irá penteando os fios com dos dedos e em seguida, segurando o urdume, vá enrolando, sempre colocando nova folha de jornal, tão logo a anterior tiver terminado.Observe se os os fios estão sendo enrolados com uma tensão homogênea, evitando também que não fiquem abaulados, ou seja, o rolo não deve ficar mais grosso no meio do que nas laterais. Isso prejudica muito a qualidade do pano que iremos fazer, porque, a diferença de diâmetro do rolo do urdume permitirá uma diferença considerável no avanço da urdidura, enquanto for tecendo. Gradualmente os fios ficarão cada vez mais esticados nas bordas e frouxos no centro do pano. Mesmo que se consiga tecer até o final, ao retirar do tear veremos que o pano ficou deformado, prejudicando o acabamento do trabalho. 

    Essa é também uma das razões pelas quais se deve começar a tecer com urdiduras curtas, porque a colocação de urdiduras maiores exigirá experiência ou acompanhamento de um instrutor. 

    Com o tempo, e gradualmente, poderá experimentar fazer urdidura para duas peças como a do nosso exercício. Nesse caso, será necessário somar o comprimento de cada peça, a perda de 60cm provocada pelo tear, e um intervalo entre as duas, correspondente às duas franjas. Mas, ao enrolar, dependendo do comprimento total, talvez se torne necessário colocar varetas finas de madeira, além dos jornais. Essas varetas serão colocadas somente o suficiente para manter os fios sem escorregarem para fora. 

      Ao final da urdidura, devemos juntar as pontas, como vemos na foto e cortar de modo a nivelar o comprimento, o mais na extremidade possível. 

         

      Após o processo de urdir o tear, e com o rolo de trás devidamente travado com as catracas, puxar dois grupos de uns 6 fios cada, pegando juntos fios dos furos e das fendas (e não separando fios de cima e fios de baixo) na seqüência direta; puxe-os e faça um laço conforme a foto. Essa amarração deve iniciar a partir do meio, para manter o equilíbrio. Gradualmente se junto dois grupos semelhantes para um lado e em seguida, para o outro, até completar toda a amarração.

 

      Quando todos os grupos estiverem amarrados com laços, verifique cuidadosamente se alguns grupos estão mais frouxos; ajuste-os (para isso servem os laços) até que todos os grupos estejam o mais semelhantes no ajuste. Isso requer um certo tato, porque as diferenças de tensão no início, poderão comprometer a qualidade do pano.

 

    Após a amarração na vareta do rolo frontal, estique a urdidura, conforme demonstrado acima.

    A tensão da urdidura será proporcional ao tipo de tecido que se pretenda; para tapetes será necessário apertar fortemente até que os fios da urdidura fiquem bem esticados. Para cachecóis e mantas, a tensão deverá ser mais suave, mas nunca a ponto de ficar frouxa. Isso também requer uma certa prática, mas não é tão difícil. Aos poucos se vai adquirindo a noção disso.  

Será necessário uma navete que iremos abastecer com o fio da trama (foto ao lado)

 

Essa é do tipo "trenó" que desliza com mais facilidade, mas na maioria dos casos se utiliza a navete comum, conforme fotos anteriores.

                                            

 

Com o pente apoiado nos suportes laterais, se forma uma cala, um espaço entre os fios que passam nos furos e os fios que passam nas fendas. Introduza a navete nesse espaço (cala), deixando uma sobre de fio para fora da navete. Esse fio deverá ser deixado na cala, após a passagem da navete. Veja foto abaixo

 

 

 

Nessa seqüência de fotos se pode observar, que, após passar o fio, e feito o arremate inicial(foto acima), pega-se

o pente (foto seguinte), retirando-o dos suportes

 trazendo também com suavidade, para trás, ou, para perto de si.

 

 

Leve o pente de volta para os suportes (trapézios), mas encaixando de forma oposta à anterior, ou seja, se o pente antes estava apoiado em cima, deverá voltar para a parte de baixo dos trapézios. Dessa maneira, se forma a segunda cala, fechando os fios sobre a primeira carreira. Em seguida, puxe a extremidade oposta (que sobrou) da trama, de volta para a segunda cala, conforme foto acima (movimento com as duas mãos).

 

Desse modo, se forma um acabamento inicial, e se pode prosseguir com o pano. Esse fio será batido juntamente com a segunda passagem da trama, e a sobra poderá ser cortada, mas não será necessário fazer isso imediatamente; pode ser feito no final, na fase de acabamentos. Como estamos tecendo um cachecol, o movimento do pente deverá ser bem suave, apenas trazendo a trama até próximo da anterior, mas sem bater.    

     Passando a navete de volta, segure com dois dedos, a curva do fio, para que não puxe para dentro, a borda do tecido. Isso requer cuidado, porque, geralmente o iniciante subestima essa entrada, que às vezes passa quase despercebida. Ao retirar o pano do tear é que se pode verificar que ficou todo irregular. Por isso é que se torna necessário segurar com os dois dedos, enquanto se coloca o fio da trama seguinte. Também é necessário deixar uma sobra de fio, fora da navete, para poder passa-la sem repuxar o tecido. Ela deve passar e com a folga desenrolada apenas o suficiente para poder trabalhar. Na segunda foto acima está sendo demonstrado como o fio deve ficar, formando um ângulo, antes de puxar o pente novamente. Esse ângulo permite que o fio se ajuste ao fechar a cala, formando a ondulação natural do tecido. Se fosse deixado paralelo ao fio anterior, ao fechar a cala e bater o pente, a ondulação que se forma, iria gradativamente repuxando as bordas do pano, estreitando-o. Uma maneira de se observar se o pano está estreitando, é trazer o pente para próximo do pano e observar se este está mais estreito do que os fios dispostos no pente. Pode ser tolerado um pequeno estreitamento quando se trabalha com mantas ou cachecóis, porém muito pouca coisa. Mesmo assim, se deve observar se o estreitamento não está aumentando. Caso isso ocorra, se deve mudar de técnica: Ao passar a trama, estique-a suavemente, segurando com as pontas dos dedos (conforme explicado) deixando-a paralela ao fio anterior. Em seguida, largue a navete e com um dedo, puxe esse fio da trama, bem pelo meio, para a frente, formando uma meia lua. Puxe, então o pente, após inverter a cala. Isso se torna sempre indispensável; retirar o pente dos suportes, inverter a cala e traze-lo assim, para perto do pano. Nunca traga o pente com a cala aberta, porque isso fará o fio colocado, ficar franzido. No começo é comum acontecer isso, até que condicione os movimentos, num processo de reeducação motora. Mas não se habitue a trazer a cala aberta, porque dessa forma não será possível fazer um pano de qualidade.

 

Na foto  se pode observar o pente trazendo o fio da trama, com a cala fechada e o fio na diagonal, sendo ajustado pelo pente. Tecer deve ser agradável, e quando tudo está bem ajustado, o resultado é muito bom. Os panos feitos à mão podem ser peças de muito valor.

    Na foto acima se pode observar o pano que já está se formando. Chega o momento em que esse pano vai se aproximando do pente, a cada passada, deixando pouco espaço para fazer a diagonal ou meia lua com o fio da trama. Aí chegou o momento de soltar as lingüetas das catracas do rolo de trás e avançar o pano, enrolando-o no rolo da frente, o suficiente para continuar a tecer. O avanço não deve ser em excesso, e o pano deve ficar acima do rolo da frente, de modo a poder ser alcançado pelo pente, ao continuar a tecer.

 

Na foto acima, está sendo mostrado o destravamento das catracas, com os polegares. Para fazer isso, será necessário torcer o rolo com uma das mãos, para liberar as lingüetas. Solte uma, troque as mãos e repita o processo no outro lado. Obs.: Há uma tendência das borboletas exteriores do rolo apertarem ou afrouxarem com a rotação do mesmo, conforme o sentido do giro. Se sentir que está muito apertado para rodar, afrouxe um pouco a borboleta que estiver muito apertada, mas observe se a outra não está ficando muito frouxa, já que o sentido de rotação das mesmas é oposto, uma em relação à outra.

    Na foto acima está sendo demonstrado até que ponto se deve trazer o pano. Trave novamente as catracas de trás e estique a urdidura apenas o suficiente para tecer com regularidade.

 

    Na foto acima o final da urdidura, quando não há mais condições de desenrolar o urdume, uma vez que os nós já estão expostos. Nesse caso, tecer até concluir o comprimento desejado, cortando o fio da trama e recolocando a extremidade na última cala aberta. Bater suavemente o pente, recolocando-o nos suportes.

   Afrouxe um pouco a urdidura e com uma tesoura, corte a urdidura por trás do pente, conforme foto abaixo.

 

     Esse é o momento festejado por todo tecelão; o da conclusão de um  trabalho. Especialmente o primeiro trabalho que sempre será muito especial.

    Após cortar a urdidura, retire as sobras dos furos, limpando o tear. Em seguida, retire o pano, liberando as catracas do rolo da frente (rolo do pano).

   Desamarre os laços iniciais na vareta frontal, de modo a liberar a peça que acabou de tecer.

 

    Após retirar o pano (no exemplo, um cachecol), comece a dar nós nas extremidades dos fios da urdidura, para formar uma franja. Nesse tipo de pano, se pode juntar de quatro a seis fios de cada vez para fazer um nó simples.

  

                                               

    Com esta conclusão, resta fazer alguns acabamentos, como aparar com uma tesoura, os fios da franja, deixando a mesma com um comprimento adequado e homogêneo. Também se pode acertar alguns fios da trama que podem estar um pouco deslocado.

Convém esticar a peça em cima de uma mesa e observar se a trama está com a devida regularidade. Com a parte de trás de uma agulha de crochê, vá acertando os fios que estiverem um pouco fora do lugar. Nem sempre será necessário fazer isso, mas é uma maneira de dar um acabamento mais limpo e homogêneo, contribuindo para valorizar seu trabalho.

Agora já pode começar a planejar outros panos e combinações de fios. O tear permite que se trabalhe com, praticamente, qualquer tipo de fio, e há uma enorme variedade de fibras e padrões de cores, bem como materiais diversos.

      No nosso curso básico, primeiro módulo, ensinamos a tecer trama batida que serve para fazer tapetes. Nesse tipo de pano, a trama esconde totalmente a urdidura, que serve apenas de base para o pano. Essa técnica serve também para fazer bolsas. São muitas as técnicas possíveis de se utilizar com o tear de pente-liço. Esse curso é apenas uma introdução, de modo a permitir um aprendizado prático à distância, ou complementar a um curso com um profissional qualificado e experiente.

Instruções: Como utilizar a urdideira portátil

 

 

Consultas poderão ser feitas pelo e-mail: [email protected]

   

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